domingo, 29 de novembro de 2009

O SEXO COMANDA A VIDA (?!)

Assim se intitula um poema de Pedro Barroso, o qual me foi enviado há dias pela Net. Logo reagi com um pequeno comentário, que se me afigura oportuno desenvolver, após o debate “Prós e Contras” a que assisti no dia 16, em que mais uma vez me pareceu ser dado um tratamento confuso a questões essenciais. Efectivamente, sendo o texto acima referido poeticamente sugestivo e insinuante, revelava implicitamente, e de forma expressiva a realidade da mentalidade e cultura duma maioria da nossa sociedade moderna, influenciada por uma concepção preocupantemente redutora da “sexualidade humana”, considerando-a apenas na sua vertente de “genitalidade animal”, e o prazer que lhe está associado, como seu objectivo fundamental.
É o que chamei, já então, a “civilização da “queca””!
É um facto incontornável (como agora é fino dizer !) que, para quem tem tal mentalidade, tudo na vida, de forma directa ou indirecta, gira à volta do sexo, parecendo vir-se confirmar as teorias de Freud.
Não em vou alongar, até porque já o fiz noutras oportunidades, a realçar as diferenças essenciais entre a tal “sexualidade primária” e o que deveria ser uma “sexualidade humana” integral, bem entendida e assumida; tão pouco vou repetir o que se deve entender por Amor, no sentido correcto da palavra, e que nada tem a ver, também, com o “faire amour” que reduz, geralmente, a relação ao seu oposto, numa busca egoísta da satisfação pessoal, em consonância com uma cultura hedonista.

O objectivo desta reflexão agora, é o de salientar que tal visão de sexo é já, em si mesma, uma perversão e um “desvio” em relação à “natureza humana”, quando considerada numa percepção integral, estando na base e na origem de todos os outros “desvios comportamentais” que afloram na sociedade como manifestações de tal mentalidade e cultura, de forma cada vez mais preocupante, com a agravante de virem reivindicar estatuto e direitos iguais aos dos cidadãos que agem de “forma normal”, de acordo com a “natureza humana”. É aquilo a que se chama de “comportamentos desviantes”! É curioso o silêncio dos chamados “naturistas” face à defesa do uso dos órgãos destinados à reprodução e preservação da espécie, com objectivos que se afastam, ou mesmo, opõem a tal finalidade !
Mas, o mesmo sempre aconteceu, ao longo da história da humanidade, nos períodos de decadência de todas as civilizações ! A diferença é que as novas tecnologias da modernidade favorecem um impacto de muito maiores dimensões e de consequências mais nefastas.
É o que se constata nos noticiários de todos os dias e, agora, com particular relevo na “agenda política” do momento, no nosso País !

Efectivamente, esta concepção vigente da sexualidade, conduz a uma vivencia pobre das relações, nada criativa, monótona e, até, fastidiosa, o que está na base na instabilidade destes relacionamentos irresponsáveis, precários e inconsequentes. Tal é a consequência de se considerar o sexo como visando o prazer; o que importa é “curtir” (a perversão está em pôr o sexo ao serviço do prazer, em vez de valorizar o prazer como estímulo sexual) ! E tal objectivo, o do prazer, por si só efémero e passageiro, favorece a rotina e não satisfaz os anseios mais profundos da natureza humana. O prazer físico, só por si, não dá a verdadeira felicidade e, ao contrário do amor, esmorece com a rotina e habituação; como em tudo o mais, relacionado com o “corpo físico”, a monotonia embota a sensibilidade e o estímulo da novidade desaparece, sendo necessário encontrar novas motivações noutras “novidades”, na variedade, na diversidade, no inesperado, no bizarro !
E quando o “normal” não satisfaz, e o estímulo passa a ser o bizarro, começa a aflorar o “vale tudo”! Tal evolução poderá não ter limites, deixando de haver regras e valores: da masturbação às “relações ocasionais” e passageiras (a que se chama de “caso”), segue-se para o chamado “amor livre”, o “swing”, a banalização do divórcio, a libertinagem, a consequente defesa da pílula para contrariar a Natureza (e perverter a “razão primária” da genitalidade !), o divulgação do uso do preservativo (para compensar os falhanços da pílula) caindo-se, por fim, na violência do aborto (necessário para compensar as insuficiências do preservativo). Tudo vem em sequência e tudo resulta dessa mesma cultura: é um “silogismo em cadeia” (que aprendemos, no Liceu, a chamar de sorites) !
Quando o objectivo é “curtir”, e o estímulo o bizarro, e quando o “normal” se torna banal, vulgar e menos estimulante, o natural será que se procurem variantes mais apelativas surgindo, como corolário do referido sorites, as “taras” dos comportamentos mais desviantes e que suscitam, hipocritamente, as grandes parangonas dos escândalos noticiosos (o que convém ao negócio da “comunicação social”, e outros negócios de “empresários” de sucesso recente: alterne, tráfego de crianças, droga, etc.!), alimentados pela florescente literatura pornográfica: a pornografia infantil, a pedofilia e a homossexualidade.
Dizem os noticiários haver grande preocupação com a SIDA, mas nada se faz para ir à solução na raiz do raiz do problema: uma mudança de cultura e de comportamentos ! Tudo está ligado !

Estou consciente de que não é “politicamente correcto” atrever-me a afirmar que tais comportamentos correspondem a desvios em relação ao “normal”, ou seja, com o que está de acordo com a Natureza; tal consideração é, até mesmo, considerada um novo crime: a “homofobia” ! Mesmo assim, creio ser importante deixar frisado que há muitos casos de mulheres “machonas”, ou um homens “efeminados” que não são, forçosamente, homossexuais. Muita gente há, homens e mulheres, com algumas flutuações, no que se refere ao seu “perfil sexual”, em relação aos padrões correntes, com desvios dentro dos limites duma “franja de normalidade” aceitáveis, e que nem por isso deixam de fazer uma vida equilibrada socialmente. È indispensável salientar este facto e que só resolve “assumir”, como se diz, quem viva obcecado com o tal “gozo sexual” e faça disso uma prioridade e objectivo de vida ! Nisso está o “desvio” ! Tal concepção de sexualidade é que é “doença” !
Trata-se, de facto, duma “doença cultural”e civilizacional que não, forçosamente, uma doença mental ou fisiológica o que é, naturalmente, bastante raro.
Tudo o resto é uma consequência directa desta concepção de sexualidade! E não é esta a mentalidade de muita “boa gente” ? Não é verdade que de facto, para a maioria, “o sexo comanda a vida” ?

Considero conveniente frisar que falar claro e denunciar o erro, não é falta de caridade !
Pelo contrário ! Falta de caridade é, por medo ou comodismo, deixar correr.
Se é verdade que se deve respeito e carinho a toda a gente, tal não significa anuência com o erro, que deve ser denunciado sempre, com frontalidade.
E se maior carinho e compaixão nos merece quem é doente ou, de alguma forma deficiente, devem ser rejeitados os comportamentos aberrantes de quem se julga no direito de ser original e, acintosamente, afrontar o que é normal e saudável, quer do ponto de vista pessoal, quer social e moral. Denunciar isto não é descriminação, nem atentado a qualquer direito legítimo.
Só razões de estratégia política, para servir fins estranhos que nada terão a ver com a defesa da cultura e civilização, podem explicar o desaforo de vir esta nova minoria reivindicar o reconhecimento de um estatuto e de direitos iguais aos de todos os cidadãos que se regem por normas de conduta em conformidade com a mais elementar “moral natural” (não só duma “cultura conservadora” de inspiração Cristã, ou Católica, como é insinuado pelos anti-clericalistas)! Será que estas questões se põem também no mundo Islâmico ?!
Se o “direito à asneira” passa a ser defensável, porque não contemplar os direitos dos contrabandistas, dos traficantes, dos corruptos, etc. Será que estes também tem “direito à diferença”?
Basta de demagogia !
Porque será que os mesmos que lutaram pelo referendo do aborto, vem agora calorosamente contestar o referendo sobre a “igualdade” de estatuto das uniões homossexuais, como se viu no referido “Prós e Contras” ?
Porque será que os mesmos, também, que lutaram contra a “instituição retrógrada” do casamento heterossexual, defendendo a igualdade de direitos das “uniões livres”(!), vem agora defender o “casamento homossexual”? Há em tudo isto algo de profundamente errado e contraditório, que não dá para entender e que deve ser denunciado !
Creio que ressalta evidente a sua “pureza de intenções”!

Então, para que não seja o sexo (mal entendido) a comandar a vida de muita gente e, em especial, de muitos jovens, torna-se fundamental e urgente uma correcta “educação sexual”, que não será o que se pretende difundir nas escolas (ensinando-se o que toda a gente sabe já, e o que nunca deveria saber, por favorecer perversidades desviantes !), deixando bem claro o que está errado e conduz ao caos que se vai vendo.
Urge tudo fazer para se corrigir e superar esta “cultura da queca”, para se implantar uma nova cultura, duma verdadeira “civilização do Amor”!

MG 22.11.2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

CAIM, E … ABEL !!

CAIM, E … ABEL !!

Esta reflexão não resulta directamente da polémica gerada pelo último livro de Saramago, embora a mesma venha dar alguma acuidade mais ao assunto.
De todo o conjunto de histórias que a Bíblia contém, com toda a carga simbólica das suas mensagens (e que Saramago não consegue entender !), ressalta esta chamada de atenção para o possível conflito entre irmãos, simbolicamente personalizados nas figuras de Abel e Caim (se fossem figuras reais, históricas, a descendência teria ficado por aí !), filhos de um Adão e Eva, que simbolizam, por sua vez, uma primeira geração desta frágil “humanidade” itinerante, mas já com os “dons” únicos que os faz ser “à semelhança de Deus” !
Este episódio retrata, pois, e alerta para uma questão essencial da sociedade humana: a qualidade das relações entre irmãos. È essa a função de toda a mensagem Bíblica: alertar para as nossas fragilidades. É mais uma “história deplorável”, no dizer de Saramago ! Mas, a nossa humanidade,… é mesmo assim !

Ocorreu-me esta análise ao deparar com a casualidade de ter recorrido à colaboração de uma empresa “prestadora de serviços”, cujos sócios são dois irmãos que, além de sócios, também trabalham em conjunto. Fiquei um pouco surpreendido ! Raramente, no decorrer duma vida já algo longa, se me tinha deparado caso idêntico ! Interpelei-os, procurando analisar os seus antecedentes familiares, tendo-me parecido poder concluir que tal resultara do mérito do ambiente familiar criado pelos seus Pais.

De facto, a primeira situação de “relação social” com que a maioria de nós é confrontada (à semelhança, aliás, com o que acontece com as restantes espécies animais !) é a de se ser envolvido numa primeira situação de eventual “conflito de interesses”, numa competição pelos afectos, se não pela sobrevivência. Perante tal realidade há, como em tudo, dois caminhos que resultam de duas opções possíveis: a da harmonia, da amizade e solidariedade, que se pode manifestar numa atitude de conivência e cumplicidade, ou a de desarmonia e egoísmo, podendo levar à disputa, à confrontação, à prepotência, do “salve-se quem puder”! Como em tudo, é sempre uma questão de atitude e cultura, ou seja de valores e princípios.
Afigura-se-me claro que, face à tentação espontânea e primária da defesa egoísta dos interesses pessoais, personalizada em Caim, e que conduz às lutas fratricidas (profeticamente espelhadas neste episódio Bíblico e de que a história da humanidade está recheada, o que sempre me chocou profundamente), só uma actuação atenta e esclarecida dos Pais pode fazer valer “valores mais altos” e inverter tal impulso. Admito que os “primeiros Pais” não estivessem muito sensibilizados para o seu papel ! E, creio mesmo que, ainda hoje, pouca gente o estará . Todos conhecemos, infelizmente, casos de irmãos separados e hostilizados por tricas mesquinhas, de vária ordem, bem como de irmãos que são “unha com carne”.
Creio que valerá a pena analisar a sua história familiar e perceber a importância do ambiente que lhes foi proporcionado e o papel decisivo duma actuação inteligente dos Pais, numa estratégia de educação que tenha incutido valores que induzam às opções mais desejáveis. Julgo ser da maior importância que todos os Pais tenham consciência da importância determinante da sua actuação e do seu exemplo, agindo de forma coerente e consequente. O bom ambiente familiar, não sendo determinante, é essencial.
Como todos os “amores”, também o fraternal é, no entanto, susceptível de perversidades, podendo pecar por excesso ou exagero, havendo casos em que o egoísmo individual migra para um “egoísmo de grupo”, gerando-se uma comunidade fechada sobre si, constituindo-se uma espécie de “máfia”! Há casos conhecidos.

Mas, voltando ao tema, considero ser, assim, um espectáculo sempre edificante observar o sucesso, quando o há, desta primeira experiencia de vida em comunidade. Este será um primeiro passo para uma educação e sensibilização para a cidadania e para as questões sociais que a todos deviam preocupar. Que civismo esperar de pessoas que nem as relações entre irmãos conseguem gerir, deixando sobrepor-se os seus interesses individualistas e egoístas ? Não se espere que seja possível construir na sociedade um clima de paz e justiça, se não houver uma sólida estrutura familiar.
Julgo, portanto, ser da maior importância e premência alertar os Pais para que estejam conscientes da mais esta sua responsabilidade para que, bem atentos, actuem de forma esclarecida.

Felicito todos os Pais que foram capazes de gerar uma comunidade de irmãos unidos, amigos e solidários: aí, nessa comunidade, está o “Amor de Deus”, mesmo quando não conscientes desse facto.

domingo, 25 de outubro de 2009

Mudança da hora ! Para quê ?

Mudança da hora ! Para quê ?

Sempre me incomodou esta mudança horária duas vezes por ano !
Afigura-se-me provocar uma alteração brusca, uma descontinuidade no nosso ritmo biológico, em contraposição ao funcionamento normal da Natureza. Certamente que antes desta “invenção” toda a gente vivia, nos seus respectivos lugares, ao ritmo da hora solar; é velho o aforismo relacionando os hábitos saudáveis de vida com o “levantar e deitar com as galinhas”, sendo certo que estas não mudam o seu horário por uma qualquer determinação legal !
Parece que está provado que o incómodo decorrente de tal descontinuidade não é saudável favorecendo, mesmo, quadros depressivos e afectando o rendimento do trabalho durante algum tempo; tal poderia ser aceite como “mal menor”, se e quando “valores mais altos se alevantam” ! Terá sido esse o caso, quando tal prática foi implementada internacionalmente, mas creio que nos tempos actuais tal carece de justificação, mantendo-se apenas por simples inércia e pela tradicional “reacção à mudança”.

Ao que consta, tal prática foi adoptada a partir de 1884, no advento da industrialização e das telecomunicações, por razões de facilitação de contactos comerciais internacionais, para harmonizar os horários dos Países que mantinham entre si uma relação mais frequente, particularmente dentro da Europa mais próxima; nos tempos actuais da globalização (em que os grandes negócios se fazem com os Países mais variados e longínquos) e das novas tecnologias de comunicação proporcionadas pela informática (em que se está, permanentemente, “on line” com todo o Mundo, seja qual for a hora e o sítio) tal harmonização tornou-se impossível e inútil.
Quando o sistema foi lançado, foi tomado como referencia o “meridiano de Greenwich”, certamente pela importância da Inglaterra no concerto das Nações, à época; mas isso é irrelevante e pacífico: a “referência mundial” tem que estar em qualquer sítio, e não vejo justificação para mudar; seria uma descortesia injustificada para os pioneiros !

Considero que, nos tempos actuais, há duas questões independentes que poderiam ser reponderadas:
- a definição das “fronteiras horárias” (com base nos “fusos”), a partir de um
“meridiano de referência” (que poderia ser o actual, ou não !);
- a manutenção da mudança de hora Verão/Inverno.

Quanto à primeira, e tendo em conta que parece carecer de justificação, na actualidade, uma preocupação de harmonização (e considerando que os fusos não podem deixar de ser 24 !), parece não fazer sentido que em cada lugar a “hora oficial” se afaste muito da “hora solar”. Sendo que um fuso corresponde a 1.666,(6) Km (no Equador, e por definição de “metro-padrão”; na nossa latitude a cerca de 1.000 Km), e para se ter uma ideia, um País como a Espanha abrange um fuso; se Madrid adoptasse a “hora solar”, em Barcelona a vida começaria ½ hora mais tarde do que a “sua hora solar”, e a Corunha ½ hora mais cedo. Não seria grave ! Seria inevitável que os “hábitos horários” (horas de levantar e deitar, e de refeições) fossem ligeiramente diferentes nas duas costas. O mesmo se passará noutros Países com dimensão (em longitude) que abranja mais do que um fuso.
Não creio que houvesse algum inconveniente em que cada País (ou “regiões” correspondentes a um fuso) adoptasse o seu “meridiano de referência”, para proporcionar uma harmonização interna; as tecnologias actuais propiciam a adopção de soluções expeditas para o viajante: a questão já se põe com o sistema actual ! A definição de tal meridiano poderá ajustar-se de forma a atender às “fronteiras nacionais” (ou regionais): margens de cem ou duzentos Km, para um lado ou outro, não introduziriam, aparentemente, perturbação relevante.

Relevante parece ser a perturbação provocada pela questão da mudança de horário !
Considerando, no caso Português, que:

- se constata que no “horário de Verão” a “hora oficial” está adiantada cerca de duas horas em
relação à “hora solar” (o Sol atinge o ponto mais alto da sua “trajectória aparente”, indicando o
Sul e a que deveria corresponder às 12 horas, cerca das 14 horas oficiais !);

- de que decorre que nos dias mais longos há luminosidade até cerca das 22 horas (o que não é
normal, nem saudável !);

- se verifica que (à longitude do Porto) NascºSol Pôr Sol Duração
no “solstício de Verão” – hora oficial….…………. 6.01 … 21.09 … 15.08 h
hora solar …(difª 2 h).… 4.01 … 19.09

no “solstício de Inverno” – hora oficial……………. 7.57 … 17.09 …. 9.12 h
hora solar …(dif.ª 1 h)… 6.57 … 16.09

tal permite concluir que a adopção da “hora solar” (real e de harmonia com a Natureza !) ao longo do ano, sem alterações, proporcionando a integração de horários normais de trabalho (entre as 8 h e as 19 h) no Verão e propicia condições mais favoráveis (mesmo para a deslocação de crianças para a escola: uma hora mais tarde, com melhores condições de luminosidade !) no Inverno.
O argumento de que o actual “horário de Verão” favorece o turismo não colhe: tudo é uma questão de hábito e os turistas fazem exactamente os mesmos “programas”, a horas diferentes; o dia, é o mesmo ! Em vez de passear às 22 h (oficiais) fazem-no, exactamente nas mesma condições, às 20 h (reais)!
Qual a vantagem de cá se começar a vida (a maioria) às 9 h (oficiais) se, na realidade, são 7 h (hora solar) ? É apenas uma questão de convenção e sugestão ! No Brasil, onde anoitece pelas 18 h (e não são mais infelizes por isso !), tudo anda na praia a fazer exercício às 6 h ! Não será que eles é que estão certos ?
Porque havemos de acertar a nossa hora pela Inglaterra ? Não seria mais lógico estar sincronizados com Espanha ? Acharia natural, se lá se adoptasse a hora solar; ficaríamos em condições iguais às da Galiza. Mas, não me parece haver algum impedimento a que definíssemos o nosso próprio meridiano; ficaríamos na situação ideal e, talvez a Galiza alinhasse por nós !

Há quem argumente, ainda, que a mudança de hora favorece a poupança de energia. Parece-me evidente que para se atingir tal objectivo o conveniente será acompanhar o ritmo da Natureza e adaptar os hábitos em conformidade ! A análise do balanço energético resultará de avaliar a incidência do consumo da “população activa”, ao longo do dia, afigurando-se-me, pelos dados expostos que a adopção do “horário solar” será o mais adequado.
Afinal, com a mudança de hoje, anoitecendo ainda mais cedo, parece que só se vai agravar mais a factura energética !

Parecendo poder concluir que, nos tempos actuais, as mudanças de horário, sendo contraproducentes e inconvenientes, são já injustificadas, consideraria interessante que “quem de direito” (o Observatório Astronómico Nacional, e entidades equivalentes a nível internacional) se dispusesse a vencer a rotina, equacionando a conveniência de redefinir as “fronteiras horárias” de cada País e, consequentemente, a adopção para cada um do respectivo “horário solar” e constante ao longo do ano, a favor do bem-estar físico e mental das suas gentes e, afinal, do aumento da sua produtividade.
Preparemo-nos para gozar, desta vez e nesta noite de chuva, uma horinha de brinde !

MG 24.10.2009

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Direita “à Portuguesa”!!

À força de tanto ouvir repetir (jornalistas, comentadores e, até, o Sr. Presidente da República !), vou ter que aprender e interiorizar que, em Portugal, a “direita” é constituída pelo PP e PSD !
Durante as campanhas dos três recentes actos eleitorais e nos comentários subsequentes, foi o que se ouviu de gente de todos os quadrantes, nas suas análises comparativas, focando as subidas e descidas da dita “direita”, em relação à “esquerda”; e ficavam todos muito contentes com a superficialidade das suas conclusões !
Como querem que o País se entenda e tome rumo certo, quando os mais responsáveis pela opinião pública convivem com a confusão, ou mesmo, a fomentam ? Já em tempos manifestei a minha irritação quando se dizia que havia uma “crise da oposição” às políticas dum governo que se intitula “socialista”, e que não tem outro remédio do que ir tomando as medidas efectivas que a “oposição” gostaria de adoptar se, quando poder, não fosse impedida pelos “parceiros de (des)concertação”, e por uma “opinião pública” acicatada por uma “comunicação social” interessada na confusão?
Como se pretende que um partido como o PSD constitua ou apresente uma “alternativa credível”, quando ninguém, dentro e fora sabe o que defende, realmente ?
Não será esta a causa real do tão recentemente proclamado “défice democrático”?

Na minha opinião, o que está a provocar tal “asfixia” é a impossibilidade e o contra-senso de um partido de nome e génese “social democrata” poder ser considerado e assumir um estatuto de partido de direita ! Desde quando a “social democracia”, que esteve na génese do chamado “socialismo democrático” e se integra na “família socialista” da Europa, se pode intitular e ser considerado de direita ? Só numa “democracia de um país das bananas”!
O que se constata, efectivamente, é que o PSD abriga uma maioria “não socialista”, com variadas tendências, algumas com princípios mais próximos das suas raízes ideológicas, outras mais liberais ainda que os “democratas cristãos” genuínos ! Quando convém, aparece a defender as chamadas “políticas de direita”, mas nas horas de espectáculo veste as suas roupagens (as genuínas !) de esquerda ! Quem os entende ? Como se podem entender entre si ? Resulta daí o tal “saco de gatos” de que se vai dando conta !
A Dr.ª Manuela Ferreira Leite não diz nada ! Nem pode: ou mente, ou diz o que não é “politicamente correcto” dizer ! O Sr. Presidente, claro, também não diz ! A “malta” apatetada e encavacada, finge não perceber, e entretém-se,…ironizando !
Coisa semelhante se passa com o partido dito “socialista”, integrando uma maioria que é tão socialista como a minha Avó, que era fina e não ia em cantigas (!), que defende medidas pragmáticas de direita, mas que, também na “hora de verdade” puxa dos seus pergaminhos marxistas, liderado pelo burguês Manuel Alegre ! Ora dão no cravo, ora na ferradura ! Outra salsada !
São estes os dois “grandes partidos” em que se alicerça e constrói a “alternância democrática” neste pobre (em espírito) País !

Já noutra oportunidade referi que considerava que tais incoerências e contradições dos dois maiores partidos portugueses, resultado da “esclarecida pressão” do PREC, estarão na génese da crise política em que vivemos há muitos anos, neste desorientado País. Estes partidos, quando no poder, tentam fazer o que sabem ser imperioso, tendo antes anunciado políticas que sabiam não haver condições para implementar e acabando, por fazer alarde, quando na oposição do que achavam que deveria ser feito, mas não tiveram capacidade para fazer !

Neste triste contexto, nada me surpreendeu e constituiu motivo de esperança constatar que algum eleitorado tradicional do PSD começou, finalmente a compreender e migrou para o PP; nada me surpreendeu e muito me preocupou que, identicamente, parte do eleitorado do PS tenha migrado par o BE ! Só me continua a surpreender que os comentadores, tão entendidos, queiram continuar a fingir que não entendem e a dar roda de burro ao Povo inocente, que se deixa influenciar por eles !

Vislumbrou-se uma oportunidade para corrigir o nosso “pecado original”, quando se formou a AD, que aglutinava a “maioria” declaradamente não socialista; sempre afirmei considerar que o “pseudo-acidente” de Camarate foi, na minha opinião, o facto político mais relevante e determinante do rumo do País, depois do “25 de Abril” . Foi uma oportunidade perdida e que ninguém, até agora, conseguiu retomar. Os recentes resultados eleitorais apontam ou sugerem que o seu ressurgimento poderia ser um caminho a considerar, seriamente. Porém, tal só será possível quando os políticos deixaram de pensar no “poleiro” e privilegiarem os interesses da País. O Dr. Medina Carreira afirmou, antes das eleições, que o caminho seria o de se formar um governo de iniciativa presidencial, que integrasse gente competente, séria e dedicada, independente de filiações ou interesses partidários mesquinhos; porém, tal é inconstitucional !
O que é constitucional é esta “espécie de democracia” de “faz de conta”, com que nos vamos afundando, alegremente !
Entretanto, para distrair e entreter papalvos virão, para “salvar a pátria” as propostas do BE para facilitar e promover a dissolução dos costumes e fragilizar mais o tecido social; o pior será que o PS, para agradar a certo eleitorado e mostrar que é moderno e civilizado, vai vestir as roupagens de esquerda e fingir que está de acordo e acalmar os arruaceiros ! Se tal se confirmar, as consequências sociais poderão ser mais funestas que as decorrentes das “amplas liberdades” do “25 de Abril” !

O preocupante é que, para opor a estes desmandos políticos temos,…nada !
Naquilo a que se chama a “direita conservadora” temos o PP, que não tem “peso” suficiente, e o PSD, destroçado por “tendências e divergências”, que não sabe o que é nem o que quer, e que se ocupa a fazer oposição a si próprio, como se viu !
Sinto-me, verdadeiramente, e cada vez mais “asfixiado” com tanto “défice democrático”!
Seria bom que começamos todos a “ponderar”, efectivamente e a sério nos “males de raiz” desta pobre “espécie de democracia”!


MG 22.10.2009

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A “confusão da procriação”!

Hoje é considerado “moderno e avançado” (e politicamente correcto !) afirmar-se que é “redutor e retrógrado” associar o casamento à procriação ! Assim o proclamou, “ex cátedra”, o Dr. Manuel Alegre na sua recente intervenção comicieira, para dar uma mãozinha ao desacreditado PS.
O facto é que é verdade que reduzir o casamento à procriação é, efectivamente, primário; na “espécie humana”, e ao contrário de todas as outras espécies vivas, vegetais ou animais, o “casamento” de dois seres (diferentes e complementares) deve ser muito mais do que a mera procriação ! A relação plena do casal deve resultar duma comunhão de afectos e sentimentos, duma identidade de culturas e mentalidades, duma coincidência de gostos e projectos, dum reforço de vontades e cumplicidades, que resulta numa fusão de almas que se traduz, naturalmente, numa sublime entrega física; a mesma, sem o resto, é animalesco e grotesco ! A esse empenhamento total, comprometido, responsável e eterno, chama-se “amor conjugal”, no sentido não pervertido da palavra, tão banalizada e desgastada !

É bom frisar que esta não é uma bandeira da Igreja católica !
Não é preciso ser católico, bastando ter uma visão humanista, para se perceber as diferenças: se procriação sem amor revela, geralmente, um relacionamento primário e pobre, não se entende um verdadeiro amor, sem abertura à procriação. Casamento intencionalmente fechado à procriação é um atentado contra a Natureza; o “prazer” é um estímulo legítimo da natureza, ao serviço da função primordial de “defesa da espécie”; reduzir a relação à busca do prazer, como fim único, é uma perversão de que decorrem, como consequência lógica, todas as aberrações a que se assiste nesta sociedade em decadência. É um absurdo !

Tal abertura não está em contradição com uma paternidade consciente e responsável; o “controlo da natalidade”, gerido de forma inteligente, consciente e generosa, é uma inevitabilidade para o equilíbrio físico, emocional, psíquico do casal e, até, para uma conveniente estabilidade económica. É, mesmo, uma necessidade para garantir condições, financeiras e de disponibilidade mental, para proporcionar uma conveniente educação aos Filhos.
Relacionamentos irresponsáveis e inconsequentes são uma das mais graves sequelas desta nossa “civilização ocidental”, responsável pelas limitações da natalidade, com todas as sequências conhecidas e de que deveríamos estar conscientes e deveriam preocupar, seriamente, os responsáveis políticos: sustentabilidade da “segurança social” (assim comprometida, justamente, pelos que dizem defendê-la !), bem como a própria sobrevivência desta civilização, afogada pela invasão descontrolada de outras onde tais questões se não discutem, sequer !

Estejamos, pois, bem atentos às demagogias oportunistas de quem parece estar mais interessado no protagonismo pessoal e na decadência da nossa sociedade, se é que não estão, efectivamente, hipotecados a interesses que se me afigura não conduzirem à felicidade efectiva das nossas gentes.

MG 21.09.2009

terça-feira, 21 de julho de 2009

MILAGRES DA TECNOLOGIA !

Foi celebrado ontem o 40º aniversário dum grande evento que, inegavelmente representou um marco histórico: o Homem pisou o solo lunar pela 1 ª vez !
Os noticiários enalteciam, deslumbrados, as maravilhas da ciência e da técnica, sugerindo que o homem estará cada vez mais capaz de se aproximar da origem e do fim das coisas deste Mundo ! Lembrou-me idênticos devaneios a propósito do CERN, que iria, finalmente, explicar a formação do Universo ! Delírios !

O nefasto acidente do A330 veio evidenciar que uma atitude de um pouco de humildade, seria bem mais sensata.
A obra humana é sempre imperfeita e incompleta, e mesmo aos mais altos níveis da tecnologia se cometem erros impensáveis e inexplicáveis, quase infantis ! Este acidente vem revelar vários, de que distingo cinco:

1- O “tubo de Pitot” é o instrumento rudimentar com que se avaliam, tanto quanto possível, velocidades relativas de aeronaves (em relação ao ar), o usado desde os primórdios da aviação, dos tempos dos aviões a hélice, que não ultrapassavam os 2.000 m de altitude, em que a densidade do ar não é substancialmente diferente da do nível do mar. É, assim, o utilizado nas pequenas aeronaves ligeiras, que os amadores desportistas usam.
Havendo na actualidade tecnologias muito mais rigorosas e fiáveis, não me passava pela cabeça que equipamentos que transportam centenas de vidas, voando a altitudes da ordem dos 9.000 m, a velocidades enormes e em condições meteorológicas e de temperatura exterior (50º negativos !) tão gravosas, ainda usassem tais instrumentos ! Foi do que me apercebi nas primeiras noticias, facto confirmado por um amigo, ex-piloto da Força Aérea e ainda ao serviço da aviação comercial. Fiquei abismado !
Efectivamente, continua a ser o “sistema principal” que, embora dê uma informação incorrecta (a grandes altitudes a velocidade real é muito maior !), mas que vai satisfazendo os objectivos do piloto, de dar a percepção da “sustentabilidade” da aeronave sendo certo, ainda, que a tecnologia usada nos grandes aviões comerciais é muito mais evoluída que a usada nos aviões ligeiros. Porém, o princípio é o mesmo !
Se não houvesse alternativa (tomara o Vasco da Gama ter podido dispor de “tubos Venturi”, espécie de equivalente hidráulico dos “tubos de Pitot” !), poderia ser um risco assumido, o que seria já de si discutível; mas agora, que se avalia com precisão, graças à tecnologia GPS, a velocidade duma viatura na estrada, ou de qualquer uma embarcação no oceano, afigura-se-me impensável induzir os pilotos em erros grosseiros e, com isso, arriscar centenas de vidas, avaliando a velocidade do avião com tais instrumentos, já de si de precisão duvidosa e que, até podem congelar ou entupir com gelo ! O meu amigo considera altamente improvável que tenha sido essa a causa do acidente; o facto é que foi admitida logo nas primeiras notícias.
A questão não seria, portanto, se os ditos tubos deveriam, ou não, ter sido substituídos por outros, de outro fabricante, como noticio a Comunicação Social; a questão será se deviam ainda ser usados (a não ser como meio auxiliar, de reserva) e substituídos por tecnologia mais fiável, afinal já existente !

2- Ficamos também a saber que nas “comunicações”, com a tecnologia utilizada, há “zonas de sombra”, ou seja, há largos espaços em que o piloto vem a “falar sozinho”, incomunicável, num tempo e num espaço em que se pode deparar com quaisquer imprevistos de toda a ordem ! Nessas zonas apenas se mantêm as comunicações HF (incómodas e com ruídos), que permitem as aeronaves comunicar entre si.
Seria, também, um risco assumido, se não houvesse alternativa ! Mas, quando qualquer cidadão se diverte a comunicar para qualquer parte do Mundo, mesmo para os antípodas, com o mais pequeno “computador portátil”, via Internet, com som e imagem (ex: Skype), como de admite que comunicações de tão grande responsabilidade não usem tais tecnologias ? Sendo as comunicações e via satélite ainda falíveis, como todos sabemos, poderiam manter os meios tradicionais como “sistema de reserva”!
Não dá para acreditar, mas,…é assim !

3- Mais ainda: tanto quanto percebi, há rotas próximas de certos Continentes, em que nas “torres de controlo” os “controladores aéreos” fecham o estaminé a partir do “horário normal de laboração” ou não estão habilitados a fornecer a informação conveniente (e previsível) para uma navegação mais segura, apenas preocupados com a contabilização dos voos para cobrar as taxas ! Parece ser o que os preocupa ! A ser verdade, o que até me custa a crer, tal ocorrerá precisamente no período de tráfego mais intenso, a que recorrem as Transportadoras, justamente por razões de economia !
A confirmar-se tal facto, creio que se impõe, por razões obvias, a criação de condições para reverter tal situação. Não se afigura muito difícil; haja “vontade política” !

4- Também fiquei estupefacto, ao ouvir as primeiras notícias, com a informação de que o acidente terá ocorrido numa zona de “ocorrência normal” de condições meteorológicas muito gravosas, justamente onde se formam as grandes tempestades tropicais ! Porque razão se não deviam as rotas duma zona com forte probabilidade de tempestades extremas ? Será, também, por razões de poupança ?
Diria a minha Avó: “vai-te lucro, que me dás perda “!!
O meu amigo diz, no entanto, que o equipamento de radar disponível detecta, de forma eficiente, todas as ocorrências a tempo de serem tomadas as providencias necessárias, desviando o rumo para o lado mais conveniente e que tais borrascas se não formam de forma súbita e imprevisível; assim sendo, a procedimento normal é ir “a direito”, pelo caminho mais curto,
Parece-me, portanto uma história mal contada, empolada pelo sensacionalismo da Comunicação Social !

5- Outra questão que em deixa perplexo é a das “caixas negras”, de cuja descoberta depende, geralmente, a possibilidade de se reconstituir as causas do acidente e a história do que se tenha passado. Como é possível que tão preciosa informação fique armazenada num qualquer “disco”, dentro duma qualquer caixota (que, ainda por cima, nem é negra !), com uma resistência limitada, com uma capacidade de emitir curta, e que pode ficar refugiada num sítio inacessível ? Tal informação, que será imensa se acumulada, não poderia estar a ser emitida “on line” para um computador potente instalado na sede da Transportadora, ou do Fabricante, ou numa qualquer Entidade de Controlo, oficial e idónea ? Com as tecnologias actuais, nem parece ser incomportável em termos de custo e, globalmente, bem mais barato que mandar uma “missão” a Marte !
Tal permitiria que tal informação estivesse imediatamente disponível, em qualquer emergência, sem tanto espalhafato, as mais das vezes, inútil e inconsequente. Nesta matéria parece que apenas se levantaria a questão da confidencialidade das comunicações e do seu eventual uso indevido !

Enfim ! Não pretendo depreciar ou minimizar as maravilhas da técnica e dos progressos ocorridos, especialmente de há 40 anos para cá. Eu próprio me entusiasmo com as novas tecnologias, das quais me vou procurando manter ao corrente, dentro do desejável.
Desejo, por um lado, alertar para estas incongruências inaceitáveis e sem ter a pretensão de esgotar o tema, mas acima de tudo, apelar para o bom-senso de quem se deslumbra com estes “milagres”, ignorando que o grande milagre é o da harmonia e beleza da “criação”, e em particular, o da “vida” e, ainda, o de ter sido o “homem” concebido com a capacidade de participar na criação, criando, embora com muitas limitações e erros. É o única ser da criação com tal capacidade.
Ter a humildade de perceber que o homem é limitado, e que a sua obra material é finita e efémera e, por isso, sempre susceptível de ser superada e aperfeiçoada, ajuda a aceitar o erro, sem crítica destrutiva e a disponibilizar-se para colaborar no passo seguinte, sempre na mira do “absoluto”.


MG 21.Julho.2009

terça-feira, 5 de maio de 2009

Europa em Risco !

Recebi recentemente um mail com um artigo que me deixou inquieto e impressionado: são nele explicitadas previsões do que poderá ser o resultado da evolução cultural da sociedade ocidental, em particular da Europa, se nada se fizer já, de imediato, para prevenir.
Nele se aponta ao que as políticas actuais, reflexo da tal “cultura”, poderá conduzir:
- a França, dentro de cerca de 40 anos, será uma “república islâmica”,
- o mesmo acontecendo em vários outros Países da Europa, com destaque para a
Holanda, onde a previsão é para 15 anos !;
- na Rússia, em 2005, havia 1 Islamista em cada 3 habitantes, e
- nos USA, havendo 100 mil em 1970, havia 9 milhões em 2008, sendo a previsão de 50
milhões para daqui a 10 anos !
O mundo está a mudar !
Tal panorama resulta, como é evidente pela sua análise, da conjugação do efeito da invasão do Ocidente por efeito duma imigração descontrolada, com o resultante da diferença de concepção de vida das duas civilizações. As políticas de fomentadas pelos sectores ditos “progressistas”, de tendência laica e socialista (dominante no chamado “mundo ocidental”), têm conduzido, nas duas vertentes, a dois erros fundamentais de estratégia, ambos conducentes à situação revelada, parecendo corresponder a uma estratégia cinicamente concertada.

Por um lado, com o pretexto da luta contra o racismo e xenofobia, gerou-se uma situação de total descontrolo dos fluxos de imigração, fenómeno que há muito me preocupa. Nunca fui racista ! Desde os tempos de estudante que me relacionei, com toda a naturalidade e espontaneidade, e tive, mesmo, amizades com colegas de variadas origens étnicas; cheguei a ter um namorico com uma mulatinha ! Somos dum País de emigrantes, sem que os mesmos tenham alguma vez constituído problema nas comunidades em que se integraram, com a maior naturalidade; mas sou, no entanto, do tempo em que as nossa gentes só iam (para os Brasis, ou para as Áfricas) com “carta de chamada”; ou seja, ninguém ia sem ter alguém, no destino, que lhes garantia condições de vida e trabalho dignas. Não faz sentido receber alguém, se não se pode oferecer o que será desejável para o seu bem-estar. Os desmandos da emigração clandestina acabam por ser maus para quem vem e maus para quem já cá está; tem que ser travados ! Isto não é racismo, mas simples bom-senso ! Ignorar isto e mistificar esta realidade, ou é simples demagogia, ou defesa de interesses inconfessados.

Por outro lado, o segundo erro grave resulta da propagandeada concepção (dita) moderna do papel e importância da mulher: com o pretexto “feminista” da pseudo-defesa das “igualdades de direitos” e da chamada “emancipação”, tem sido intencionalmente secundarizada a sua real importância: o seu papel, essencial e insubstituível, no lar e como mãe; hoje valoriza-se o seu sucesso profissional e ignora-se aquilo em que é indispensável. Tal reflecte-se directamente na fertilidade familiar, com as consequências que todos sabem já. O resultado é tão evidente que os Países mais adiantados estão já arrepiando caminho; está bem à vista: a precariedade das relações conjugais; a instabilidade da instituição familiar; a consequente redução da natalidade; a instabilidade emocional e psíquica de muitos jovens. Nunca, como agora, as mulheres foram tão pouco respeitadas e dignificadas; nunca, com agora, houve tanta gente (especialmente, mulheres) tão pouco realizada e infeliz ! Nesta “cultura”, o conceito de mulher como “fada do lar”, é considerado “retrógrado” e quase ridicularizado !
A mais recente campanha é a do estímulo de integração de mais mulheres na política, como sinal de maturidade democrática ! Não chega o mal que lhes têm feito, já !
É evidente que ninguém nega a importância da defesa da dignidade da mulher e dos seus legítimos direitos; tão pouco, a de habilitá-las com o máximo de capacidades intelectuais e culturais. Muito menos de lhes vedar o acesso, em igualdade de oportunidades, a funções para que se sintam habilitadas, sejam estas profissionais, sociais ou políticas.
O importante será que não seja considerado como secundário e menor o que resulta do seu “dom” específico e a torna inigualável: ser Mãe ! E a questão é que se tem que tomar consciência de que é, quase sempre, difícil ou impossível compatibilizar bem o trabalho e o seu papel na família, sendo desejável que as mulheres façam uma opção consciente e clara sobre o papel que querem assumir.
Não se trata, portanto, de minimizar a sua importância, mas, antes pelo contrário, enaltecer aquilo em que é insubstituível; tentar perverter esta realidade só pode ser estupidez ou, mais uma vez, agir intencionalmente na defesa de interesses, que não os da mulher e da sociedade.

O facto dramático é que da conjugação destes dois erros culturais e políticos, que se conjugam e potenciam reciprocamente, resulta o cenário apresentado: a civilização ocidental, de raiz cultural cristã, poderá estar em risco de soçobrar, se nada se fizer. Isto é tão evidente que custa a aceitar que tal estratégia tenha sido inocente e não tenha resultado de uma “maquiavélica conspiração”.
Aliás, é o próprio Cadafi que o revela e profetiza, quando afirma não ser necessário sacrificar pessoas em acções terroristas e atentados de auto-imolados bombistas, para que, a curto prazo, o “mundo ocidental” seja “islamizado”! Esta é a “revolução silenciosa” que tem sido construída, sub-repticiamente, pelas forças políticas que tem governado esta civilização distraída e anestesiada, longe dos princípios e valores que fundamentaram as suas raízes.
Para distrair, como se tal viesse resolver algum problema real, inventam-se e põem-se na agenda da “comunicação social”, novas atitudes e comportamentos desviantes, que nada virão contribuir para dignificar a sociedade: o facilitismo de relações conjugais efémeras, o abuso duma sexualidade desumanizada, a perversão do sentido do amor, a deturpação do papel e significado da comunidade familiar, a banalização do aborto, a aceitação da homossexualidade; porém, nas civilizações de influência islâmica, tal discussão nem é tolerada, sequer e não será, certamente, o “casamento” dos homossexuais que vai resolver o problema demográfico !

Será esta conquista do ocidente pelo mundo Árabe preocupante ? Será tal importante, ou é-nos indiferente ?! O que será conveniente para o futuro dos nossos filhos e netos: recuperar a cultura (princípios e valores) de raiz cristã, ou adoptar os do Islão ?
Por mim, prefiro, continuo a preferir a cultura e ética cristãs; cada qual que escolha !
Mas esta é a questão que será urgente ponderar.
Estou consciente que levantar estas questões, não é considerado politicamente correcto; corro risco por um imperativo de consciência; tranquilizado pelas garantias que o próprio Cristo nos deixou, estou certo que será, no entanto, necessário fazer inflectir a nossa política 180º !
Afigura-se-me que não será cedo demais !
É este o apelo que se me oferece fazer neste dia, e em homenagem a todas as Mães.

MG 03.05.2009

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O "mito do Ché"- erros e contradições

Tendo visitado, há cerca de um ano, Buenos Aires e Montevideo fiquei surpreendido com a profusa proliferação de recordações, desde cartazes a T-shirts, com a emblemática e sobejamente conhecida fotografia do “Ché Guevara”, evidenciando que a sua memória estava, ou era mantida, ainda bem viva ! Fiquei impressionado, tanto mais quanto tal culto estava em aparente contradição, não só com o ar moderno, bem europeu, destas duas cidades, mas com o “estilo de vida” bem consumista duma parte apreciável das suas gentes com quem nos cruzávamos nas animadas zonas de intenso comércio ou desfrutando das suas atractivas esplanadas, sempre repletas e cheias de animação !
Julgava eu que este herói dos anos 60, de nome Ernesto, nascido na Argentina em 1928 (contemporâneo, apenas cerca de onze anos mais velho que eu) e símbolo da “guerrilha armada” (que protagonizou em Cuba entre 1954 até levar ao poder Fidel Castro em 1959, em África e, a partir de 1965, na Bolívia onde acabaria por morrer em 1967), ícone de jovens revolucionários desta época de generosa e inocente ingenuidade política (e com a adrenalina de “ser do contra”!), isto no auge do “impero soviético” e, portanto, anterior ao seu declínio e à revelação da sua realidade após a queda do “muro de Berlim”, era uma recordação do passado, respeitável e digna de registo para a história, pela sua inegável generosidade, mas completamente ultrapassada pela experiencia efectiva dos resultados registados ao longo dos tempos recentes. Daí a minha surpresa.
Foi, portanto, com interesse e curiosidade que considerei conveniente assistir aos filmes biográficos que via anunciados, na expectativa de perceber o que revelavam de novo que pudesse justificar a minha constatação atrás referida.

Começo por realçar que gostei de assistir. Trata-se, por um lado, de um trabalho cinematográfico de inegável qualidade, com uma magnífica realização e óptimo desempenho dos actores principais. Tudo parece ter sido estudado com o maior cuidado para atingir um nível apreciável e um elevado impacto no espectador; a escolha das cenas, dos “grandes planos”, das sequências e a sua interacção com a “banda sonora”, conferem um clima de dramatismo envolvente. Por outro, parece um trabalho sério, equilibrado, deixando antever, para o observador atento e imparcial, os aspectos que revelam os erros e contradições deste personagem que justificam esta reflexão. Considero, não só, que vale a pena, mas até, que é desejável ver o filme.
É fácil que esta figura quase lendária, despertando a imaginação e entusiasmo do espírito irrequieto e inconformista dos jovens, qual Sandokan dos tempos modernos, figura selvagem, romântica e revolucionária, na defesa dos fracos e oprimidos, à semelhança do Zé do Telhado ou do Ali-Bábá, mobilizasse e arrastasse quem não tenha ainda a maturidade e sabedoria que a experiencia da vida revela; é, portanto, conveniente e importante observar e analisar os factos que a história documenta e que o filme vem evidenciar.

Que motivação moveu este médico, nascido numa família da burguesia “média alta”, fragilizado por uma asma crónica, a abandonar a sua carreira profissional e a sua vida familiar para se tornar guerrilheiro ? Estou em crer que ele próprio esteve convencido sempre que a justeza da sua causa, a luta contra as injustiças sociais, as desigualdades, a miséria de muitos, era bandeira suficiente para a sua dedicação ! Considero indesmentível o seu exemplo de dedicação e generosidade; é alguém que foi tão coerente que deu a vida pelas suas convicções: merece inegável respeito e admiração. É uma figura incontornável, como agora é moda dizer, na história não só da América Latina, mas da evolução da sensibilidade social da civilização moderna.
Entendo, no entanto, que cometeu três erros essenciais, perfeitamente compreensíveis, embora, dentro do estado da cultura política da época.
O primeiro e o mais grave, foi não perceber que se não conquista a paz e a justiça pela violência, mas sim pela compaixão e pelo amor, proposta pela qual Cristo, o verdadeiro “revolucionário inovador”, veio dar a vida há dois mil anos. Ele estava tão convencido, que se afastou de Fidel quando lhe era proporcionado o “bem bom” duma situação de destaque e de poder: era o “el Comandante” ! Não podia adivinhar, antes da influencia globalizante das novas tecnologias e dos modernos meios de comunicação, e não teve inteligência para intuir, o que a história veio a demonstrar e que agora se sente com particular aquidade: que as “guerras e guerrinhas” desencadeadas pelos sucessivos “ismos” nada viriam a resolver, de facto ! As lutas pelas “conquistas dos direitos”, promovidas por “estruturas” devidamente organizadas e alimentadas pela maioria da chamada “comunicação social”, nada lograram: os “ambientalistas” agitam a opinião pública com as suas bandeiras contra o “mundo capitalista”, encobrindo a escandalosa poluição do “paraíso soviético”; nunca houve tanta guerra e tão cruel, como agora em sintonia com a violência de tantas manifestações ditas “pacifistas”; as mulheres, em grande percentagem mais infeliz que nunca, são vítimas das perversidades de pseudo-igualdades insensatas dum “feminismo” acrítico; nunca os estudantes tiveram ensino de tão baixa qualidade e perspectivas tão preocupantes de ocupação digna e perspectivas de evolução; nunca os trabalhadores tiveram tais níveis de desemprego e de precariedade de trabalho; nunca foram tão gritantes, como agora, numa sociedade que se afirma predominantemente socialista, as desigualdades sociais; nunca houve tanta miséria nos Países sub-desenvolvidos; nunca houve tanta violência e insegurança, etc., etc.! Nenhum destes problemas se resolverão pela “luta armada”, que só serve par alimentar o “negócio da guerra” ! Ele não percebeu !
O segundo, resultou de julgar que o “bloco soviético” apoiava desinteressadamente a sua luta. Já se sabia (e o filme também mostra) que tal não iria acontecer, e ele não se apercebeu ! Foi evidente a sua decepção e consequente afastamento de Fidel !
O terceiro terá sido o de, apesar do já ocorrido, não ter ficado para assistir à evolução e ter persistido nos erros anteriores, desencadeando a “luta armada” na Bolívia, com o apoio do partido Comunista, contra o regime imperialista e capitalista lá instalado, quando acabou, afinal, por enfrentar o loby dos “senhores da guerra” do bloco ocidental, e abandonado pelos do bloco soviético ! Arrastou os seus homens para um suicídio colectivo, inconsequente e, encurralado, acaba por ser detido já só.

Outros erros estratégicos e tácticos terá cometido, mas os referidos terão sido os mais relevantes. Outro aspecto digno de referencia é o das suas incongruências.
Declarado defensor dos humildes e fracos, gostava de ter poder e estar na primeira linha e ser “o chefe” incontestado e incontestável, o que é evidente ao longo do seu percurso ! O “justiceiro” fez, frequentemente, “justiça pelas próprias mãos”, com julgamentos sumários, o que lhe mereceu a designação de “assassino” ! No exercício do poder, na sua esfera de influencia, era um ditador prepotente ! Os seus homens seguiam-no por fanática e acrítica “devoção”,… ou por medo ! Com uma ética materialista, tinha a “sua moral”, com as suas regras, que impunha autoritariamente, não admitindo contestação !
Sendo asmático, o que o limitava nas suas capacidades físicas e comprometia a sua acção e autonomia, andava sempre pendurado no charuto, o que não deixava de ser uma forma bem burguesa e exibicionista de afirmar a sua “liderança” ! Parecia ser um homem permeável aos vícios.
Tendo assumido compromissos familiares, com cinco filhos, tudo renega e abandona para se entregar à “sua luta”. Na defesa espectacular dos desvalidos, deixou desprotegidos os que tinha a responsabilidade directa de tratar e acompanhar. Não se me afigura tal revelar muito senso !
Enfim ! Refiro, apenas, sem aprofundar mais, os que mais me impressionaram. Mais me pareceu que as suas contraditórias opções, de um menino frágil e mimado, terão resultado de uma necessidade de libertação e de afirmação pessoal afigurando-se-me que disso não terá tido consciência agindo, com aparente generosidade e total entrega. Não seria justo retirar esse mérito, que merece ser reconhecido. Mas mais não ! Não ataco a sua figura e o seu papel; apenas não aprovo, mas aceito no contexto da época.

Herói, mas não “modelo” a seguir ! Muito menos, agora !
Por isso, e voltando ao tema, me deixa estupefacto a aceitação nos tempos actuais, quase religiosa, deste “ídolo messiânico”, que só entendo por manipulação das forças políticas que não tem melhores “referencias” para exibir !
Lá, como cá ! E, cá como lá, também se exibem os “ícones” da esquerda, os Zeca Afonso e Fanhais, que também não perceberam quanto estavam a ser usados ! Ocorre-me perguntar onde estão os jovens do Maio de 68, e o que se resultou da sua “luta” ?
Há dois dias cruzei com um carro publicitário exibindo um grande cartaz que afirmava ser “urgente retomar o RUMO de ABRIL”! Passados 35 anos, e vistos os resultados em todos os domínios (económico, político, social, etc); depois de se ter passado pela guerrilha e terrorismo do “11 de Março”, da tentativa de tomada de poder ditatorial das forças da “esquerda” de então, de se ver as “amplas liberdades” proporcionadas pelo COPCON do Otelo (o “ché português”!), da “descolonização exemplar” para integrar África na “esfera soviética” e do seu resultado, …agora, a esquerda actual, que não tem desculpa, porque se sabe tudo já sobre o “imperialismo soviético”, vem tentar enganar as gentes, manipulando a tal “comunicação social”, beneficiando das liberdades existentes para o bem e para o mal ?
Ontem, nos desfiles e manifestações em Lisboa, lá andava gente exibindo o “retrato do ídolo”!
Ídolo de quem ? Da mulher e dos filhos não, certamente ! Se algum o tivesse como tal e lhe seguisse o “modelo”, seria, certamente, sobejamente conhecido e badalado pelos agitadores da esquerda actual. Estarão bem ? Estarão mal ? Serão ricos, como os avós, ou… revoltados por terem sido abandonados ? Ninguém sabe, nem se interessa ! Talvez não seja politicamente conveniente saber !
Chega de tentarem fazer de nós estúpidos !
Nada se resolverá, nunca, pela violência; a solução resultará da pedagogia do amor, e não do ódio.
É uma questão civilizacional !

MG 25. Abril. 2009

domingo, 29 de março de 2009

Velha, era a tua Tia !

Velha era a tua Tia !

I- ALERTA URGENTE

Com aquela exclamação respondi eu, há alguns dias, a um familiar (próximo e amigo), numa troca de “mails” em que ele me tentava convencer, face às minhas “rezinguisses” sobre o que entendo serem os disparates da chamada “modernidade”, de que estamos já velhos e não somos nunca os “detentores da verdade” e temos de aceitar a “cultura” dos jovens, sem o que não teria havido progresso !
Àquela minha exclamação acrescentei, argumentando, as razões porque considero que o por si referido não passava de “meias-verdades” e “frases feitas” para desculpabilizar e consolar a malta da minha anestesiada geração.
Volto ao tema não para “ter razão”, mas para tentar dar alguma contribuição para um alerta que se me afigura urgente e relevante.

Se é bem verdade que ninguém é “dono da verdade”, muito menos quem é inexperiente e, se calhar, nunca pensou a sério nos assuntos; a “verdade”, só de Deus (por definição)!
O normal dantes (antes de haver TV) era que a idade acrescentava experiência e sabedoria; era sempre ouvido e seguido o “conselho de anciãos”. Agora, modernamente e depois da massificação cultural provocada pela TV (para a qual as gentes não estavam preparadas) ninguém, com honrosas excepções, sabe nada de nada e os velhos já não tem, efectivamente, nada de jeito a transmitir; há, no entanto e efectivamente, excepções: os que se não deixam levar pela máquina e tenha o hábito de “parar para pensar” observando, de forma atenta, lúcida e crítica o que se passa no Mundo, a que se chama “modernidade” progresso e “evolução” e que o tempo tem vindo a provar ser uma regressão !
Sempre se disse que “a ignorância é atrevida”, mas se considerou que a irreverência dos novos foi sempre útil para “agitar as águas” (às vezes chocas !), obrigando os velhos a repensar , se têm discernimento e são capazes; engolir simplesmente o que os novos querem impor (só porque são inovadores), de forma acrítica, tem provado ser arriscado e insensato.

Quanto à evolução da humanidade (o “humano” é o único ser capaz de evoluir intelectualmente, de ter criatividade e discernimento - todas as outras espécies fazem hoje o que sempre fizeram ao longo dos milénios, evoluindo apenas na adaptação à Natureza) há que referir que a mesma resultou sempre de alguma “inspiração” (do espírito !) e muita “transpiração”; a inspiração acontece depois de muito estudo e, principalmente, de muita reflexão e meditação. Ou seja, acontece com a maturidade que aumenta com o decorrer dos anos; do saber e experiência resulta a sabedoria que, afinal, os mais novos respeitam e aceitam, sempre que os velhos têm a "autoridade efectiva" que lhes advém da competência e espírito de serviço. Não é preciso impor; resulta naturalmente.
Não nego que houve progresso nalguns aspectos, mas não se pode fechar os olhos ao retrocesso também ocorrido noutros, alguns essenciais. Houve grandes mudanças, para o bem e para o mal, e temos de ter disso consciência para distinguir “o trigo do joio” e não deixar perder o que era essencial, apenas para não sermos apelidados de retrógrados e “caretas”.

O mal é quando os velhos abdicam e “vão na onda”, ou se infantilizam tanto como os jovens; por comodismo e incompetência, deixam correr ! Perderam a autoridade e essa é a causa da crise da sociedade actual.
Há já algum tempo escrevinhei um “considerando” que designei com o título de “a verdadeira geração rasca”, em que manifestava a minha surpresa e preocupação pela constatação de que a dita (rasca) não fora capaz de manter e transmitir a “sabedoria” herdada e o saber entretanto adquirido, deixando perder os princípios e valores da ética em que se fundamentava a moral que defendiam. Tal “escrito” referia, concretamente, as questões da “sexualidade humana”, a propósito da minha vivencia na campanha “em defesa da vida”, aquando do referendo sobre o aborto. Não me vou repetir, mas a minha constatação foi de que a minha geração, não foi capaz de conservar e transmitir os valores essenciais que alicerçavam a nossa civilização. Por isso “geração rasca” foi a nossa !

Valores bons ? Valores maus ?
Como em tudo o resto, há o “minério e a ganga”. Da cultura herdada pela tradição e que facilmente se transmitia entre gerações, de forma incontestada, havia aspectos irrelevantes ou, mesmo, deploráveis e, até, contraditórios que era útil ultrapassar; o erro está no exagero, como sempre, renegando tudo com o pretexto de que é retrógrado e antiquado, sem critério crítico, deixando perder por arrasto, o que era importante ou essencial. Dantes era possível manter tradições de forma incontestada, só porque sim ! Face à evolução cultural teria competido às elites intelectuais acompanhar a evolução das mentalidades, analisar aprofundadamente as respectivas consequências previsíveis e propor, de forma fundamentada critérios de avaliação das questões levantadas.
A árvore avalia-se pelos frutos !
E os frutos da “permissividade e facilitismo” (conforme artigo então publicado num semanário) parecem estar bem à vista.

II- AS MUDANÇAS RADICAIS

Já então referia e frisava que tal “demissão” era, de certa forma, compreensível e desculpável: efectivamente, nenhuma outra geração, antes da nossa (e, possivelmente, no futuro) fora sujeita a um choque e impacto de mudanças tão radicais !

Na verdade, sou do tempo em que da geração dos nossos Pais, as meninas mais ilustradas e “de boas famílias”, limitavam a sua cultura a “tocar piano e falar Francês”; nessa época apareceram as primeiras “licenciadas”.
Sou do tempo, também, em que nas camadas com maior “formação académica” (o que é diferente de “cultura” !) se aprendia predominantemente Francês e, apenas, uns rudimentos de Inglês o que dava, perfeitamente, para as nossas solicitações profissionais e culturais; nesse meu tempo, a maioria dos alunos do Ensino Liceal eram rapazes e, nas Universidades, seriam uns 30% de raparigas havendo cursos, como o meu, raramente frequentados por alunas; na época em que estive ligado à minha Faculdade tinha 3 ou 4 alunas, em turmas de 35 ! Refiro isto, não numa atitude anti-feminista, mas apenas para realçar as mudanças ocorridas.
Acho de interesse indiscutível ( e não o afirmo para ser simpático ou “politicamente correcto”) que as mulheres tenham uma cultura e formação de nível universitário; tive a enriquecedora experiencia de integrar o OUP (Orfeão Universitário do Porto), de que detenho recordações inesquecíveis e onde adquiri apreciável experiencia de vida, sendo que foi o primeiro organismo académico a integrar raparigas. A questão que considero dever pôr-se e se põe já nos Países evoluídos, será que as mulheres terão que fazer uma opção consciente entre a sua função (essencial e insubstituível) de Mães e “donas de casa” ou de “executivas de sucesso”; tentar compatibilizar as duas coisas é difícil e, frequentemente, impossível e o resultado está à vista, sendo as maiores vítimas as crianças que a sociedade moderna, cínica e hipocritamente, diz querer proteger.
Mas isto é outro tema, talvez um dos mais importantes, desta “revolução silenciosa” a que foi sujeita esta geração !

Outros factores de mudança confrontaram a minha geração, perturbada com o fascínio da chamada “modernidade”.
Os telefones entraram no quotidiano das nossas casa há 60 anos; há 50 entra a televisão que se antevia como um maravilhoso instrumento de informação (!), cultura (!!) e entretenimento (!!!); vão já 40 que, treinados com a “régua de cálculo” e as “Facit”, fomos dos primeiros a dispor de uma “calculadora digital” (electrónica) e a integrar uma equipa que elaborava os primeiros “programas informáticos” (em Fortran) para os seus projectos (conseguia-se fazer em segundos o que até aí ocupava 60 “calculadores” e “desenhadores” durante meses; começou a origem do “desemprego” !
A geração que dominava as novas técnicas passou a ter relevância sobre a detentora da experiencia; inventaram-se os “Yuppies”, e os mais antigos foram superados e começaram a entrar em stress !
Com a informática e as “novas tecnologias” mudou também a linguagem ! Passou a ser mais útil dominar o Inglês que o Francês, começando a ser moda, para atrapalhar ainda mais a minha gente, introduzir no vocabulário neologismos, de que passo, para "alavancar", a “elencar” alguns exemplos: management, marketing, etc. e, mais recentemente, deletar e printar !). E a nossa geração começou a sentir-se descalça !
Para facilitar mais a vida aparecem os telemóveis (nunca foi tão difícil comunicar como agora !), os satélites, a NET, o GPS ! Maravilhas! Há muita gente da minha geração que se recusa a aderir e,…demite-se das suas responsabilidades !

As auto-estradas e os transportes aéreos encurtaram distancias e, com as novas facilidades de transporte e comunicação, a consequente e inevitável “globalização” fez mudar hábitos e culturas; a minha geração ficou atordoada e indefesa e incapaz, por comodismo ou preguiça, considerou mais simpático ir na enxurrada e alinhar no “facilitismo”: malta “da corda”!
Para ser simpática e porreirinha, demitiu-se e delegou !

Para cúmulo e a agravar este “cenário” de mudança, vem as “migrações” descontroladas e sem critério, com os decorrentes problemas sociais, o aumento da criminalidade, a insegurança.
O “linguajar” ainda evolui mais e, agora, é só fazer snorkeling, organizar um brunch e, acima de tudo, dedicar-se ao carjacking, que é o que está a dar !

Finalmente, somos ainda confrontados, para culminar, com o recente flagelo da “guerra sem regras” ou da “guerra sem rosto” que é o terrorismo ! Guerra cobarde, também potenciada pelas “novas tecnologias” que permitem que alguém “virtual” ponha em risco ou destrua pessoas e bens numa escala desmedida e desproporcionada às suas reais capacidades !
Este é, portanto e sem pretender ser exaustivo, o cenário de mudança com que a minha geração foi confrontada. A incerteza e a imprevisibilidade instalam um clima de angustia !

O drama agrava-se, porém, dado que nesta nova geração (todos licenciados e mestrados e, até, alguns “doutorados”!) formados à pressão, muitos mal sabem ler ou escrever ! Para armar e impressionar lançam a moda de vocábulos de utilização inadequada ou despropositada e excessiva, “implementando” uma nova moda, passando tudo a ser “redutor”, ou “redundante”, “recorrente” e “paradigmático”, à mistura com “siglas” que tornam as mensagens ininteligíveis ! E a malta, siderada, rendeu-se, completamente !
A falta de senso vai ao ponto de, para se agradar à opinião pública, galardoar com o estatuto de “doutor honoris causa” quem se distingue, com mérito indiscutível, numa actividade a que se tinha acesso há 40 anos, com o antigo 5º ano (actual 9º) e em que as “vedetas” mais badaladas mal sabem falar ! Perdeu-se o senso !

Mais ainda: nesta geração de “quadros superiores” e líderes, se mal preparados (alguns) do ponto de vista técnico, a grande maioria não tem qualquer formação humanista. Muitos, não a tendo de nascença, não a receberam nas Universidades e, portanto, não a transmitem aos seguintes (alunos, colaboradores, subordinados e, o que é mais preocupante, …aos filhos !); não sabem e nem sabem que não sabem !
Naturalmente que, com lideranças sem formação humanista, perderam-se os princípios e valores que integram a tal de ética e cai-se no “vale tudo”: imbuídos duma mentalidade competitiva e preocupados como o chamado “sucesso” (de “curto prazo”), fundamentada numa cultura materialista e hedonista, em que se confunde felicidade com satisfação de prazeres primários, perderam-se os “critérios” duma moral bolorenta e facilmente se deixam seduzir por comportamentos censuráveis.
Entende-se conveniente deixar claro que há nesta geração jovem gente boa, de elevada qualidade técnica e formação humana; apenas é uma percentagem diminuta e, aparentemente, não articulada, pelo que acaba por não ter um “peso” determinante no mundo da economia e da política nem, sequer, na vida social e cultural, não tendo impacto na “comunicação social”; viu-se a forma como correram os debates a propósito da “homofobia”!

Todos se começam a aperceber que é assim, que há uma “crise de cultura” e que tal se reflecte nos mais diversos aspectos do quotidiano actual da vida moderna, gerida por uma geração (repito, com louváveis excepções) de gente incompetente, ambiciosa, gananciosa e,… emproada e arrogante !

III- MUDANÇA DE PARADIGMA

Há muito que era previsível e se previa esta famigerada “crise”.
A crise começa por uma “economia virtual” que redonda numa crise financeira, transformando-se numa “crise económica” (da economia real), com evidentes e incalculáveis repercussões numa “crise social”; tudo resultou duma “crise de valores”; é uma “crise cultural”, como venho alertando há algum tempo ! Já começa, felizmente, toda a gente a falar na importância da ponderação da correlação do binómio “ética e política” !

A solução não estará, como é evidente, em desmobilizar ou despromover os jovens. Creio que a mesma passará por duas vertentes: a aposta (urgente) na formação humanista da geração jovem e na valorização efectiva do insubstituível papel da geração mais velha.

Isto nem sequer é novidade ! Instituições de referência já o faziam há muito.
Assim era na “instituição castrense”, onde me apercebi que toda a estrutura do “staff”(!) do General Comandante da Região Militar tinha, a orientar os departamentos estratégicos “, coronéis na reserva”-“raposas velhas” experientes e sabedoras e, ainda capazes e válidas ! Os novos, os Capitães, eram os “operacionais” que, no terreno, realizavam as tarefas que exigiam vigor físico, adquirindo experiencia de vida e de técnica para ir ascendendo aos postos mais elevados, conforme as suas apetências. Era o que seria lógico e natural !
Também na “instituição eclesial” os Bispos dispõem de um “conselho” de Cónegos com funções semelhantes.
Isto seria o que determinaria o bom-senso, mas esta lógica foi pervertida pelas razões referidas do “choque tecnológico” e consequente globalização.

Creio que seria importante e urgente tomar consciência da importância do aproveitamento do capital de experiencia e sabedoria acumulados pela geração dos Avós, frequentemente remetida para papel subserviente (humilde e resignada) de motorista dos Netos e que, assim distraídos, ficam convencidos que estão a dar uma grande ajuda à sociedade e à civilização !

Esta crise poderá ter sido útil em muitos aspectos, se ajudar a corrigir erros passados e a acordar quem anda a dormir para que perceber o que esteve na sua origem e levar a que disso se tome consciência e se aja em consequência: há que alertar ao velhos para que se não demitam, preguiçosamente, das suas responsabilidades efectivas e ponham a render os seus talentos; haverá que, paralelamente, sensibilizar os novos para que se apercebam das suas “incontornáveis” limitações e, consequentemente, estejam atentos e receptivos aos benefícios da rentabilização dos contributos dos velhos .
Esta “receita” parece evidente, mas não é o que está a ser adoptado.
Esta é que será uma verdadeira “mudança de paradigma” !

MG 25.03.2009

segunda-feira, 16 de março de 2009

Esta "espécie" de "justiça desportiva" !

Esta “espécie” de “justiça desportiva” !

Creio poder ser considerado insuspeito !
Mesmo assim convirá, em relação ao conteúdo deste meu comentário, fazer uma “declaração de princípios” prévia:

- não sou apreciador de “futebol profissional”: sempre tendo praticado variados desportos até à presente data, fi-lo sempre em regime “amador”, dado que só assim entendo a função do desporto numa vida saudável das pessoas; considero o chamado “desporto profissional” a negação do desporto e o futebol, como espectáculo ou circo, um fenómeno estranho, que não entendo a não ser para servir interesses financeiros e políticos que nada tem a ver com a saúde física e mental das gentes; não comprometo o meu tempo e energias, nem arrisco a minha saúde por jogos que raramente tem qualidade e mérito para merecer a nossa atenção. Não critico quem arrisca a sua “adrenalina” com tal “passatempo”, mas prefiro outros hoby's de resultados mais previsíveis ! Deve ser deformação profissional !
- não sou especialmente amante do futebol, ou de outros desportos violentos, que geralmente provocam lesões irreversíveis, de que conheço casos em pessoas próximas, contrariamente ao que deve ser, afinal, o objectivo de qualquer prática desportiva; mas, é uma questão de gosto e vocação, pelo que nada tenho a criticar, tendo um filho cuja actividade desportiva principal é jogar com amigos e, até, um neto “federado” em foot-sall juvenil ! Antes isso que arriscarem a sua felicidade em ambientes que favorecem a sua perda de liberdade !
- também não sou “fanático” por nenhum clube tendo, como cidadão da Invicta e nela vivido e exercido todas as minhas actividades profissionais e sociais e, mesmo vivido próximo das Antas a maior parte da minha existência, natural simpatia pelo FCP; aceito (contrariado), mas custa-me a entender que quem tenha idêntico percurso de vida, possa ter outras simpatias; fraquezas, quase todos podemos ter !
- nunca privei com o Sr. Jorge Nuno Pinto da Costa, embora tenhamos sido praticamente vizinhos e o seu filho mais velho fosse amigo de filhos meus e, até, frequentasse a minha casa; cruzamo-nos uma ou duas vezes, ficando-nos por um aceno de cabeça. Não deixo de o considerar, embora uma figura inegavelmente polémica, mas uma referencia emblemática das gentes do “Norte, carago (!)”, divertindo-me com as suas ironias desconcertantes !

Espero assim, com esta introdução, ter justificado que é insuspeita e desprovida de facciosismo a opinião que venho exprimir sobre o sensacionalismo que envolve o (eventual) previsível desfecho do caso do “apito dourado”, segundo o que me apercebi em noticiários recentes !
Tanto quanto sei, como observador sereno e distante do “fenómeno futebolístico”, sempre houve, desde que me conheço, trapalhadas, batota, corrupção, etc., no “futebol profissional”, o que se tem vindo a agravar nos últimos 30 anos e à medida que o mesmo se veio tornando um “negócio chorudo”, envolvendo quantias disparatadamente exorbitantes, alimentando todo o tipo de tráfego de influencias de gente sem escrúpulos. Desde miúdo que tinha interiorizado na minha cultura o significado da expressão “fora o árbitro” ! Tal evidencia que, desde sempre e, certamente com honrosas excepções, tal era a cultura dominante nos “dirigentes desportivos” deste dito “desporto de massas” (massas, no sentido popular e,…no sentido do “vil metal”!), fazendo o que podiam, sendo o “jogo limpo”, apenas na teoria.

Assim, e à semelhança do que referi já por escrito há meses, num artigo que intitulei de “futebol e desportivismo”, volto a enfatizar o juízo formulado sobre o que se chama de “justiça desportiva” !
Não posso deixar de considerar que se forem confirmadas falcatruas, falseando ou influenciando os resultados dos jogos, tal é deplorável e deverá ser objecto de sanção; entendo, no entanto, que só haverá justiça efectiva se forem sujeitos a idênticas penalizações todos os que tiverem, ao longo deste tempo, idênticos procedimentos !
É, para mais, sabido que este caso foi despoletado, empolado e explorado por fontes e interesses de adversários, numa manifestação de muito pouco desportivismo e tendo, ainda por cima e ao que parece, “telhados de vidro” !
Repito (dizendo, como apetece), como o outro: “porqué non te callas ?”!
Haja bom-senso, sentido de justiça e vergonha na cara !

Não posso deixar de referir que fiquei fortemente impressionado com a proclamação de inocência do Sr. Pinto da Costa, jurando pela sua filha; isto parece-me ser muito sério !

MG 15.02.2009

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Será a Fé um "dom" ?

Será a Fé um “dom” ?

É frequente ouvir-se referir a existência de uns “privilegiados” que tiveram o “dom da fé”. A fé seria, portanto, algo de ocorrência aleatória, dificilmente acessível, distribuída de forma arbitrária por um Deus discricionário e selectivo ! Lá se vai a “justiça divina” !
Se a tal concepção corresponde uma atitude de veneração pelos “santos” (os tais “escolhidos”), outras vezes tem a mesma um tom depreciativo e traduz sempre a convicção de que tal “dom” não é para o “comum dos mortais”, que têm que resolver os problemas reais do dia-a-dia.

Tal concepção, que sempre rejeitei por implicar uma concepção de um Deus injusto e arbitrário, revela também uma percepção deturpada do que seja ter fé. Para quem assim pensa, ter fé traduz uma atitude resignada de aceitação passiva de qualquer coisa que "cai do céu" e que transcende a nossa vontade e compreensão: ter fé será acreditar, ingenuamente, no irracional ! É um atentado à inteligência, ou melhor, ao intelecto !
Este será o primeiro preconceito a ultrapassar: ter fé é, pelo contrário, ter a certeza, é estar profundamente (e racionalmente) convicto da “verdade em que se acredita”. Tal implica ter convicções claras e esclarecidas alicerçadas num profundo e profícuo trabalho intelectual de estudo e pesquisa.
A fé verdadeira, que nada tem a ver com superstição, não deverá ser, portanto, uma “fezada” ou uma “crendice” duns pobres coitados, “pobres de espírito” ! Não me estou a referir à “fé do cavador”, que não menosprezo e é, muitas vezes, bem menos superficial e mais séria que a de muita gente dita “civilizada” e culta; cada um deverá ter uma fé esclarecida e consistente, ao nível das suas capacidades e formação intelectual; o caricato e lamentável é haver gente muito “letrada” e elevada formação académica, que se contenta em continuar com a sua formação religiosa a nível da catequese infantil !

A fé é, efectivamente, um “dom”, como todos os outros dons que Deus prodigamente disponibilizou para dotar a “espécie humana”: dons materiais (capacidades físicas, mentais, bens variados, etc.), e espirituais (sensibilidade, criatividade e imaginação, discernimento e raciocínio lógico, diversa vocações, etc.); o primeiro dom, é o da vida, especialmente se vivida “em abundância” (de virtudes) !
A todos Deus dá os “talentos” necessários e o que nos é pedido é que os “façamos render”, numa desejável evolução pessoal e ao serviço dos outros; cada um deverá dar o “seu máximo”, sem se contentar com um relativismo medíocre de se comparar com o “vizinho do lado”. Para os Cristãos, o único “modelo” de referência é Cristo; por isso, o nosso esforço de ascese não terá limite !
À semelhança das outras capacidades, também a fé se pode consolidar; é um caminho a percorrer; é uma escalada a efectuar, determinadamente, para nos aproximarmos do “cume” que se deseja alcançar. Ninguém nasce “campeão olímpico” e admitindo que todas as potencialidades ocorrem segundo o que se chama em estatística de “distribuição normal”, representada pela “curva de Gauss”, a maioria dos indivíduos é capaz de alcançar as “marcas” normais, se não se deixar ficar a “engordar no sofá”; tive a experiencia de verificar que todos os alunos podem tirar 15 valores (marca normal), mesmo os menos dotados, mas esforçados (marrões !), como os mais “reguilas”, com pouco esforço. Apenas os reguilas e, simultaneamente, trabalhadores e esforçados atingiam ou superavam a “fasquia” dos 18 ! O mesmo acontece com a fé que se alimenta pelo estudo e reflexão e por uma atitude perseverante de coerência de vida e pela consequente prática das virtudes (de que hoje não é moda falar !).

Mas constata-se haver muita gente que diz não ter fé e não ter necessidade da religião !
Creio bem que a falta de fé de muitos resulta da imagem redutora que transmitimos de uma religiosidade formalista, ritualista, infantil e inconsequente; constata-se, frequentemente, haver gente dita sem fé com comportamentos e estilo de vida mais construtivos que os de outros que se dizem crentes, vivendo de forma impensada e incoerente com princípios que dizem defender ! É o seu mau testemunho que leva os primeiros a considerar que não tem necessidade de tal religiosidade, não se apercebendo que uma “religião séria” fornece o alicerce e fundamento filosófico duma ética (conjunto de princípios e valores) de que decorre a moral (conjunto de regras) que, afinal, consideram a mais adequada e pretendem defender e que, sem a tal fundamentação, não conseguem transmitir às gerações seguintes imbuídas, em grande parte, pela influencia duma sugestiva cultura materialista e hedonista.
Grande responsabilidade, portanto, dos “crentes”:
“ai de vós, se fordes motivo de escândalo” !

Sou levado, assim, a concluir que, sendo a fé um dom acessível a todos, só não tem fé, quem não está receptivo ou motivado e, portanto, não quer !
E pode não querer ou por inércia ou ignorância (quem ande distraído ou ofuscado pelo “ruído” duma civilização massificada, alimentada por uma “máquina” deliberadamente organizada para manter as gentes anestesiadas e distraídas - dantes dizia-se que eram os “3 efes” e, agora, é ainda pior !), ou por casmurrice (variante negativa de “teimosia”, de quem se mantém obstinada por opções ideológicas “desviantes”, cujos resultados estão bem à vista, infelizmente !) ou, o que é mais grave, na defesa de “interesses” (inconfessados, geralmente com “bandeiras” políticas a disfarçar reais interesses financeiros !).
Uma coisa se me afigura ser certa: a todos Deus dá “oportunidades” ao longo da vida; nem poderia ser doutra forma ! Cada qual interprete os sinais e tire as devidas ilações. Os “ramos” que não derem fruto, terão o destino que escolheram; e isso será justo !

Grande lição de verdadeira fé, a da narrativa do Evangelho de Domingo passado: os amigos do paralítico, empenhados em o lavar a Cristo para o curar, não hesitaram face às dificuldades que impediam de o fazer chegar perto; certos que Cristo o curaria (fé !) e determinados, içaram-no para o telhado, fizeram uma abertura e desceram a maca suspensa com cordas. Deve ter sido uma cena espantosa !
Como o Mundo seria diferente se, perante as adversidades, tivéssemos a fé do tamanho do “grão de mostarda” e fossemos perseverantes (variante positiva da tal teimosia) e “removêssemos montanhas” e nunca desistíssemos do projecto de levar todos os “doentes” ao único “caminho de cura” efectiva !



MG 27.02.2009

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O poder do "querer" !

O poder do “querer” !

Desde há já muitos anos que me deixei fascinar pelo potencial das capacidades “parapsicológicas” do ser humano. Pelos princípios dos anos sessenta assisti a uma muito interessante conferência feita por um Padre Franciscano, professor da matéria numa Universidade brasileira, que me despertou grande curiosidade sobre o assunto. Algumas conversas posteriores sobre o tema, com relatos de estranhos fenómenos “paranormais” feitos por pessoas que considero credíveis, deixaram-me sempre numa atitude de prudente respeito sobre estes assuntos. Fenómenos como empatia, telepatia e premunições começavam a ser, tanto quanto ia sabendo, observados já pela comunidade científica.
Afigura-se-me pouco sensata a atitude de quem se afirma “superior a essas coisas”, rejeitando a sua análise por preconceitos redutores e obscurantistas ! Estou como o espanhol que dizia:
“yo no creo en brujas, pero haberlas,… las hay” !!

Circunstâncias da vida levaram-me a, muito mais tarde, ter de acompanhar o tratamento de pessoas padecendo de estados depressivos profundos, tratadas até então pela nossa “medicina tradicional”, no foro da psiquiatria, sem qualquer sucesso e permanecendo com graves sequelas. Casualmente, (e há muito quem defenda que nada acontece por acaso !) deparou-se-me oportunidade de descortinar terapias alternativas, algumas baseadas em medicinas ancestrais e o facto é que (sem entrar em pormenores, que não interessam para o tema) tais pessoas, libertadas das “drogas” anteriormente usadas e tratadas por outros meios, se curaram rapidamente ! Familiarizei-me, então, com técnicas de “meditação”, aprendi “reiky”, recorreu-se à “homeopatia” e percebi no que consistia a chamada visão “holística” do comportamento do corpo humano e o seu equilíbrio com o emocional e espiritual. Constatei que tais ensinamentos, não colidindo com as minhas convicções religiosas, só me ajudaram a “crescer” espiritualmente, dando uma perspectiva duma vivencia mais adulta e responsável. Para mim, as análises “esotéricas”, fornecendo “pistas” e “ferramentas” da maior utilidade, podem e devem ser estudadas com atenção e respeito, e nunca ignoradas ou menosprezadas; o importante é estar-se atento, e ter o discernimento de “distinguir o trigo do joio”.
Apercebi-me, então, ainda na fase de tratamento com a tal medicina tradicional, que alguns médicos sabiam já das capacidades do “poder da mente”; só que não as utilizavam nas suas terapias, continuando apenas a recorrer aos fármacos ! Simplesmente, imperdoável !
Vai sendo cada vez mais divulgada a técnica da “programação neuro-linguística” (PNL), como forma de treinar e desenvolver as tais “capacidades da mente”.

A reflexão pessoal que fui fazendo ao longo deste percurso levou-me a intuir que, ainda mais importante e eficaz que o tal “poder da mente”, o é o “poder do espírito”, concretizado no “poder do pensamento” e no “poder da vontade”. Afigura-se-me da maior importância clarificar o que pretendo transmitir, referindo ideias que começam a ser correntes e a ser adoptadas pela cultura actual.
Assim, é já frequente encontrar quem defenda que quem deseje profundamente uma coisa, o consegue: tal coisa “acontece” ! O importante é desejar com força ! A minha experiencia pessoal leva-me a estar, cada vez mais, convicto de tal realidade.
Começou também a entrar na gíria, muito por influência da cultura das telenovelas brasileiras, expressões como “pensamento positivo” (para estimular alguém a ter uma atitude construtiva perante as circunstancias da vida), bem como “vire para lá essa boca” (para contrariar a de alguém que só dá “mau tempo” !). Será isto infantilismo supersticioso, ou corresponderá a uma constatação realista das nossas capacidades subconscientes ?

O facto é que cada vez mais se recorre a “técnicas de relaxamento” (usadas no Yoga, por exemplo) e “exercícios de concentração” (nas “artes marciais”), em que se exercitam e desenvolvem as capacidades de controlar o corpo, através da mente, “centrando” a atenção nas várias partes do corpo, imaginando a sua “visualização” (como forma de aí concentrar a atenção) e “dirigir as energias” sobre si, forma de “querer” atingir determinado resultado. No reiky, o poder de “cura” das mãos (associado a uma inegável sensação de bem-estar) parece decorrer do esforço consciente de concentração do “pensamento dirigido” (pelas mãos) com determinado “alvo”; o efeito será reforçado se o “paciente” estiver numa atitude receptiva e de colaboração activa, centrando também, conscientemente, o seu pensamento na “recepção” dessa energia para o efeito desejado. A “cura” é potenciada se houver uma atitude de adesão interior; geralmente quem recorre a tais terapias já está, previamente, “convertido” !

Sendo este o “poder do espírito” (potenciando as capacidades da mente com as da “alma”, ou “centelha divina” e “eu profundo”- como chamam os não cristãos), este transcende-o, embora integrando-o; abre-se a cortina para se perceberem todos os fenómenos transcendentais e paranormais. Só se percebe numa perspectiva espiritual, embora seja necessário estar de consciência desperta e atenta e de vontade empenhada! Mas é importante, também, ter consciência de que este poder pode ser bom ou mau ! Pode ser usado, com amor (no sentido genuíno) e altruísmo, para “curar”, ou com ódio e egoísmo, para destruir. Alerto que será bom não ignorar esta realidade e saber lidar com ela, quer para ajudarmos, quer para nos defendermos de terceiros, “amigos da onça” ! Acredito, pois, que se há “magia branca”, há também, infelizmente, “magia negra” . Há gente para tudo !

Então, qualquer um pode fazer “milagres” ? Os milagres são uma coisa banal e acessível ?
Considero que só são reconhecidos como tal ocorrências verdadeiramente extraordinárias, apenas acessíveis pela força do “Espírito Santo” (ou, opostamente, do “espírito do Mal”, ou como lhe queiram chamar !). É o caso dos muitos realizados por Cristo (o “Deus Encarnado”, possuído pelo “Espírito Santo”) e por todos (apóstolos e discípulos) que ajam em Seu nome e animados pelo mesmo Espírito. O primeiro grande milagre foi Deus ter dotado a “espécie humana” com tal capacidade, que nenhuma outra possui !

Creio poder concluir-se, assim, que há um “poder” efectivo dos gestos feitos de forma deliberada e consciente, para além do seu valor simbólico e que os mesmos podem ter, ainda um “poder infinito”, quando potenciados por um “sacramento” (“sinal sensível” e eficaz (!) duma “graça” específica); a “graça” será a “contribuição” do “Deus-Espírito” para a eficácia do “poder da mente” e resulta da “conquista” de Cristo para redimir a humanidade: a sua Paixão e Morte foram o “preço” para a Ressurreição e “resgate” da humanidade, através dos Sacramentos que veio instituir: a humanidade tem uma “ferramenta” e uma ajuda para se “curar”, se quiser !
Esta é a grande força do “poder de querer”, se usado de forma consciente e lúcida.
Tenho conhecimento de relatos vários de curas de cancros (incipientes) decorrentes de uma mudança radical de “estilo de vida” e de atitude perante o “sentido da vida”. Creio que isto pode ser muito interessante !

Fico muito contristado quando deparo (frequentemente, infelizmente !) com Sacerdotes a fazer, como mercenários, “rituais” com ar distraído, de quem não está a pôr, minimamente, as suas capacidades humanas no gesto ! Será que não estão conscientes, porque não sabem da importância do que estão a fazer ? Não aprenderam, ou já esqueceram ?
Desculpa-se o jogador de futebol que esboça, num misto de superstição, um gesto superficial e dissimulado. Não sabe mais ! Que diferença para o gesto solene de quem o faz com consciência ! Não é mal que o jogador (ou o mau aluno que entra no exame com pouca segurança !) se benza: do mal, o menos ! É sinal de que não anda longe do essencial da vida ! Mas, bem melhor seria se o fizesse de forma assumida, com dignidade. Isso seria sinal de uma espiritualidade adulta, esclarecida, exigente, consciente e consequente.

Seria interessante reflectir, a propósito, sobre o valor da oração, especialmente se feita de forma a mobilizar todas as nossas capacidades espirituais; como todas as outras capacidades humanas, esta forma de “poder” pode ser treinada e desenvolvida: “querer, é poder” diz, afinal, a sabedoria popular !
Viria, também, a propósito reflectir sobre a importância do “silêncio”, que esta “sociedade do ruído” parece não querer entender; talvez tal seja deliberado, para alimentar o negócio de quem viva da desgraça alheia.
Julgo que, contrariamente à opinião dos que renegam a existência deste grande poder, a humanidade só teria a ganhar se dele houver consciência e se dele se fizer o uso desejável para “curar” esta decadente civilização, tão enferma.

Este é, portanto, o tal “segredo”: “espírito forte” e, … pensamento positivo !!

MG 24.02.2009
(fim do Entrudo)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O "carnaval" do "Carnaval à Brasileira"

Há dois anos passei o Carnaval em Dusseldorf e Khol (Colónia, como cá, inexplicavelmente, se chama a esta cidade Alemã !). Gostei tanto que o referi num comentário escrevinhado na altura. Divertimo-nos imenso, embora estivéssemos, quase só, na simples situação de”mirones”, observadores passivos, como quem está de fora e não participando directamente na “festa”.

Constatei, então, que tal sucesso evidenciava duas características importantes:
- toda a gente, praticamente, participava; a população não ia apenas assistir, passivamente, ao que meia
dúzia de “foliões” organizava; quase todos estavam “mascarados” e “fantasiados”, num autêntico
concurso de originalidade, criatividade e imaginação (e alguma irreverência !); a população estava toda
na rua em ameno convívio folgazão, participando activamente na brincadeira, criando um clima de
comunhão popular e alegria sã que lembrava as “festas de S João”, no Porto de antigamente;
- a festa era “genuína”, sem importação ou influência de culturas estranhas e descabidas; não se via nada
que pretendesse imitar os “carnavais à brasileira”; muitos se disfarçavam com vistosas indumentárias,
muitas das quais glosando com políticos e figuras públicas, com irreverência e piada, mas dentro dos
limites do razoável.: isto é “ser civilizado”, sem “macaquear” o que se vê noutros climas !

Sou do tempo em que nesta “invicta” Cidade do Porto o célebre “Clube dos Fenianos” promoviam grandes “corsos” de Carnaval, organizados pelo empresário do Coliseu do Porto, Sr. Rocha Brito, aos quais a cidade deve os momentos mais relevantes das festividades carnavalescas, facto que não tenho visto relembrar e realçar, o que consideraria ser digno de registo na “memória” desta urbe; a diferença, em relação ao acima descrito, é que a maioria da população apenas assistia. Mas, não deixava e dar um ar de festa e animação à cidade. As janelas e varandas das ruas por onde circulava o desfile, enchiam-se de gente que despejava “confetis” e “serpentinas” e, nas ruas havia autenticas “batalhas-campais” entre os que desfilavam e os que assistiam. Era giro !
Havia grande desfiles com carros alegóricos para gente jovem crescida e, também, festas para crianças, também organizadas pelo mesmo empresário e Patrocínio da Sr.ª D. Maria Borges, no Coliseu ou no Rivoli, com concurso de trajes que conferia direito à atribuição do título de “príncipe do Carnaval !
Algumas destas festas eram animadas pelo elenco do “Rádio Clube Infantil”, cujo espectáculo era organizado e dirigido pela Sr.ª. D. Emília Resende (mãe do já falecido, maestro Resende Dias e do bem conhecido Mestre Júlio Resende) que tinha “engenho e arte” para fazer de crianças, verdadeiros “artistas de palmo e meio”.
Efectivamente, graças às pessoas referidas, o Carnaval era um acontecimento relevante da cidade; tinha nível !

Hoje a “globalização” chegou, também ao Carnaval ! O que se vê, com grande destaque, nos noticiários televisivos (e para quem tenha, ainda, paciência), são arremedos miméticos do “carnaval à brasileira” !
Só que no Brasil, a maioria da população também participa e os “mirones” são, na maioria, os turistas; a fantasia não é muito imaginativa, explorando a sexualidade e o erotismo primário, o que poderá ter alguma desculpa numa cultura de um país (dito) subdesenvolvido, e estimulado por um calor quase tropical!

Copiar cá o que de pior tem o Carnaval de lá, com “piquenas” em trajes mais que reduzidos e “fio dental”, a tiritar com um frio de rachar (o que, só por acaso, não é o que se passa este ano), parece-me simplesmente ridículo: não passa de um aproveitamento grosseiro e grotesco do que há de mais primário no ser humano servindo, oportunistamente, para divulgar e banalizar comportamentos e atitudes que, como se diz agora, são “fracturantes” e chocantes.
Não sou contra o Carnaval, mas o genuíno; com este espectáculo, não me divirto nada !
Genuíno e divertido foi o que vivi há dois anos, mas longe daqui, infelizmente.


MG 22.02.2009

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

UM NOVO "CRIME" !

Aprendi ontem, ao assistir ao “prós e contras” que se inventou um novo delito grave: a “homofobia” !
A ala defensora do (chamado) “casamento homossexual”, vindo com a lição bem preparada, esgrimiu, como “arma de arremesso” esta nova acusação: um atentado às “sagradas” liberdades e igualdades; fiquei com a sensação que de que a ala oposta, não preparada para este argumento, apanhada desprevenida, vacilou com a preocupação de evidenciar a sua preocupação de não “segregar” ninguém (o que será, certamente, verdade para quem tem uma cultura humanista), desviando-se a discussão do cerne da questão, que parecia ser o objectivo pretendido pelos primeiros.
Homofobia é um “medo” (irracional, instintivo » portanto, natural) provocando repulsa, aversão ou ódio contra os homosexuais, de que poderá resulta de atitudes ou comportamentos de rejeição ou segregação de pessoas. Levanta-se, assim, a questão de ser um atentado aos “direitos, liberdades e garantias” de pessoas, em geral, e muito mais, se não se consideram “anormais”.

A primeira questão é saber o que é uma “pessoa normal”. Usando uma terminologia técnica relativamente recente e sem recorrer à “curva de Gauss”, o indivíduo “médio” (numa certa característica) é aquele que tem um “percentil” 50: há 50% acima e 50% abaixo. São os que apresentam um maior número de ocorrências, valor que diminui muito quando nos afastamos do “valor médio” (curva em forma de sino), sendo “normais” os que se situam na zona central, com desvios pequenos em relação ao “padrão-médio”, a que correspondem a maioria de ocorrências; são tanto mais “anormais” quanto maiores são os desvios, sendo a sua percentagem sempre reduzida. Tal análise aplica-se a tudo: ao QI, ao peso, à altura ou a quaisquer outras características. Ninguém, sendo normal, corresponde ao “padrão” (alto, loiro e de “olhos azuis” !) em tudo: uns são gordos, outros baixos; uns vêm mal, outros são surdos ! Os que ultrapassam o “desvio padrão”, começam a ter alguma grau de “anormalidade” ou “deficiência” !

A segunda questão será considerar se tais indivíduos podem ou devem ser descriminados ? Sendo inevitável (e natural) que a sua vida social e profissional seja afectada por tal “desvio”, deverá haver um esforço para minimizar tal descriminação; pretender que são “todos iguais”, é pura demagogia e populismo ! Segregar, nunca ; todos e, especialmente quem tem limitações; merecem e necessitam de ser respeitados e do maior carinho e atenção.

Mas, uma coisa é não ser perfeitamente “normal”, e outra, cultivar a aberração; respeitar as pessoas não significa aceitar e incentivar a asneira.
Impressionou-me imenso uma reportagem que vi há já algum tempo sobre “acasalamentos” de “deficientes mentais” e das consequências, especialmente nas reacções e comportamentos de filhos (por vezes, “normais”) resultantes de tais “relações”; a mensagem era parecida: a defesa das “igualdades” (dos diferentes !) e a “beleza” animal de tais relacionamentos e do respeito aos seus “direitos” ! Na peça eram feitos enormes “marabalismos” para provar que tal não afectava apreciavelmente as crianças, sendo evidentes os seus traumas: encobriam, junto de colegas e amigos, a sua origem, evitando a companhia dos progenitores; não deve ser fácil ! No entanto, a peça condenava a sociedade que os segregava ! Não valerá a pena alongar-nos !

Voltando à homofobia, a mesma é normal e natural. Não tenhamos medo das palavras !
É tão natural como a repulsa (instintiva) pelos leprosos ou portadores de Sida ! É uma questão de “defesa natural”; não é crime !
Crime, é cultivar a aberração e incentivá-la com desculpa esfarrapadas, aparentemente com motivações que nada tem a ver com a felicidade efectiva das pessoas !

Parece ser de admitir que a “tendência sexual” siga a “distribuição de Gauss”, havendo uma maioria que se situa dentro dos padrões normais, tendo sido, sempre uma minoria que sai fora, não sendo imperioso que adopte e “assuma” opções homosexuais; só segue tal opção, ou de outros “comportamentos desviantes”, quem tenha uma concepção primária e redutora da “sexualidade humana” e uma visão hedonista da felicidade, pondo o sexo ao serviço do “prazer” (que é legítimo e natural como estímulo sexual para os objectivos reais da “sexualidade humana”). Considero tal opção uma perversão anti-natura indefensável e inaceitável e, conforme afirmei no anterior comentário, admiro os que superam, aceito e respeito os que não conseguem (discretamente), rejeito os que o defendem e condeno ao que o promovem, levando a aderir, por moda, quem não tenha para tal qualquer justificação fisiológica !
A denuncia e rejeição da perversidade não exclui a compreensão e apoio às pessoas, mesmo as que, sendo “normais”, se consideram no direito de fazer opções anormais ! Essa é, e deve ser, não só a posição da Igreja, que só acusa quem continua imbuído de um “anti-clericalismo primário”, como de qualquer outra instituição com princípios e objectivos humanistas: não condenar nem rejeitar pessoas (essa deve ser a atitude de quem consegue superar a natural e espontânea reacção de “homofobia”, o que é mais fácil para “almas de eleição”, como a Madre Teresa de Calcutá), mas denunciar o erro.

Quando não há razão, vem-se esgrimir com os “sagrados princípios” da Revolução Francesa, com as suas utopias demagógicas: “igualdade” (não existiu nunca, nem seria justa; só a de oportunidades!), “liberdade” (que não há, pois todos dependemos de todos e do “meio”!) e “fraternidade” (só decorrente da percepção de “um outro Amor”, que Cristo – o “revolucionário”- veio, propor e pregar, e nunca alcançável pelas modernas “lutas”).
Não tenhamos medo da palavras e,…
haja bom-senso !


MG 17.02.2009