domingo, 29 de novembro de 2009

O SEXO COMANDA A VIDA (?!)

Assim se intitula um poema de Pedro Barroso, o qual me foi enviado há dias pela Net. Logo reagi com um pequeno comentário, que se me afigura oportuno desenvolver, após o debate “Prós e Contras” a que assisti no dia 16, em que mais uma vez me pareceu ser dado um tratamento confuso a questões essenciais. Efectivamente, sendo o texto acima referido poeticamente sugestivo e insinuante, revelava implicitamente, e de forma expressiva a realidade da mentalidade e cultura duma maioria da nossa sociedade moderna, influenciada por uma concepção preocupantemente redutora da “sexualidade humana”, considerando-a apenas na sua vertente de “genitalidade animal”, e o prazer que lhe está associado, como seu objectivo fundamental.
É o que chamei, já então, a “civilização da “queca””!
É um facto incontornável (como agora é fino dizer !) que, para quem tem tal mentalidade, tudo na vida, de forma directa ou indirecta, gira à volta do sexo, parecendo vir-se confirmar as teorias de Freud.
Não em vou alongar, até porque já o fiz noutras oportunidades, a realçar as diferenças essenciais entre a tal “sexualidade primária” e o que deveria ser uma “sexualidade humana” integral, bem entendida e assumida; tão pouco vou repetir o que se deve entender por Amor, no sentido correcto da palavra, e que nada tem a ver, também, com o “faire amour” que reduz, geralmente, a relação ao seu oposto, numa busca egoísta da satisfação pessoal, em consonância com uma cultura hedonista.

O objectivo desta reflexão agora, é o de salientar que tal visão de sexo é já, em si mesma, uma perversão e um “desvio” em relação à “natureza humana”, quando considerada numa percepção integral, estando na base e na origem de todos os outros “desvios comportamentais” que afloram na sociedade como manifestações de tal mentalidade e cultura, de forma cada vez mais preocupante, com a agravante de virem reivindicar estatuto e direitos iguais aos dos cidadãos que agem de “forma normal”, de acordo com a “natureza humana”. É aquilo a que se chama de “comportamentos desviantes”! É curioso o silêncio dos chamados “naturistas” face à defesa do uso dos órgãos destinados à reprodução e preservação da espécie, com objectivos que se afastam, ou mesmo, opõem a tal finalidade !
Mas, o mesmo sempre aconteceu, ao longo da história da humanidade, nos períodos de decadência de todas as civilizações ! A diferença é que as novas tecnologias da modernidade favorecem um impacto de muito maiores dimensões e de consequências mais nefastas.
É o que se constata nos noticiários de todos os dias e, agora, com particular relevo na “agenda política” do momento, no nosso País !

Efectivamente, esta concepção vigente da sexualidade, conduz a uma vivencia pobre das relações, nada criativa, monótona e, até, fastidiosa, o que está na base na instabilidade destes relacionamentos irresponsáveis, precários e inconsequentes. Tal é a consequência de se considerar o sexo como visando o prazer; o que importa é “curtir” (a perversão está em pôr o sexo ao serviço do prazer, em vez de valorizar o prazer como estímulo sexual) ! E tal objectivo, o do prazer, por si só efémero e passageiro, favorece a rotina e não satisfaz os anseios mais profundos da natureza humana. O prazer físico, só por si, não dá a verdadeira felicidade e, ao contrário do amor, esmorece com a rotina e habituação; como em tudo o mais, relacionado com o “corpo físico”, a monotonia embota a sensibilidade e o estímulo da novidade desaparece, sendo necessário encontrar novas motivações noutras “novidades”, na variedade, na diversidade, no inesperado, no bizarro !
E quando o “normal” não satisfaz, e o estímulo passa a ser o bizarro, começa a aflorar o “vale tudo”! Tal evolução poderá não ter limites, deixando de haver regras e valores: da masturbação às “relações ocasionais” e passageiras (a que se chama de “caso”), segue-se para o chamado “amor livre”, o “swing”, a banalização do divórcio, a libertinagem, a consequente defesa da pílula para contrariar a Natureza (e perverter a “razão primária” da genitalidade !), o divulgação do uso do preservativo (para compensar os falhanços da pílula) caindo-se, por fim, na violência do aborto (necessário para compensar as insuficiências do preservativo). Tudo vem em sequência e tudo resulta dessa mesma cultura: é um “silogismo em cadeia” (que aprendemos, no Liceu, a chamar de sorites) !
Quando o objectivo é “curtir”, e o estímulo o bizarro, e quando o “normal” se torna banal, vulgar e menos estimulante, o natural será que se procurem variantes mais apelativas surgindo, como corolário do referido sorites, as “taras” dos comportamentos mais desviantes e que suscitam, hipocritamente, as grandes parangonas dos escândalos noticiosos (o que convém ao negócio da “comunicação social”, e outros negócios de “empresários” de sucesso recente: alterne, tráfego de crianças, droga, etc.!), alimentados pela florescente literatura pornográfica: a pornografia infantil, a pedofilia e a homossexualidade.
Dizem os noticiários haver grande preocupação com a SIDA, mas nada se faz para ir à solução na raiz do raiz do problema: uma mudança de cultura e de comportamentos ! Tudo está ligado !

Estou consciente de que não é “politicamente correcto” atrever-me a afirmar que tais comportamentos correspondem a desvios em relação ao “normal”, ou seja, com o que está de acordo com a Natureza; tal consideração é, até mesmo, considerada um novo crime: a “homofobia” ! Mesmo assim, creio ser importante deixar frisado que há muitos casos de mulheres “machonas”, ou um homens “efeminados” que não são, forçosamente, homossexuais. Muita gente há, homens e mulheres, com algumas flutuações, no que se refere ao seu “perfil sexual”, em relação aos padrões correntes, com desvios dentro dos limites duma “franja de normalidade” aceitáveis, e que nem por isso deixam de fazer uma vida equilibrada socialmente. È indispensável salientar este facto e que só resolve “assumir”, como se diz, quem viva obcecado com o tal “gozo sexual” e faça disso uma prioridade e objectivo de vida ! Nisso está o “desvio” ! Tal concepção de sexualidade é que é “doença” !
Trata-se, de facto, duma “doença cultural”e civilizacional que não, forçosamente, uma doença mental ou fisiológica o que é, naturalmente, bastante raro.
Tudo o resto é uma consequência directa desta concepção de sexualidade! E não é esta a mentalidade de muita “boa gente” ? Não é verdade que de facto, para a maioria, “o sexo comanda a vida” ?

Considero conveniente frisar que falar claro e denunciar o erro, não é falta de caridade !
Pelo contrário ! Falta de caridade é, por medo ou comodismo, deixar correr.
Se é verdade que se deve respeito e carinho a toda a gente, tal não significa anuência com o erro, que deve ser denunciado sempre, com frontalidade.
E se maior carinho e compaixão nos merece quem é doente ou, de alguma forma deficiente, devem ser rejeitados os comportamentos aberrantes de quem se julga no direito de ser original e, acintosamente, afrontar o que é normal e saudável, quer do ponto de vista pessoal, quer social e moral. Denunciar isto não é descriminação, nem atentado a qualquer direito legítimo.
Só razões de estratégia política, para servir fins estranhos que nada terão a ver com a defesa da cultura e civilização, podem explicar o desaforo de vir esta nova minoria reivindicar o reconhecimento de um estatuto e de direitos iguais aos de todos os cidadãos que se regem por normas de conduta em conformidade com a mais elementar “moral natural” (não só duma “cultura conservadora” de inspiração Cristã, ou Católica, como é insinuado pelos anti-clericalistas)! Será que estas questões se põem também no mundo Islâmico ?!
Se o “direito à asneira” passa a ser defensável, porque não contemplar os direitos dos contrabandistas, dos traficantes, dos corruptos, etc. Será que estes também tem “direito à diferença”?
Basta de demagogia !
Porque será que os mesmos que lutaram pelo referendo do aborto, vem agora calorosamente contestar o referendo sobre a “igualdade” de estatuto das uniões homossexuais, como se viu no referido “Prós e Contras” ?
Porque será que os mesmos, também, que lutaram contra a “instituição retrógrada” do casamento heterossexual, defendendo a igualdade de direitos das “uniões livres”(!), vem agora defender o “casamento homossexual”? Há em tudo isto algo de profundamente errado e contraditório, que não dá para entender e que deve ser denunciado !
Creio que ressalta evidente a sua “pureza de intenções”!

Então, para que não seja o sexo (mal entendido) a comandar a vida de muita gente e, em especial, de muitos jovens, torna-se fundamental e urgente uma correcta “educação sexual”, que não será o que se pretende difundir nas escolas (ensinando-se o que toda a gente sabe já, e o que nunca deveria saber, por favorecer perversidades desviantes !), deixando bem claro o que está errado e conduz ao caos que se vai vendo.
Urge tudo fazer para se corrigir e superar esta “cultura da queca”, para se implantar uma nova cultura, duma verdadeira “civilização do Amor”!

MG 22.11.2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

CAIM, E … ABEL !!

CAIM, E … ABEL !!

Esta reflexão não resulta directamente da polémica gerada pelo último livro de Saramago, embora a mesma venha dar alguma acuidade mais ao assunto.
De todo o conjunto de histórias que a Bíblia contém, com toda a carga simbólica das suas mensagens (e que Saramago não consegue entender !), ressalta esta chamada de atenção para o possível conflito entre irmãos, simbolicamente personalizados nas figuras de Abel e Caim (se fossem figuras reais, históricas, a descendência teria ficado por aí !), filhos de um Adão e Eva, que simbolizam, por sua vez, uma primeira geração desta frágil “humanidade” itinerante, mas já com os “dons” únicos que os faz ser “à semelhança de Deus” !
Este episódio retrata, pois, e alerta para uma questão essencial da sociedade humana: a qualidade das relações entre irmãos. È essa a função de toda a mensagem Bíblica: alertar para as nossas fragilidades. É mais uma “história deplorável”, no dizer de Saramago ! Mas, a nossa humanidade,… é mesmo assim !

Ocorreu-me esta análise ao deparar com a casualidade de ter recorrido à colaboração de uma empresa “prestadora de serviços”, cujos sócios são dois irmãos que, além de sócios, também trabalham em conjunto. Fiquei um pouco surpreendido ! Raramente, no decorrer duma vida já algo longa, se me tinha deparado caso idêntico ! Interpelei-os, procurando analisar os seus antecedentes familiares, tendo-me parecido poder concluir que tal resultara do mérito do ambiente familiar criado pelos seus Pais.

De facto, a primeira situação de “relação social” com que a maioria de nós é confrontada (à semelhança, aliás, com o que acontece com as restantes espécies animais !) é a de se ser envolvido numa primeira situação de eventual “conflito de interesses”, numa competição pelos afectos, se não pela sobrevivência. Perante tal realidade há, como em tudo, dois caminhos que resultam de duas opções possíveis: a da harmonia, da amizade e solidariedade, que se pode manifestar numa atitude de conivência e cumplicidade, ou a de desarmonia e egoísmo, podendo levar à disputa, à confrontação, à prepotência, do “salve-se quem puder”! Como em tudo, é sempre uma questão de atitude e cultura, ou seja de valores e princípios.
Afigura-se-me claro que, face à tentação espontânea e primária da defesa egoísta dos interesses pessoais, personalizada em Caim, e que conduz às lutas fratricidas (profeticamente espelhadas neste episódio Bíblico e de que a história da humanidade está recheada, o que sempre me chocou profundamente), só uma actuação atenta e esclarecida dos Pais pode fazer valer “valores mais altos” e inverter tal impulso. Admito que os “primeiros Pais” não estivessem muito sensibilizados para o seu papel ! E, creio mesmo que, ainda hoje, pouca gente o estará . Todos conhecemos, infelizmente, casos de irmãos separados e hostilizados por tricas mesquinhas, de vária ordem, bem como de irmãos que são “unha com carne”.
Creio que valerá a pena analisar a sua história familiar e perceber a importância do ambiente que lhes foi proporcionado e o papel decisivo duma actuação inteligente dos Pais, numa estratégia de educação que tenha incutido valores que induzam às opções mais desejáveis. Julgo ser da maior importância que todos os Pais tenham consciência da importância determinante da sua actuação e do seu exemplo, agindo de forma coerente e consequente. O bom ambiente familiar, não sendo determinante, é essencial.
Como todos os “amores”, também o fraternal é, no entanto, susceptível de perversidades, podendo pecar por excesso ou exagero, havendo casos em que o egoísmo individual migra para um “egoísmo de grupo”, gerando-se uma comunidade fechada sobre si, constituindo-se uma espécie de “máfia”! Há casos conhecidos.

Mas, voltando ao tema, considero ser, assim, um espectáculo sempre edificante observar o sucesso, quando o há, desta primeira experiencia de vida em comunidade. Este será um primeiro passo para uma educação e sensibilização para a cidadania e para as questões sociais que a todos deviam preocupar. Que civismo esperar de pessoas que nem as relações entre irmãos conseguem gerir, deixando sobrepor-se os seus interesses individualistas e egoístas ? Não se espere que seja possível construir na sociedade um clima de paz e justiça, se não houver uma sólida estrutura familiar.
Julgo, portanto, ser da maior importância e premência alertar os Pais para que estejam conscientes da mais esta sua responsabilidade para que, bem atentos, actuem de forma esclarecida.

Felicito todos os Pais que foram capazes de gerar uma comunidade de irmãos unidos, amigos e solidários: aí, nessa comunidade, está o “Amor de Deus”, mesmo quando não conscientes desse facto.