… a questão do CERN, como foi baptizada a máquina que, dizem, vai mesmo, desta vez, explicar a “origem do universo” !
Não consegui deixar de ficar incomodado, mesmo irritado, com a “euforia laicista” duma apresentadora duma TV que ontem, num noticiário, o anunciava entusiasticamente, à semelhança do que fizera já há algum tempo, quando o dito equipamento foi inaugurado a 1ª vez e posto a funcionar: ia ser possível fazer a reconstituição do “big bang” e, assim, demonstrar, à evidencia, que tal seria a verdadeira explicação da constituição do Mundo, remetendo para as calendas as fantasias bíblicas; sempre é desta vez (digo eu) que “Deus vai com as trochas”: a ciência vai mesmo explicar tudo !
O entusiasmo e convicção então revelados foram tais que levantaram polémica, provocando a promoção de debates interessantes, envolvendo cientistas (qualificados), filósofos e teólogos. Do que vi, pareceu-me ter podido concluir que tal evento científico teria sido útil para a cultura: ficava-se a perceber, para quem não tivesse pensado nisso, que a ciência trata do mundo físico, material, nada colidindo o seu progresso com o domínio da teologia que os tais cientistas, mesmo os que se declaravam “não crentes” respeitam como filosofia sobre o sobre-natural e meta-físico.
Na verdade, parecia-me ter resultado evidente que a ciência nada explica, mas apenas constata; apetrechados com equipamentos cada vez mais poderosos e sofisticados e dispondo de linguagens matemáticas cada vez mais elaboradas, os cientistas descobrem mundos novos, estabelecem correlações e constatam as regras (leis) porque se rege o funcionamento dos sistemas, mas,…há sempre uma “causa primeira” (ou última, nalguns casos) onde não chegarão nunca. Há pouco tempo ouvi, num doutoramento “honoris causa” o doutorando, ilustre intelectual, artista e cientista (também astrónomo) proferir uma frase, que logo registei por considerar corresponder à atitude de humildade que deve caracterizar o cientista sério:
…” quanto mais dizem que sabem, menos entendem”… !!
Mesmo que o “universo que se conhece” (o chamado “universo tangível”, com os equipamentos de que se dispõe na actualidade) resultasse duma eventual colisão de 2 fotões (super poderosos, com uma concentração enorme de energia), esse não teria sido o princípio de tudo ! Os ditos fotões, ou o que fosse, teriam vindo de algum sítio, de outro universo vizinho, e há algum tempo antes ! Ou seja, já existiam antes do tal princípio, o que evidencia a falta de lógica racional de tal hipótese.
E o tal de “big bang”, que tanto defendem os adeptos do “cientismo” e que se ensina nos manuais das nossa escolas (oficiais !) como sendo “a explicação” da origem do mundo ?! Li num desses manuais, com grande espanto, que a tal “esfera original” seria da dimensão duma bola de ténis ! Que espantoso rigor ! É isto que se ensina nas nossa escolas laicas ! A questão é a mesma: donde veio a bola e desde quando existia ? Como se chamaria o espaço (infinito !) para além da bola ?
Nada custa admitir que a nossa galáxia, ou o conjunto das galáxias que se conhecem, tenham resultado duma explosão qualquer duma qualquer coisa (que não, provavelmente, do tamanho duma bolinha de ténis !); não me perturba, sequer, admitir que se constate agora que as estrelas que se vislumbram com os actuais equipamentos estejam, afinal, em movimento relativo. Até aceito facilmente que o nosso “universo tangível” esteja, como dizem, em expansão. Mas, se se expande, aumenta de volume, indo ocupar espaço adjacente, de outros tantos universos. E o tal universo não se poderá confinar ao que se conhece já, pois então iria crescendo com o avanço da tecnologia: começara por ser o que se alcançava a “olho nu”, aumentando a dimensão com a invenção das lunetas, mais ainda com os telescópios ópticos, ainda mais, com os actuais e os futuros ! E nós seríamos o “centro” desse tal universo, esse mesmo variável se nos deslocamos para a Lua ou para Marte, ou simplesmente, dumas coordenadas para outras !
Numa conversa ocasional, este Verão, com astrónomos duma Universidade de Lisboa, provoquei o debate, para animar a conversa, tendo sido considerado que a admitir o “big bang” (à falta de melhor explicação, como foi dito) o mesmo se reportaria à origem do tal “universo tangível”, o que nos é possível, até agora, conhecer; o resto, cientificamente, é uma incógnita.
“ A César, o que é de César e… a Deus, o que é de Deus” !
Não estou nada agarrado à convicção, defendida pelos “criacionistas” radicais, que Deus, enfastiado de nada fazer, se lembrou de criar o firmamento numa 2ª feira, o mar na 3ª, etc.,…tendo instaurado então o “fim de semana à Inglesa” ! Tão pouco que tenha criado um tal de Adão dum pouco de barro e, ainda (imagine-se) uma tal de Eva, duma costela sua ! Só quem tenha uma cultura que não ultrapasse um lamentável “infantilismo religioso” usa esta descrição como argumento para desacreditar a mensagem bíblica, adjectivando esta narrativa como irracional; qualquer intelectual sério, crente ou agnóstico, percebe que, na sua linguagem simbólica e figurada, a mensagem do Génesis é que foi Deus quem criou o Mundo e tudo o que o habita; ponto final ! Para quem tem fé e acredita na existência de uma “outra vida, num outro “mundo imaterial”, tudo faz sentido, racionalmente; logicamente tal é suficiente, sem mais explicações inúteis e desnecessárias; quem não tenha tal convicção, que arranje forma de sair desse “beco sem saída”!
Tal conclusão pareceu-me ter ficado evidente nos debates a que assisti, ficando na convicção de que tal valera a pena, aquando da tal inauguração do tal de CERN; afinal não ! Nesta 2ª inauguração (oficial e com “pompa e circunstancia”, mesmo com o equipamento inoperacional, por avaria !!) a “comunicação social”, que parece ter memória curta ou selectiva, tudo esqueceu, voltando “à estaca zero”. Será mesmo ignorância e infantilismo, ou será que lhes dava jeito “acabar com Deus”, para quem o mesmo parece tornar-se incómodo ?
A aceitação da tal “outra vida” num “outro mundo” obrigaria a mudar muitas mentalidades e muitos comportamentos e isso parece incomodar ou ser inconveniente para muita gente.
Pessoalmente, lamento !
MG 23.10.2008
terça-feira, 28 de outubro de 2008
TRAPALHADA (política) NACIONAL
Acabo de ficar profundamente abalado nas minhas convicções: considerando-me, desde sempre (ainda estudante, ao despertar para a “coisa pública”), adepto e defensor da “democracia Cristã” e, consequentemente, situado no chamado “centro-direita” do espectro político português, acabo de constatar que sou, de facto, “social-democrata” (embora só, ligeiramente !) !
Tal conclusão resulta das respostas que espontaneamente dei numa espécie de inquérito/teste que recebi num mail sobre o “perfil político” de cada um trazendo, em anexo uma série de quadros sobre o “panorama político” nacional e internacional; muito interessante e pedagógico, bem elaborado e fundamentado. Vale a pena analisar e seria interessante divulgar e avaliar a “competência política” de cada eleitor !
Creio que o resultado seria uma boa surpresa para a maioria, vindo confirmar a minha percepção, de longa data, sobre a realidade nacional, que considero ser a causa fundamental do atávico “embaraço político” das “lusas gentes”.
Há muito que defendo que os nomes dos maiores partidos existentes não correspondem à realidade ideológica dos seus militantes e simpatizantes, desviando o “centro de gravidade” do espectro, distorcendo o panorama global e falseando a interpretação dos resultados eleitorais. Tal parece ter resultado, por um lado, duma enorme falta de cultura política e, por outro, de um certo “oportunismo à portuguesa” !
Segundo o que se diz, existem 2 grandes partidos com vocação de alternância de poder, considerando o senso comum um de “centro-direita” (o PSD) e o outro (o PS) de centro-esquerda, sendo o CDS(PP) conotado com a “direita liberal”, simétrico do comunista (PCP). Está, assim, colocado o “centro” entre o PS e o PSD, havendo quem sugira a sua fusão (face à confusão das suas práticas políticas) para constituir o “bloco central”. Entretanto vai havendo uma franja de indecisos (inocentes) que balança entre os dois, proporcionando uma alternância no poder, ajustada conforme as circunstancias e a aparência de conveniência. Esta realidade dá uma imagem completamente distorcida do espectro ideológico do nosso eleitorado, conforme se comprova na análise acima referida.
Tal resultou logo com a formação, a seguir ao 25 de Abril, dos partido existentes e a eliminação de partidos mais radicais de direita que teriam o mesmo direito de existir que os radicais de esquerda (esquerda do caviar!).
De facto, vimos instalar-se no PSD, (inicialmente baptizado de PPD) a grande maioria da gente moderada (grande parte de formação “democrata-cristã”) que considerou arriscado ser conotado com a direita e “politicamente correcto” dar, estrategicamente, um arzinho de esquerda ! Resultou que o PSD aglutinou militantes (e simpatizantes) abrangendo um leque ideológico enorme e, até contraditório, desde os que são efectivamente (e convictamente) defensores da “social-democracia”, até aos que lá se encostaram sendo, realmente, ideologicamente de “centro direita”, resultando uma confusão de “tendências” incoerentes e inconsistentes (se não incompatíveis, com se tem verificado há algum tempo !) não se sabendo, na prática o que é tal partido, tão…partido !
Para muitos, é o “partido do Dr. Sá Carneiro” e nada sabem sobre a “social democracia”; ficariam muito surpreendidos se soubessem que tal era o título do livro de Karl Marx em que se estabeleciam os princípios ideológicos do socialismo, sistema que só se tornou viável com uma prática ditatorial da sua versão comunista (Leninista), como se poderá confirmar agora por simples consulta na NET ! Logo se chamou à “social democracia”, “socialismo a diesel” nele embarcando os idealistas (designados por “peixinhos vermelhos a nadar em água benta”!) que confundem marxismo com Doutrina Social da Igreja, não se apercebendo que visando objectivos parecidos, são opostos nos meios de acção. Recordo o texto que escrevi, a propósito, que intitulei de “a bondade da esquerda”. Não estou (nem quero, nem devo, nem posso) a julgar pessoas concretas que terão agido, certamente (e no caso concreto dalgumas em que estou a pensar) de boa-fé; apenas pretendo analisar e retratar a situação existente.
O mesmo aconteceu com o PS, em que a trapalhada ideológica é semelhante, agrupando as “tendências” mais dispares, desde os mais moderados que se consideram, também, sociais-democratas, até aos mais radicais de tendência marxista, de discurso muito próximo dos da “extrema-esquerda”: uma grande confusão que faz com que se não entendam também e se não saiba nunca o rumo que vai adoptar !
Na prática os 2 partidos tem uma franja ideológica sobreposta, fazendo que muita gente não saiba para que lado há-de cair, ou caia umas vezes para um e outra, para o outro.
Claro que uma coisa são os “fundamentos ideológicos” e outra os “programas”, estes cozinhados para agradar ao eleitorado distraído (ou inocente, manipulável pala “comunicação social” !); outra coisa, ainda e como se tem verificado, é a prática governativa efectiva quando qualquer dos partidos detém o poder (e a responsabilidade real): nunca me esquece que o Dr. Mário Soares, que considero ter sido uma figura importante na consolidação dum estado não totalitário comunista, mas que no comício das Antas, no “verão quente de75”, ostentava o seu marxismo em grandes letras no relvado, sendo a primeira coisa que fez como Primeiro Ministro “meter o socialismo na gaveta” !! Todos se lembram ?
A confusão é tal que o PSD integra, no Parlamento Europeu, a “família conservadora” e o PS a designada “família social democrata” ! Está tudo fora do sítio, lá como cá !
Resulta deste desiderato que, na prática, qualquer governo, seja qual for a sua conotação partidária, acaba por fazer o mesmo, ou seja o que é necessário e conveniente face aos condicionamentos e ditames duma conjuntura cada vez mais globalizada, governando o PS à direita do que é preconizado pelo PSD, que defende posições à esquerda do anunciado pelo PS; nunca ninguém sabe quem está a falar verdade e, ainda menos, o que fará cada um, quando no poder. A situação global é cada vez mais complexa, estando o governo actual a adoptar medidas há muito preconizadas pelo CDS e com o PSD incapaz, portanto de se apresenta como alternativa; diz-se que há uma “crise de oposição” ! Acho, pessoalmente, que a crise é antiga e resulta da génese desta “espécie de democracia” (bem à portuguesa), em que os partidos fingem que são o que dizem para, demagogicamente, agradar ao “seu eleitorado” ( e ao do vizinho !), os eleitores fingem aceitar o que a “comunicação social” finge parecer acreditar, alimentando este “ciclo vicioso” ou circo, como já alguns chamam. Portugal transformou-se efectivamente, num “país de opereta” !
E assim se manterá enquanto não se corrigir este erro de base e se não “chamar os bois pelos nomes” reformulando, por um lado, o espectro partidário (o que seria uma verdadeira revolução, no correcto sentido da palavra) e passando o eleitorado a ter o discernimento e coragem (e seriedade) para “assumir” (como agora é moda) a sua posição formal no local que corresponde às suas convicções profundas. Analisando ao tais anexos ao referido teste conclui-se que a”maioria” (num universo de 12578 inquiridos) e que agora vota Sócrates é, de facto, social-democrata (cerca de 37%), sendo liberais 22%, conservadores 14% e comunistas 7%, o que retrata bem o nosso panorama político.
Parece poder concluir-se que (em correspondência aos 4 quadrantes políticos) deveria existir um partido declaradamente liberal, um conservador, outro social-democrata e um socialista, para além de outros, de menor expressão e mais radicais (para ambos os lados).
Julgo que será interessante que cada um faça o seu teste e tire as devidas ilações; comigo deu quase certo, ou melhor, corrigiu a minha presunção sobre o assunto!
MG 26.10.2008
Tal conclusão resulta das respostas que espontaneamente dei numa espécie de inquérito/teste que recebi num mail sobre o “perfil político” de cada um trazendo, em anexo uma série de quadros sobre o “panorama político” nacional e internacional; muito interessante e pedagógico, bem elaborado e fundamentado. Vale a pena analisar e seria interessante divulgar e avaliar a “competência política” de cada eleitor !
Creio que o resultado seria uma boa surpresa para a maioria, vindo confirmar a minha percepção, de longa data, sobre a realidade nacional, que considero ser a causa fundamental do atávico “embaraço político” das “lusas gentes”.
Há muito que defendo que os nomes dos maiores partidos existentes não correspondem à realidade ideológica dos seus militantes e simpatizantes, desviando o “centro de gravidade” do espectro, distorcendo o panorama global e falseando a interpretação dos resultados eleitorais. Tal parece ter resultado, por um lado, duma enorme falta de cultura política e, por outro, de um certo “oportunismo à portuguesa” !
Segundo o que se diz, existem 2 grandes partidos com vocação de alternância de poder, considerando o senso comum um de “centro-direita” (o PSD) e o outro (o PS) de centro-esquerda, sendo o CDS(PP) conotado com a “direita liberal”, simétrico do comunista (PCP). Está, assim, colocado o “centro” entre o PS e o PSD, havendo quem sugira a sua fusão (face à confusão das suas práticas políticas) para constituir o “bloco central”. Entretanto vai havendo uma franja de indecisos (inocentes) que balança entre os dois, proporcionando uma alternância no poder, ajustada conforme as circunstancias e a aparência de conveniência. Esta realidade dá uma imagem completamente distorcida do espectro ideológico do nosso eleitorado, conforme se comprova na análise acima referida.
Tal resultou logo com a formação, a seguir ao 25 de Abril, dos partido existentes e a eliminação de partidos mais radicais de direita que teriam o mesmo direito de existir que os radicais de esquerda (esquerda do caviar!).
De facto, vimos instalar-se no PSD, (inicialmente baptizado de PPD) a grande maioria da gente moderada (grande parte de formação “democrata-cristã”) que considerou arriscado ser conotado com a direita e “politicamente correcto” dar, estrategicamente, um arzinho de esquerda ! Resultou que o PSD aglutinou militantes (e simpatizantes) abrangendo um leque ideológico enorme e, até contraditório, desde os que são efectivamente (e convictamente) defensores da “social-democracia”, até aos que lá se encostaram sendo, realmente, ideologicamente de “centro direita”, resultando uma confusão de “tendências” incoerentes e inconsistentes (se não incompatíveis, com se tem verificado há algum tempo !) não se sabendo, na prática o que é tal partido, tão…partido !
Para muitos, é o “partido do Dr. Sá Carneiro” e nada sabem sobre a “social democracia”; ficariam muito surpreendidos se soubessem que tal era o título do livro de Karl Marx em que se estabeleciam os princípios ideológicos do socialismo, sistema que só se tornou viável com uma prática ditatorial da sua versão comunista (Leninista), como se poderá confirmar agora por simples consulta na NET ! Logo se chamou à “social democracia”, “socialismo a diesel” nele embarcando os idealistas (designados por “peixinhos vermelhos a nadar em água benta”!) que confundem marxismo com Doutrina Social da Igreja, não se apercebendo que visando objectivos parecidos, são opostos nos meios de acção. Recordo o texto que escrevi, a propósito, que intitulei de “a bondade da esquerda”. Não estou (nem quero, nem devo, nem posso) a julgar pessoas concretas que terão agido, certamente (e no caso concreto dalgumas em que estou a pensar) de boa-fé; apenas pretendo analisar e retratar a situação existente.
O mesmo aconteceu com o PS, em que a trapalhada ideológica é semelhante, agrupando as “tendências” mais dispares, desde os mais moderados que se consideram, também, sociais-democratas, até aos mais radicais de tendência marxista, de discurso muito próximo dos da “extrema-esquerda”: uma grande confusão que faz com que se não entendam também e se não saiba nunca o rumo que vai adoptar !
Na prática os 2 partidos tem uma franja ideológica sobreposta, fazendo que muita gente não saiba para que lado há-de cair, ou caia umas vezes para um e outra, para o outro.
Claro que uma coisa são os “fundamentos ideológicos” e outra os “programas”, estes cozinhados para agradar ao eleitorado distraído (ou inocente, manipulável pala “comunicação social” !); outra coisa, ainda e como se tem verificado, é a prática governativa efectiva quando qualquer dos partidos detém o poder (e a responsabilidade real): nunca me esquece que o Dr. Mário Soares, que considero ter sido uma figura importante na consolidação dum estado não totalitário comunista, mas que no comício das Antas, no “verão quente de75”, ostentava o seu marxismo em grandes letras no relvado, sendo a primeira coisa que fez como Primeiro Ministro “meter o socialismo na gaveta” !! Todos se lembram ?
A confusão é tal que o PSD integra, no Parlamento Europeu, a “família conservadora” e o PS a designada “família social democrata” ! Está tudo fora do sítio, lá como cá !
Resulta deste desiderato que, na prática, qualquer governo, seja qual for a sua conotação partidária, acaba por fazer o mesmo, ou seja o que é necessário e conveniente face aos condicionamentos e ditames duma conjuntura cada vez mais globalizada, governando o PS à direita do que é preconizado pelo PSD, que defende posições à esquerda do anunciado pelo PS; nunca ninguém sabe quem está a falar verdade e, ainda menos, o que fará cada um, quando no poder. A situação global é cada vez mais complexa, estando o governo actual a adoptar medidas há muito preconizadas pelo CDS e com o PSD incapaz, portanto de se apresenta como alternativa; diz-se que há uma “crise de oposição” ! Acho, pessoalmente, que a crise é antiga e resulta da génese desta “espécie de democracia” (bem à portuguesa), em que os partidos fingem que são o que dizem para, demagogicamente, agradar ao “seu eleitorado” ( e ao do vizinho !), os eleitores fingem aceitar o que a “comunicação social” finge parecer acreditar, alimentando este “ciclo vicioso” ou circo, como já alguns chamam. Portugal transformou-se efectivamente, num “país de opereta” !
E assim se manterá enquanto não se corrigir este erro de base e se não “chamar os bois pelos nomes” reformulando, por um lado, o espectro partidário (o que seria uma verdadeira revolução, no correcto sentido da palavra) e passando o eleitorado a ter o discernimento e coragem (e seriedade) para “assumir” (como agora é moda) a sua posição formal no local que corresponde às suas convicções profundas. Analisando ao tais anexos ao referido teste conclui-se que a”maioria” (num universo de 12578 inquiridos) e que agora vota Sócrates é, de facto, social-democrata (cerca de 37%), sendo liberais 22%, conservadores 14% e comunistas 7%, o que retrata bem o nosso panorama político.
Parece poder concluir-se que (em correspondência aos 4 quadrantes políticos) deveria existir um partido declaradamente liberal, um conservador, outro social-democrata e um socialista, para além de outros, de menor expressão e mais radicais (para ambos os lados).
Julgo que será interessante que cada um faça o seu teste e tire as devidas ilações; comigo deu quase certo, ou melhor, corrigiu a minha presunção sobre o assunto!
MG 26.10.2008
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