Hoje é considerado “moderno e avançado” (e politicamente correcto !) afirmar-se que é “redutor e retrógrado” associar o casamento à procriação ! Assim o proclamou, “ex cátedra”, o Dr. Manuel Alegre na sua recente intervenção comicieira, para dar uma mãozinha ao desacreditado PS.
O facto é que é verdade que reduzir o casamento à procriação é, efectivamente, primário; na “espécie humana”, e ao contrário de todas as outras espécies vivas, vegetais ou animais, o “casamento” de dois seres (diferentes e complementares) deve ser muito mais do que a mera procriação ! A relação plena do casal deve resultar duma comunhão de afectos e sentimentos, duma identidade de culturas e mentalidades, duma coincidência de gostos e projectos, dum reforço de vontades e cumplicidades, que resulta numa fusão de almas que se traduz, naturalmente, numa sublime entrega física; a mesma, sem o resto, é animalesco e grotesco ! A esse empenhamento total, comprometido, responsável e eterno, chama-se “amor conjugal”, no sentido não pervertido da palavra, tão banalizada e desgastada !
É bom frisar que esta não é uma bandeira da Igreja católica !
Não é preciso ser católico, bastando ter uma visão humanista, para se perceber as diferenças: se procriação sem amor revela, geralmente, um relacionamento primário e pobre, não se entende um verdadeiro amor, sem abertura à procriação. Casamento intencionalmente fechado à procriação é um atentado contra a Natureza; o “prazer” é um estímulo legítimo da natureza, ao serviço da função primordial de “defesa da espécie”; reduzir a relação à busca do prazer, como fim único, é uma perversão de que decorrem, como consequência lógica, todas as aberrações a que se assiste nesta sociedade em decadência. É um absurdo !
Tal abertura não está em contradição com uma paternidade consciente e responsável; o “controlo da natalidade”, gerido de forma inteligente, consciente e generosa, é uma inevitabilidade para o equilíbrio físico, emocional, psíquico do casal e, até, para uma conveniente estabilidade económica. É, mesmo, uma necessidade para garantir condições, financeiras e de disponibilidade mental, para proporcionar uma conveniente educação aos Filhos.
Relacionamentos irresponsáveis e inconsequentes são uma das mais graves sequelas desta nossa “civilização ocidental”, responsável pelas limitações da natalidade, com todas as sequências conhecidas e de que deveríamos estar conscientes e deveriam preocupar, seriamente, os responsáveis políticos: sustentabilidade da “segurança social” (assim comprometida, justamente, pelos que dizem defendê-la !), bem como a própria sobrevivência desta civilização, afogada pela invasão descontrolada de outras onde tais questões se não discutem, sequer !
Estejamos, pois, bem atentos às demagogias oportunistas de quem parece estar mais interessado no protagonismo pessoal e na decadência da nossa sociedade, se é que não estão, efectivamente, hipotecados a interesses que se me afigura não conduzirem à felicidade efectiva das nossas gentes.
MG 21.09.2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
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