Será a Fé um “dom” ?
É frequente ouvir-se referir a existência de uns “privilegiados” que tiveram o “dom da fé”. A fé seria, portanto, algo de ocorrência aleatória, dificilmente acessível, distribuída de forma arbitrária por um Deus discricionário e selectivo ! Lá se vai a “justiça divina” !
Se a tal concepção corresponde uma atitude de veneração pelos “santos” (os tais “escolhidos”), outras vezes tem a mesma um tom depreciativo e traduz sempre a convicção de que tal “dom” não é para o “comum dos mortais”, que têm que resolver os problemas reais do dia-a-dia.
Tal concepção, que sempre rejeitei por implicar uma concepção de um Deus injusto e arbitrário, revela também uma percepção deturpada do que seja ter fé. Para quem assim pensa, ter fé traduz uma atitude resignada de aceitação passiva de qualquer coisa que "cai do céu" e que transcende a nossa vontade e compreensão: ter fé será acreditar, ingenuamente, no irracional ! É um atentado à inteligência, ou melhor, ao intelecto !
Este será o primeiro preconceito a ultrapassar: ter fé é, pelo contrário, ter a certeza, é estar profundamente (e racionalmente) convicto da “verdade em que se acredita”. Tal implica ter convicções claras e esclarecidas alicerçadas num profundo e profícuo trabalho intelectual de estudo e pesquisa.
A fé verdadeira, que nada tem a ver com superstição, não deverá ser, portanto, uma “fezada” ou uma “crendice” duns pobres coitados, “pobres de espírito” ! Não me estou a referir à “fé do cavador”, que não menosprezo e é, muitas vezes, bem menos superficial e mais séria que a de muita gente dita “civilizada” e culta; cada um deverá ter uma fé esclarecida e consistente, ao nível das suas capacidades e formação intelectual; o caricato e lamentável é haver gente muito “letrada” e elevada formação académica, que se contenta em continuar com a sua formação religiosa a nível da catequese infantil !
A fé é, efectivamente, um “dom”, como todos os outros dons que Deus prodigamente disponibilizou para dotar a “espécie humana”: dons materiais (capacidades físicas, mentais, bens variados, etc.), e espirituais (sensibilidade, criatividade e imaginação, discernimento e raciocínio lógico, diversa vocações, etc.); o primeiro dom, é o da vida, especialmente se vivida “em abundância” (de virtudes) !
A todos Deus dá os “talentos” necessários e o que nos é pedido é que os “façamos render”, numa desejável evolução pessoal e ao serviço dos outros; cada um deverá dar o “seu máximo”, sem se contentar com um relativismo medíocre de se comparar com o “vizinho do lado”. Para os Cristãos, o único “modelo” de referência é Cristo; por isso, o nosso esforço de ascese não terá limite !
À semelhança das outras capacidades, também a fé se pode consolidar; é um caminho a percorrer; é uma escalada a efectuar, determinadamente, para nos aproximarmos do “cume” que se deseja alcançar. Ninguém nasce “campeão olímpico” e admitindo que todas as potencialidades ocorrem segundo o que se chama em estatística de “distribuição normal”, representada pela “curva de Gauss”, a maioria dos indivíduos é capaz de alcançar as “marcas” normais, se não se deixar ficar a “engordar no sofá”; tive a experiencia de verificar que todos os alunos podem tirar 15 valores (marca normal), mesmo os menos dotados, mas esforçados (marrões !), como os mais “reguilas”, com pouco esforço. Apenas os reguilas e, simultaneamente, trabalhadores e esforçados atingiam ou superavam a “fasquia” dos 18 ! O mesmo acontece com a fé que se alimenta pelo estudo e reflexão e por uma atitude perseverante de coerência de vida e pela consequente prática das virtudes (de que hoje não é moda falar !).
Mas constata-se haver muita gente que diz não ter fé e não ter necessidade da religião !
Creio bem que a falta de fé de muitos resulta da imagem redutora que transmitimos de uma religiosidade formalista, ritualista, infantil e inconsequente; constata-se, frequentemente, haver gente dita sem fé com comportamentos e estilo de vida mais construtivos que os de outros que se dizem crentes, vivendo de forma impensada e incoerente com princípios que dizem defender ! É o seu mau testemunho que leva os primeiros a considerar que não tem necessidade de tal religiosidade, não se apercebendo que uma “religião séria” fornece o alicerce e fundamento filosófico duma ética (conjunto de princípios e valores) de que decorre a moral (conjunto de regras) que, afinal, consideram a mais adequada e pretendem defender e que, sem a tal fundamentação, não conseguem transmitir às gerações seguintes imbuídas, em grande parte, pela influencia duma sugestiva cultura materialista e hedonista.
Grande responsabilidade, portanto, dos “crentes”:
“ai de vós, se fordes motivo de escândalo” !
Sou levado, assim, a concluir que, sendo a fé um dom acessível a todos, só não tem fé, quem não está receptivo ou motivado e, portanto, não quer !
E pode não querer ou por inércia ou ignorância (quem ande distraído ou ofuscado pelo “ruído” duma civilização massificada, alimentada por uma “máquina” deliberadamente organizada para manter as gentes anestesiadas e distraídas - dantes dizia-se que eram os “3 efes” e, agora, é ainda pior !), ou por casmurrice (variante negativa de “teimosia”, de quem se mantém obstinada por opções ideológicas “desviantes”, cujos resultados estão bem à vista, infelizmente !) ou, o que é mais grave, na defesa de “interesses” (inconfessados, geralmente com “bandeiras” políticas a disfarçar reais interesses financeiros !).
Uma coisa se me afigura ser certa: a todos Deus dá “oportunidades” ao longo da vida; nem poderia ser doutra forma ! Cada qual interprete os sinais e tire as devidas ilações. Os “ramos” que não derem fruto, terão o destino que escolheram; e isso será justo !
Grande lição de verdadeira fé, a da narrativa do Evangelho de Domingo passado: os amigos do paralítico, empenhados em o lavar a Cristo para o curar, não hesitaram face às dificuldades que impediam de o fazer chegar perto; certos que Cristo o curaria (fé !) e determinados, içaram-no para o telhado, fizeram uma abertura e desceram a maca suspensa com cordas. Deve ter sido uma cena espantosa !
Como o Mundo seria diferente se, perante as adversidades, tivéssemos a fé do tamanho do “grão de mostarda” e fossemos perseverantes (variante positiva da tal teimosia) e “removêssemos montanhas” e nunca desistíssemos do projecto de levar todos os “doentes” ao único “caminho de cura” efectiva !
MG 27.02.2009
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
O poder do "querer" !
O poder do “querer” !
Desde há já muitos anos que me deixei fascinar pelo potencial das capacidades “parapsicológicas” do ser humano. Pelos princípios dos anos sessenta assisti a uma muito interessante conferência feita por um Padre Franciscano, professor da matéria numa Universidade brasileira, que me despertou grande curiosidade sobre o assunto. Algumas conversas posteriores sobre o tema, com relatos de estranhos fenómenos “paranormais” feitos por pessoas que considero credíveis, deixaram-me sempre numa atitude de prudente respeito sobre estes assuntos. Fenómenos como empatia, telepatia e premunições começavam a ser, tanto quanto ia sabendo, observados já pela comunidade científica.
Afigura-se-me pouco sensata a atitude de quem se afirma “superior a essas coisas”, rejeitando a sua análise por preconceitos redutores e obscurantistas ! Estou como o espanhol que dizia:
“yo no creo en brujas, pero haberlas,… las hay” !!
Circunstâncias da vida levaram-me a, muito mais tarde, ter de acompanhar o tratamento de pessoas padecendo de estados depressivos profundos, tratadas até então pela nossa “medicina tradicional”, no foro da psiquiatria, sem qualquer sucesso e permanecendo com graves sequelas. Casualmente, (e há muito quem defenda que nada acontece por acaso !) deparou-se-me oportunidade de descortinar terapias alternativas, algumas baseadas em medicinas ancestrais e o facto é que (sem entrar em pormenores, que não interessam para o tema) tais pessoas, libertadas das “drogas” anteriormente usadas e tratadas por outros meios, se curaram rapidamente ! Familiarizei-me, então, com técnicas de “meditação”, aprendi “reiky”, recorreu-se à “homeopatia” e percebi no que consistia a chamada visão “holística” do comportamento do corpo humano e o seu equilíbrio com o emocional e espiritual. Constatei que tais ensinamentos, não colidindo com as minhas convicções religiosas, só me ajudaram a “crescer” espiritualmente, dando uma perspectiva duma vivencia mais adulta e responsável. Para mim, as análises “esotéricas”, fornecendo “pistas” e “ferramentas” da maior utilidade, podem e devem ser estudadas com atenção e respeito, e nunca ignoradas ou menosprezadas; o importante é estar-se atento, e ter o discernimento de “distinguir o trigo do joio”.
Apercebi-me, então, ainda na fase de tratamento com a tal medicina tradicional, que alguns médicos sabiam já das capacidades do “poder da mente”; só que não as utilizavam nas suas terapias, continuando apenas a recorrer aos fármacos ! Simplesmente, imperdoável !
Vai sendo cada vez mais divulgada a técnica da “programação neuro-linguística” (PNL), como forma de treinar e desenvolver as tais “capacidades da mente”.
A reflexão pessoal que fui fazendo ao longo deste percurso levou-me a intuir que, ainda mais importante e eficaz que o tal “poder da mente”, o é o “poder do espírito”, concretizado no “poder do pensamento” e no “poder da vontade”. Afigura-se-me da maior importância clarificar o que pretendo transmitir, referindo ideias que começam a ser correntes e a ser adoptadas pela cultura actual.
Assim, é já frequente encontrar quem defenda que quem deseje profundamente uma coisa, o consegue: tal coisa “acontece” ! O importante é desejar com força ! A minha experiencia pessoal leva-me a estar, cada vez mais, convicto de tal realidade.
Começou também a entrar na gíria, muito por influência da cultura das telenovelas brasileiras, expressões como “pensamento positivo” (para estimular alguém a ter uma atitude construtiva perante as circunstancias da vida), bem como “vire para lá essa boca” (para contrariar a de alguém que só dá “mau tempo” !). Será isto infantilismo supersticioso, ou corresponderá a uma constatação realista das nossas capacidades subconscientes ?
O facto é que cada vez mais se recorre a “técnicas de relaxamento” (usadas no Yoga, por exemplo) e “exercícios de concentração” (nas “artes marciais”), em que se exercitam e desenvolvem as capacidades de controlar o corpo, através da mente, “centrando” a atenção nas várias partes do corpo, imaginando a sua “visualização” (como forma de aí concentrar a atenção) e “dirigir as energias” sobre si, forma de “querer” atingir determinado resultado. No reiky, o poder de “cura” das mãos (associado a uma inegável sensação de bem-estar) parece decorrer do esforço consciente de concentração do “pensamento dirigido” (pelas mãos) com determinado “alvo”; o efeito será reforçado se o “paciente” estiver numa atitude receptiva e de colaboração activa, centrando também, conscientemente, o seu pensamento na “recepção” dessa energia para o efeito desejado. A “cura” é potenciada se houver uma atitude de adesão interior; geralmente quem recorre a tais terapias já está, previamente, “convertido” !
Sendo este o “poder do espírito” (potenciando as capacidades da mente com as da “alma”, ou “centelha divina” e “eu profundo”- como chamam os não cristãos), este transcende-o, embora integrando-o; abre-se a cortina para se perceberem todos os fenómenos transcendentais e paranormais. Só se percebe numa perspectiva espiritual, embora seja necessário estar de consciência desperta e atenta e de vontade empenhada! Mas é importante, também, ter consciência de que este poder pode ser bom ou mau ! Pode ser usado, com amor (no sentido genuíno) e altruísmo, para “curar”, ou com ódio e egoísmo, para destruir. Alerto que será bom não ignorar esta realidade e saber lidar com ela, quer para ajudarmos, quer para nos defendermos de terceiros, “amigos da onça” ! Acredito, pois, que se há “magia branca”, há também, infelizmente, “magia negra” . Há gente para tudo !
Então, qualquer um pode fazer “milagres” ? Os milagres são uma coisa banal e acessível ?
Considero que só são reconhecidos como tal ocorrências verdadeiramente extraordinárias, apenas acessíveis pela força do “Espírito Santo” (ou, opostamente, do “espírito do Mal”, ou como lhe queiram chamar !). É o caso dos muitos realizados por Cristo (o “Deus Encarnado”, possuído pelo “Espírito Santo”) e por todos (apóstolos e discípulos) que ajam em Seu nome e animados pelo mesmo Espírito. O primeiro grande milagre foi Deus ter dotado a “espécie humana” com tal capacidade, que nenhuma outra possui !
Creio poder concluir-se, assim, que há um “poder” efectivo dos gestos feitos de forma deliberada e consciente, para além do seu valor simbólico e que os mesmos podem ter, ainda um “poder infinito”, quando potenciados por um “sacramento” (“sinal sensível” e eficaz (!) duma “graça” específica); a “graça” será a “contribuição” do “Deus-Espírito” para a eficácia do “poder da mente” e resulta da “conquista” de Cristo para redimir a humanidade: a sua Paixão e Morte foram o “preço” para a Ressurreição e “resgate” da humanidade, através dos Sacramentos que veio instituir: a humanidade tem uma “ferramenta” e uma ajuda para se “curar”, se quiser !
Esta é a grande força do “poder de querer”, se usado de forma consciente e lúcida.
Tenho conhecimento de relatos vários de curas de cancros (incipientes) decorrentes de uma mudança radical de “estilo de vida” e de atitude perante o “sentido da vida”. Creio que isto pode ser muito interessante !
Fico muito contristado quando deparo (frequentemente, infelizmente !) com Sacerdotes a fazer, como mercenários, “rituais” com ar distraído, de quem não está a pôr, minimamente, as suas capacidades humanas no gesto ! Será que não estão conscientes, porque não sabem da importância do que estão a fazer ? Não aprenderam, ou já esqueceram ?
Desculpa-se o jogador de futebol que esboça, num misto de superstição, um gesto superficial e dissimulado. Não sabe mais ! Que diferença para o gesto solene de quem o faz com consciência ! Não é mal que o jogador (ou o mau aluno que entra no exame com pouca segurança !) se benza: do mal, o menos ! É sinal de que não anda longe do essencial da vida ! Mas, bem melhor seria se o fizesse de forma assumida, com dignidade. Isso seria sinal de uma espiritualidade adulta, esclarecida, exigente, consciente e consequente.
Seria interessante reflectir, a propósito, sobre o valor da oração, especialmente se feita de forma a mobilizar todas as nossas capacidades espirituais; como todas as outras capacidades humanas, esta forma de “poder” pode ser treinada e desenvolvida: “querer, é poder” diz, afinal, a sabedoria popular !
Viria, também, a propósito reflectir sobre a importância do “silêncio”, que esta “sociedade do ruído” parece não querer entender; talvez tal seja deliberado, para alimentar o negócio de quem viva da desgraça alheia.
Julgo que, contrariamente à opinião dos que renegam a existência deste grande poder, a humanidade só teria a ganhar se dele houver consciência e se dele se fizer o uso desejável para “curar” esta decadente civilização, tão enferma.
Este é, portanto, o tal “segredo”: “espírito forte” e, … pensamento positivo !!
MG 24.02.2009
(fim do Entrudo)
Desde há já muitos anos que me deixei fascinar pelo potencial das capacidades “parapsicológicas” do ser humano. Pelos princípios dos anos sessenta assisti a uma muito interessante conferência feita por um Padre Franciscano, professor da matéria numa Universidade brasileira, que me despertou grande curiosidade sobre o assunto. Algumas conversas posteriores sobre o tema, com relatos de estranhos fenómenos “paranormais” feitos por pessoas que considero credíveis, deixaram-me sempre numa atitude de prudente respeito sobre estes assuntos. Fenómenos como empatia, telepatia e premunições começavam a ser, tanto quanto ia sabendo, observados já pela comunidade científica.
Afigura-se-me pouco sensata a atitude de quem se afirma “superior a essas coisas”, rejeitando a sua análise por preconceitos redutores e obscurantistas ! Estou como o espanhol que dizia:
“yo no creo en brujas, pero haberlas,… las hay” !!
Circunstâncias da vida levaram-me a, muito mais tarde, ter de acompanhar o tratamento de pessoas padecendo de estados depressivos profundos, tratadas até então pela nossa “medicina tradicional”, no foro da psiquiatria, sem qualquer sucesso e permanecendo com graves sequelas. Casualmente, (e há muito quem defenda que nada acontece por acaso !) deparou-se-me oportunidade de descortinar terapias alternativas, algumas baseadas em medicinas ancestrais e o facto é que (sem entrar em pormenores, que não interessam para o tema) tais pessoas, libertadas das “drogas” anteriormente usadas e tratadas por outros meios, se curaram rapidamente ! Familiarizei-me, então, com técnicas de “meditação”, aprendi “reiky”, recorreu-se à “homeopatia” e percebi no que consistia a chamada visão “holística” do comportamento do corpo humano e o seu equilíbrio com o emocional e espiritual. Constatei que tais ensinamentos, não colidindo com as minhas convicções religiosas, só me ajudaram a “crescer” espiritualmente, dando uma perspectiva duma vivencia mais adulta e responsável. Para mim, as análises “esotéricas”, fornecendo “pistas” e “ferramentas” da maior utilidade, podem e devem ser estudadas com atenção e respeito, e nunca ignoradas ou menosprezadas; o importante é estar-se atento, e ter o discernimento de “distinguir o trigo do joio”.
Apercebi-me, então, ainda na fase de tratamento com a tal medicina tradicional, que alguns médicos sabiam já das capacidades do “poder da mente”; só que não as utilizavam nas suas terapias, continuando apenas a recorrer aos fármacos ! Simplesmente, imperdoável !
Vai sendo cada vez mais divulgada a técnica da “programação neuro-linguística” (PNL), como forma de treinar e desenvolver as tais “capacidades da mente”.
A reflexão pessoal que fui fazendo ao longo deste percurso levou-me a intuir que, ainda mais importante e eficaz que o tal “poder da mente”, o é o “poder do espírito”, concretizado no “poder do pensamento” e no “poder da vontade”. Afigura-se-me da maior importância clarificar o que pretendo transmitir, referindo ideias que começam a ser correntes e a ser adoptadas pela cultura actual.
Assim, é já frequente encontrar quem defenda que quem deseje profundamente uma coisa, o consegue: tal coisa “acontece” ! O importante é desejar com força ! A minha experiencia pessoal leva-me a estar, cada vez mais, convicto de tal realidade.
Começou também a entrar na gíria, muito por influência da cultura das telenovelas brasileiras, expressões como “pensamento positivo” (para estimular alguém a ter uma atitude construtiva perante as circunstancias da vida), bem como “vire para lá essa boca” (para contrariar a de alguém que só dá “mau tempo” !). Será isto infantilismo supersticioso, ou corresponderá a uma constatação realista das nossas capacidades subconscientes ?
O facto é que cada vez mais se recorre a “técnicas de relaxamento” (usadas no Yoga, por exemplo) e “exercícios de concentração” (nas “artes marciais”), em que se exercitam e desenvolvem as capacidades de controlar o corpo, através da mente, “centrando” a atenção nas várias partes do corpo, imaginando a sua “visualização” (como forma de aí concentrar a atenção) e “dirigir as energias” sobre si, forma de “querer” atingir determinado resultado. No reiky, o poder de “cura” das mãos (associado a uma inegável sensação de bem-estar) parece decorrer do esforço consciente de concentração do “pensamento dirigido” (pelas mãos) com determinado “alvo”; o efeito será reforçado se o “paciente” estiver numa atitude receptiva e de colaboração activa, centrando também, conscientemente, o seu pensamento na “recepção” dessa energia para o efeito desejado. A “cura” é potenciada se houver uma atitude de adesão interior; geralmente quem recorre a tais terapias já está, previamente, “convertido” !
Sendo este o “poder do espírito” (potenciando as capacidades da mente com as da “alma”, ou “centelha divina” e “eu profundo”- como chamam os não cristãos), este transcende-o, embora integrando-o; abre-se a cortina para se perceberem todos os fenómenos transcendentais e paranormais. Só se percebe numa perspectiva espiritual, embora seja necessário estar de consciência desperta e atenta e de vontade empenhada! Mas é importante, também, ter consciência de que este poder pode ser bom ou mau ! Pode ser usado, com amor (no sentido genuíno) e altruísmo, para “curar”, ou com ódio e egoísmo, para destruir. Alerto que será bom não ignorar esta realidade e saber lidar com ela, quer para ajudarmos, quer para nos defendermos de terceiros, “amigos da onça” ! Acredito, pois, que se há “magia branca”, há também, infelizmente, “magia negra” . Há gente para tudo !
Então, qualquer um pode fazer “milagres” ? Os milagres são uma coisa banal e acessível ?
Considero que só são reconhecidos como tal ocorrências verdadeiramente extraordinárias, apenas acessíveis pela força do “Espírito Santo” (ou, opostamente, do “espírito do Mal”, ou como lhe queiram chamar !). É o caso dos muitos realizados por Cristo (o “Deus Encarnado”, possuído pelo “Espírito Santo”) e por todos (apóstolos e discípulos) que ajam em Seu nome e animados pelo mesmo Espírito. O primeiro grande milagre foi Deus ter dotado a “espécie humana” com tal capacidade, que nenhuma outra possui !
Creio poder concluir-se, assim, que há um “poder” efectivo dos gestos feitos de forma deliberada e consciente, para além do seu valor simbólico e que os mesmos podem ter, ainda um “poder infinito”, quando potenciados por um “sacramento” (“sinal sensível” e eficaz (!) duma “graça” específica); a “graça” será a “contribuição” do “Deus-Espírito” para a eficácia do “poder da mente” e resulta da “conquista” de Cristo para redimir a humanidade: a sua Paixão e Morte foram o “preço” para a Ressurreição e “resgate” da humanidade, através dos Sacramentos que veio instituir: a humanidade tem uma “ferramenta” e uma ajuda para se “curar”, se quiser !
Esta é a grande força do “poder de querer”, se usado de forma consciente e lúcida.
Tenho conhecimento de relatos vários de curas de cancros (incipientes) decorrentes de uma mudança radical de “estilo de vida” e de atitude perante o “sentido da vida”. Creio que isto pode ser muito interessante !
Fico muito contristado quando deparo (frequentemente, infelizmente !) com Sacerdotes a fazer, como mercenários, “rituais” com ar distraído, de quem não está a pôr, minimamente, as suas capacidades humanas no gesto ! Será que não estão conscientes, porque não sabem da importância do que estão a fazer ? Não aprenderam, ou já esqueceram ?
Desculpa-se o jogador de futebol que esboça, num misto de superstição, um gesto superficial e dissimulado. Não sabe mais ! Que diferença para o gesto solene de quem o faz com consciência ! Não é mal que o jogador (ou o mau aluno que entra no exame com pouca segurança !) se benza: do mal, o menos ! É sinal de que não anda longe do essencial da vida ! Mas, bem melhor seria se o fizesse de forma assumida, com dignidade. Isso seria sinal de uma espiritualidade adulta, esclarecida, exigente, consciente e consequente.
Seria interessante reflectir, a propósito, sobre o valor da oração, especialmente se feita de forma a mobilizar todas as nossas capacidades espirituais; como todas as outras capacidades humanas, esta forma de “poder” pode ser treinada e desenvolvida: “querer, é poder” diz, afinal, a sabedoria popular !
Viria, também, a propósito reflectir sobre a importância do “silêncio”, que esta “sociedade do ruído” parece não querer entender; talvez tal seja deliberado, para alimentar o negócio de quem viva da desgraça alheia.
Julgo que, contrariamente à opinião dos que renegam a existência deste grande poder, a humanidade só teria a ganhar se dele houver consciência e se dele se fizer o uso desejável para “curar” esta decadente civilização, tão enferma.
Este é, portanto, o tal “segredo”: “espírito forte” e, … pensamento positivo !!
MG 24.02.2009
(fim do Entrudo)
domingo, 22 de fevereiro de 2009
O "carnaval" do "Carnaval à Brasileira"
Há dois anos passei o Carnaval em Dusseldorf e Khol (Colónia, como cá, inexplicavelmente, se chama a esta cidade Alemã !). Gostei tanto que o referi num comentário escrevinhado na altura. Divertimo-nos imenso, embora estivéssemos, quase só, na simples situação de”mirones”, observadores passivos, como quem está de fora e não participando directamente na “festa”.
Constatei, então, que tal sucesso evidenciava duas características importantes:
- toda a gente, praticamente, participava; a população não ia apenas assistir, passivamente, ao que meia
dúzia de “foliões” organizava; quase todos estavam “mascarados” e “fantasiados”, num autêntico
concurso de originalidade, criatividade e imaginação (e alguma irreverência !); a população estava toda
na rua em ameno convívio folgazão, participando activamente na brincadeira, criando um clima de
comunhão popular e alegria sã que lembrava as “festas de S João”, no Porto de antigamente;
- a festa era “genuína”, sem importação ou influência de culturas estranhas e descabidas; não se via nada
que pretendesse imitar os “carnavais à brasileira”; muitos se disfarçavam com vistosas indumentárias,
muitas das quais glosando com políticos e figuras públicas, com irreverência e piada, mas dentro dos
limites do razoável.: isto é “ser civilizado”, sem “macaquear” o que se vê noutros climas !
Sou do tempo em que nesta “invicta” Cidade do Porto o célebre “Clube dos Fenianos” promoviam grandes “corsos” de Carnaval, organizados pelo empresário do Coliseu do Porto, Sr. Rocha Brito, aos quais a cidade deve os momentos mais relevantes das festividades carnavalescas, facto que não tenho visto relembrar e realçar, o que consideraria ser digno de registo na “memória” desta urbe; a diferença, em relação ao acima descrito, é que a maioria da população apenas assistia. Mas, não deixava e dar um ar de festa e animação à cidade. As janelas e varandas das ruas por onde circulava o desfile, enchiam-se de gente que despejava “confetis” e “serpentinas” e, nas ruas havia autenticas “batalhas-campais” entre os que desfilavam e os que assistiam. Era giro !
Havia grande desfiles com carros alegóricos para gente jovem crescida e, também, festas para crianças, também organizadas pelo mesmo empresário e Patrocínio da Sr.ª D. Maria Borges, no Coliseu ou no Rivoli, com concurso de trajes que conferia direito à atribuição do título de “príncipe do Carnaval !
Algumas destas festas eram animadas pelo elenco do “Rádio Clube Infantil”, cujo espectáculo era organizado e dirigido pela Sr.ª. D. Emília Resende (mãe do já falecido, maestro Resende Dias e do bem conhecido Mestre Júlio Resende) que tinha “engenho e arte” para fazer de crianças, verdadeiros “artistas de palmo e meio”.
Efectivamente, graças às pessoas referidas, o Carnaval era um acontecimento relevante da cidade; tinha nível !
Hoje a “globalização” chegou, também ao Carnaval ! O que se vê, com grande destaque, nos noticiários televisivos (e para quem tenha, ainda, paciência), são arremedos miméticos do “carnaval à brasileira” !
Só que no Brasil, a maioria da população também participa e os “mirones” são, na maioria, os turistas; a fantasia não é muito imaginativa, explorando a sexualidade e o erotismo primário, o que poderá ter alguma desculpa numa cultura de um país (dito) subdesenvolvido, e estimulado por um calor quase tropical!
Copiar cá o que de pior tem o Carnaval de lá, com “piquenas” em trajes mais que reduzidos e “fio dental”, a tiritar com um frio de rachar (o que, só por acaso, não é o que se passa este ano), parece-me simplesmente ridículo: não passa de um aproveitamento grosseiro e grotesco do que há de mais primário no ser humano servindo, oportunistamente, para divulgar e banalizar comportamentos e atitudes que, como se diz agora, são “fracturantes” e chocantes.
Não sou contra o Carnaval, mas o genuíno; com este espectáculo, não me divirto nada !
Genuíno e divertido foi o que vivi há dois anos, mas longe daqui, infelizmente.
MG 22.02.2009
Constatei, então, que tal sucesso evidenciava duas características importantes:
- toda a gente, praticamente, participava; a população não ia apenas assistir, passivamente, ao que meia
dúzia de “foliões” organizava; quase todos estavam “mascarados” e “fantasiados”, num autêntico
concurso de originalidade, criatividade e imaginação (e alguma irreverência !); a população estava toda
na rua em ameno convívio folgazão, participando activamente na brincadeira, criando um clima de
comunhão popular e alegria sã que lembrava as “festas de S João”, no Porto de antigamente;
- a festa era “genuína”, sem importação ou influência de culturas estranhas e descabidas; não se via nada
que pretendesse imitar os “carnavais à brasileira”; muitos se disfarçavam com vistosas indumentárias,
muitas das quais glosando com políticos e figuras públicas, com irreverência e piada, mas dentro dos
limites do razoável.: isto é “ser civilizado”, sem “macaquear” o que se vê noutros climas !
Sou do tempo em que nesta “invicta” Cidade do Porto o célebre “Clube dos Fenianos” promoviam grandes “corsos” de Carnaval, organizados pelo empresário do Coliseu do Porto, Sr. Rocha Brito, aos quais a cidade deve os momentos mais relevantes das festividades carnavalescas, facto que não tenho visto relembrar e realçar, o que consideraria ser digno de registo na “memória” desta urbe; a diferença, em relação ao acima descrito, é que a maioria da população apenas assistia. Mas, não deixava e dar um ar de festa e animação à cidade. As janelas e varandas das ruas por onde circulava o desfile, enchiam-se de gente que despejava “confetis” e “serpentinas” e, nas ruas havia autenticas “batalhas-campais” entre os que desfilavam e os que assistiam. Era giro !
Havia grande desfiles com carros alegóricos para gente jovem crescida e, também, festas para crianças, também organizadas pelo mesmo empresário e Patrocínio da Sr.ª D. Maria Borges, no Coliseu ou no Rivoli, com concurso de trajes que conferia direito à atribuição do título de “príncipe do Carnaval !
Algumas destas festas eram animadas pelo elenco do “Rádio Clube Infantil”, cujo espectáculo era organizado e dirigido pela Sr.ª. D. Emília Resende (mãe do já falecido, maestro Resende Dias e do bem conhecido Mestre Júlio Resende) que tinha “engenho e arte” para fazer de crianças, verdadeiros “artistas de palmo e meio”.
Efectivamente, graças às pessoas referidas, o Carnaval era um acontecimento relevante da cidade; tinha nível !
Hoje a “globalização” chegou, também ao Carnaval ! O que se vê, com grande destaque, nos noticiários televisivos (e para quem tenha, ainda, paciência), são arremedos miméticos do “carnaval à brasileira” !
Só que no Brasil, a maioria da população também participa e os “mirones” são, na maioria, os turistas; a fantasia não é muito imaginativa, explorando a sexualidade e o erotismo primário, o que poderá ter alguma desculpa numa cultura de um país (dito) subdesenvolvido, e estimulado por um calor quase tropical!
Copiar cá o que de pior tem o Carnaval de lá, com “piquenas” em trajes mais que reduzidos e “fio dental”, a tiritar com um frio de rachar (o que, só por acaso, não é o que se passa este ano), parece-me simplesmente ridículo: não passa de um aproveitamento grosseiro e grotesco do que há de mais primário no ser humano servindo, oportunistamente, para divulgar e banalizar comportamentos e atitudes que, como se diz agora, são “fracturantes” e chocantes.
Não sou contra o Carnaval, mas o genuíno; com este espectáculo, não me divirto nada !
Genuíno e divertido foi o que vivi há dois anos, mas longe daqui, infelizmente.
MG 22.02.2009
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
UM NOVO "CRIME" !
Aprendi ontem, ao assistir ao “prós e contras” que se inventou um novo delito grave: a “homofobia” !
A ala defensora do (chamado) “casamento homossexual”, vindo com a lição bem preparada, esgrimiu, como “arma de arremesso” esta nova acusação: um atentado às “sagradas” liberdades e igualdades; fiquei com a sensação que de que a ala oposta, não preparada para este argumento, apanhada desprevenida, vacilou com a preocupação de evidenciar a sua preocupação de não “segregar” ninguém (o que será, certamente, verdade para quem tem uma cultura humanista), desviando-se a discussão do cerne da questão, que parecia ser o objectivo pretendido pelos primeiros.
Homofobia é um “medo” (irracional, instintivo » portanto, natural) provocando repulsa, aversão ou ódio contra os homosexuais, de que poderá resulta de atitudes ou comportamentos de rejeição ou segregação de pessoas. Levanta-se, assim, a questão de ser um atentado aos “direitos, liberdades e garantias” de pessoas, em geral, e muito mais, se não se consideram “anormais”.
A primeira questão é saber o que é uma “pessoa normal”. Usando uma terminologia técnica relativamente recente e sem recorrer à “curva de Gauss”, o indivíduo “médio” (numa certa característica) é aquele que tem um “percentil” 50: há 50% acima e 50% abaixo. São os que apresentam um maior número de ocorrências, valor que diminui muito quando nos afastamos do “valor médio” (curva em forma de sino), sendo “normais” os que se situam na zona central, com desvios pequenos em relação ao “padrão-médio”, a que correspondem a maioria de ocorrências; são tanto mais “anormais” quanto maiores são os desvios, sendo a sua percentagem sempre reduzida. Tal análise aplica-se a tudo: ao QI, ao peso, à altura ou a quaisquer outras características. Ninguém, sendo normal, corresponde ao “padrão” (alto, loiro e de “olhos azuis” !) em tudo: uns são gordos, outros baixos; uns vêm mal, outros são surdos ! Os que ultrapassam o “desvio padrão”, começam a ter alguma grau de “anormalidade” ou “deficiência” !
A segunda questão será considerar se tais indivíduos podem ou devem ser descriminados ? Sendo inevitável (e natural) que a sua vida social e profissional seja afectada por tal “desvio”, deverá haver um esforço para minimizar tal descriminação; pretender que são “todos iguais”, é pura demagogia e populismo ! Segregar, nunca ; todos e, especialmente quem tem limitações; merecem e necessitam de ser respeitados e do maior carinho e atenção.
Mas, uma coisa é não ser perfeitamente “normal”, e outra, cultivar a aberração; respeitar as pessoas não significa aceitar e incentivar a asneira.
Impressionou-me imenso uma reportagem que vi há já algum tempo sobre “acasalamentos” de “deficientes mentais” e das consequências, especialmente nas reacções e comportamentos de filhos (por vezes, “normais”) resultantes de tais “relações”; a mensagem era parecida: a defesa das “igualdades” (dos diferentes !) e a “beleza” animal de tais relacionamentos e do respeito aos seus “direitos” ! Na peça eram feitos enormes “marabalismos” para provar que tal não afectava apreciavelmente as crianças, sendo evidentes os seus traumas: encobriam, junto de colegas e amigos, a sua origem, evitando a companhia dos progenitores; não deve ser fácil ! No entanto, a peça condenava a sociedade que os segregava ! Não valerá a pena alongar-nos !
Voltando à homofobia, a mesma é normal e natural. Não tenhamos medo das palavras !
É tão natural como a repulsa (instintiva) pelos leprosos ou portadores de Sida ! É uma questão de “defesa natural”; não é crime !
Crime, é cultivar a aberração e incentivá-la com desculpa esfarrapadas, aparentemente com motivações que nada tem a ver com a felicidade efectiva das pessoas !
Parece ser de admitir que a “tendência sexual” siga a “distribuição de Gauss”, havendo uma maioria que se situa dentro dos padrões normais, tendo sido, sempre uma minoria que sai fora, não sendo imperioso que adopte e “assuma” opções homosexuais; só segue tal opção, ou de outros “comportamentos desviantes”, quem tenha uma concepção primária e redutora da “sexualidade humana” e uma visão hedonista da felicidade, pondo o sexo ao serviço do “prazer” (que é legítimo e natural como estímulo sexual para os objectivos reais da “sexualidade humana”). Considero tal opção uma perversão anti-natura indefensável e inaceitável e, conforme afirmei no anterior comentário, admiro os que superam, aceito e respeito os que não conseguem (discretamente), rejeito os que o defendem e condeno ao que o promovem, levando a aderir, por moda, quem não tenha para tal qualquer justificação fisiológica !
A denuncia e rejeição da perversidade não exclui a compreensão e apoio às pessoas, mesmo as que, sendo “normais”, se consideram no direito de fazer opções anormais ! Essa é, e deve ser, não só a posição da Igreja, que só acusa quem continua imbuído de um “anti-clericalismo primário”, como de qualquer outra instituição com princípios e objectivos humanistas: não condenar nem rejeitar pessoas (essa deve ser a atitude de quem consegue superar a natural e espontânea reacção de “homofobia”, o que é mais fácil para “almas de eleição”, como a Madre Teresa de Calcutá), mas denunciar o erro.
Quando não há razão, vem-se esgrimir com os “sagrados princípios” da Revolução Francesa, com as suas utopias demagógicas: “igualdade” (não existiu nunca, nem seria justa; só a de oportunidades!), “liberdade” (que não há, pois todos dependemos de todos e do “meio”!) e “fraternidade” (só decorrente da percepção de “um outro Amor”, que Cristo – o “revolucionário”- veio, propor e pregar, e nunca alcançável pelas modernas “lutas”).
Não tenhamos medo da palavras e,…
haja bom-senso !
MG 17.02.2009
A ala defensora do (chamado) “casamento homossexual”, vindo com a lição bem preparada, esgrimiu, como “arma de arremesso” esta nova acusação: um atentado às “sagradas” liberdades e igualdades; fiquei com a sensação que de que a ala oposta, não preparada para este argumento, apanhada desprevenida, vacilou com a preocupação de evidenciar a sua preocupação de não “segregar” ninguém (o que será, certamente, verdade para quem tem uma cultura humanista), desviando-se a discussão do cerne da questão, que parecia ser o objectivo pretendido pelos primeiros.
Homofobia é um “medo” (irracional, instintivo » portanto, natural) provocando repulsa, aversão ou ódio contra os homosexuais, de que poderá resulta de atitudes ou comportamentos de rejeição ou segregação de pessoas. Levanta-se, assim, a questão de ser um atentado aos “direitos, liberdades e garantias” de pessoas, em geral, e muito mais, se não se consideram “anormais”.
A primeira questão é saber o que é uma “pessoa normal”. Usando uma terminologia técnica relativamente recente e sem recorrer à “curva de Gauss”, o indivíduo “médio” (numa certa característica) é aquele que tem um “percentil” 50: há 50% acima e 50% abaixo. São os que apresentam um maior número de ocorrências, valor que diminui muito quando nos afastamos do “valor médio” (curva em forma de sino), sendo “normais” os que se situam na zona central, com desvios pequenos em relação ao “padrão-médio”, a que correspondem a maioria de ocorrências; são tanto mais “anormais” quanto maiores são os desvios, sendo a sua percentagem sempre reduzida. Tal análise aplica-se a tudo: ao QI, ao peso, à altura ou a quaisquer outras características. Ninguém, sendo normal, corresponde ao “padrão” (alto, loiro e de “olhos azuis” !) em tudo: uns são gordos, outros baixos; uns vêm mal, outros são surdos ! Os que ultrapassam o “desvio padrão”, começam a ter alguma grau de “anormalidade” ou “deficiência” !
A segunda questão será considerar se tais indivíduos podem ou devem ser descriminados ? Sendo inevitável (e natural) que a sua vida social e profissional seja afectada por tal “desvio”, deverá haver um esforço para minimizar tal descriminação; pretender que são “todos iguais”, é pura demagogia e populismo ! Segregar, nunca ; todos e, especialmente quem tem limitações; merecem e necessitam de ser respeitados e do maior carinho e atenção.
Mas, uma coisa é não ser perfeitamente “normal”, e outra, cultivar a aberração; respeitar as pessoas não significa aceitar e incentivar a asneira.
Impressionou-me imenso uma reportagem que vi há já algum tempo sobre “acasalamentos” de “deficientes mentais” e das consequências, especialmente nas reacções e comportamentos de filhos (por vezes, “normais”) resultantes de tais “relações”; a mensagem era parecida: a defesa das “igualdades” (dos diferentes !) e a “beleza” animal de tais relacionamentos e do respeito aos seus “direitos” ! Na peça eram feitos enormes “marabalismos” para provar que tal não afectava apreciavelmente as crianças, sendo evidentes os seus traumas: encobriam, junto de colegas e amigos, a sua origem, evitando a companhia dos progenitores; não deve ser fácil ! No entanto, a peça condenava a sociedade que os segregava ! Não valerá a pena alongar-nos !
Voltando à homofobia, a mesma é normal e natural. Não tenhamos medo das palavras !
É tão natural como a repulsa (instintiva) pelos leprosos ou portadores de Sida ! É uma questão de “defesa natural”; não é crime !
Crime, é cultivar a aberração e incentivá-la com desculpa esfarrapadas, aparentemente com motivações que nada tem a ver com a felicidade efectiva das pessoas !
Parece ser de admitir que a “tendência sexual” siga a “distribuição de Gauss”, havendo uma maioria que se situa dentro dos padrões normais, tendo sido, sempre uma minoria que sai fora, não sendo imperioso que adopte e “assuma” opções homosexuais; só segue tal opção, ou de outros “comportamentos desviantes”, quem tenha uma concepção primária e redutora da “sexualidade humana” e uma visão hedonista da felicidade, pondo o sexo ao serviço do “prazer” (que é legítimo e natural como estímulo sexual para os objectivos reais da “sexualidade humana”). Considero tal opção uma perversão anti-natura indefensável e inaceitável e, conforme afirmei no anterior comentário, admiro os que superam, aceito e respeito os que não conseguem (discretamente), rejeito os que o defendem e condeno ao que o promovem, levando a aderir, por moda, quem não tenha para tal qualquer justificação fisiológica !
A denuncia e rejeição da perversidade não exclui a compreensão e apoio às pessoas, mesmo as que, sendo “normais”, se consideram no direito de fazer opções anormais ! Essa é, e deve ser, não só a posição da Igreja, que só acusa quem continua imbuído de um “anti-clericalismo primário”, como de qualquer outra instituição com princípios e objectivos humanistas: não condenar nem rejeitar pessoas (essa deve ser a atitude de quem consegue superar a natural e espontânea reacção de “homofobia”, o que é mais fácil para “almas de eleição”, como a Madre Teresa de Calcutá), mas denunciar o erro.
Quando não há razão, vem-se esgrimir com os “sagrados princípios” da Revolução Francesa, com as suas utopias demagógicas: “igualdade” (não existiu nunca, nem seria justa; só a de oportunidades!), “liberdade” (que não há, pois todos dependemos de todos e do “meio”!) e “fraternidade” (só decorrente da percepção de “um outro Amor”, que Cristo – o “revolucionário”- veio, propor e pregar, e nunca alcançável pelas modernas “lutas”).
Não tenhamos medo da palavras e,…
haja bom-senso !
MG 17.02.2009
domingo, 15 de fevereiro de 2009
"Casamento" homosexuais !
AQUI HÁ GATO !!
Parece ser uma evidencia incontestável que, em coerência com a bipolaridade de todo o cosmos, também em toda a natureza se verifica que em todas as espécies, quer vegetais, quer animais, há 2 sexos (macho e fêmea), sendo ambos sexualmente diferentes e diferenciados e complementares, visando apenas a “preservação da espécie”.
O ser humano é dotado de capacidades especialmente desenvolvidas e, até, únicas; se encontramos forma elementares de memória e inteligência e de manifestações afectivas noutras espécies, como todos sabemos, o facto é que os cães, os elefantes e os golfinhos fazem agora o mesmo de sempre ! Só o homem tem a capacidade de pensar e criatividade para inovar !
Assim, no ser humano a tal complementaridade sexual deve considerar não só a simples diferenciação fisiológica, mas também os aspectos afectivo e emocional, cognitivo e mental e, até, de espiritualidade; o ser humano é sexuado em todas estas vertentes ! É bem sabido como o homem e a mulher são diferentes em todos estes aspectos ! Até se sabe que o cérebro é diferente, sendo num mais desenvolvido o lóbulo esquerdo e, noutro, o direito. Reduzir a “sexualidade humana” à genitalidade, é verdadeiramente redutor !
A sexualidade, na espécie humana, visa uma “comunhão integral de vida”, de corpos e de almas, em que a doação física resulta como seu corolário natural.
Assim, casar é “encaixar” todos os aspectos das personalidades dos cônjuges.
Esta é a diferença essencial sobre o conceito de “casamento”, e a “educação sexual” deveria ser a preparação para este “amor conjugal”.
Amar, no sentido correcto, é estar em comunhão de afectos, de gostos, de projectos, de objectivos, de opções e de ideais, até mesmo, de crenças (políticas, religiosas ou futebolísticas!). Esta é a base da boa e essencial “harmonia conjugal”. Só a “atracção física” é curto e efémero: a casa é construída na areia ! Amar (ágape) é ainda e sempre, estar atento, disponível e empenhado em tudo fazer pela felicidade e realização integral do ser amado; é dar-se generosamente e dar a vida por esse objectivo. A manifestação física da entrega amorosa (eros) terá toda a grandeza, beleza, dignidade e expressão como consequência duma “comunhão de almas”; o “amor conjugal” (manifestação e expressão mais completa do Amor de Deus (Paulo VI- ENS 1970) não exclui nem desvaloriza o sua manifestação física, antes lhe dá a sua máxima realização.
Tudo isto se baseia em simples considerações decorrentes apenas da tal natureza humana, mesmo sem necessidade de recorrer a outras congeminações teológicas !
Mas não é isso que se ensina, nem o que se aprende nas telenovelas ! E o resultado está bem à vista !
A perversidade está, portanto, em reduzir (repito) a relação conjugal à relação física e, especialmente, fixar como objectivo o prazer que lhe está associado. O prazer, legítimo, desejável e saudável deverá ser percebido como um estímulo (que a natureza cria para a preservação da espécie) e não como um fim (o fim único !), tanto alimentado por uma cultura hedonista: considerar o prazer como objectivo primeiro reduz a “sexualidade humana” ao sexo animal e deturpa-a; o fim da genitalidade deixa de ser para procriação, mas “curtir”: é o gozo !
Tal concepção do sexo justifica e conduz a relações superficiais, efémeras, inconsequentes e irresponsáveis, contrariando o que seria normal e desejável e de acordo com a “natureza humana” e a sua consequente exigência e anseio de realização integral; são relações pobres, repetitivas e monótonas pelo que facilmente degradáveis e definháveis, esvaziadas rapidamente de significado e perdendo o estímulo da novidade e a graça do “fruto proibido”. Julgo ser esta a causa principal do moderno fracasso das relações conjugais, causa de instabilidade das instituições familiares naturais, com todas as dramáticas consequências conhecidas para o equilíbrio dos casais, dos cônjuges e para a vida (em todos ao aspectos) das crianças, com que a sociedade finge estar muito preocupada !
Quando se percebe que “casar” se não reduz a “acasalar”, e concluindo-se que a natureza está concebida para a tal relação integral, mantendo a função original da fecundidade da genitalidade, é-se levado a concluir que as relações intencionalmente não fecundas são um desvio do plano natural, ou seja, são contra-natura ! Excluímos, como é evidente, o caso de infecundidade involuntária. Nos casos normais, a gestão da fecundidade deve ser analisada duma forma séria e generosa, numa óptica da chamada “paternidade consciente e responsável” e nunca numa perspectiva egoísta de satisfação dos apetites pessoais, como é interpretado usualmente no chamado “controlo da natalidade”.
A 1ª fase do processo de dissolução dos costumes começou, de mansinho, com a liberalização do uso da “pílula”, favorecendo a vulgarização de relações extra-matrimoniais; segue-se a facilitação do divórcio e aceitação das “uniões de facto”, pretendo atribuir-se-lhes um estatuto social equivalente ao do casamento que, mesmo civil, confere uma estabilidade e responsabilidade social já respeitável. Para agravar a situação há quem venha agora pretender conferir idêntica dignidade a uniões homosexuais ! Ora resulta do referido atrás que casamento, só se pode entender entre pessoas de sexo diferente; qualquer associação de pessoas de igual sexo, mesmo envolvendo uma relação de amizade profunda, nunca será um casamento ! Amizade não é o mesmo que amor (ágape +eros), mesmo que envolva o que se designa correntemente por “paixão” que não passe duma pura satisfação (egoísta) do prazer.
Sempre houve casos de pessoas que nascem com tendências sexuais mal definidas, facto que se compreende e respeita; tal não significa que se “assumam” como homosexuais ! São frequentes as situações de pessoas que, apesar disso, constituem famílias normais ou de, em casos mais evidentes, se remeterem a uma condição de celibato, sem quaisquer complexos ou traumas. Só vive traumatizado quem tenha uma obsessão doentia pelo sexo primário (e apenas virado ao prazer físico), não tendo capacidade mental para superar esse instinto animal !
Todas as aberrações surgem quando o sexo é considerado uma “necessidade” e se confunde felicidade com prazer e gozo ! Face à banalização das relações heterossexuais inconsequentes e irresponsáveis, as mesmas perdem sabor pelo que a procura do prazer justifica a busca de alternativas que confiram nova “adrenalina” às relações e, então,… vale tudo !
Na mesma medida em que admiro os casos de quem ultrapassa tal desvio, fazendo vida normal sem recalcamentos, aceito (e respeito) quem não tenha tal capacidade; estou convicto que são uma percentagem reduzida, como sempre foram. Rejeito a consideração de tal prática como sendo normal e socialmente aceitável, um “direito à diferença” em que embarca gente acrítica e manipulável pelas modas e condeno veementemente quem o “assume” apenas por extravagância injustificada.
Sendo um fenómeno que proliferou muito para além do que os “desvios naturais” poderiam justificar, tal explosão só se entende por um processo de manipulação de massas que nada tem a ver com a defesa de direitos legítimos e razoáveis e, muito menos, com a preocupação com a felicidade efectiva das pessoas.
Afigura-se-me, portanto, que tudo isto é um negócio escandaloso: a degradação dos costumes e a consequente instabilidade familiar e crise da juventude proporcionam um”caldo” ideal para o fomento de vícios e “dependências”; a instabilidade social provoca miséria física e moral, gerando uma mole facilmente manipulável para servir os interesses politiqueiros e de certo tipo de empresários que enriquecem facilmente à custa do sofrimento das vítimas incautas. Tudo isto é alimentado por uma certa “comunicação (dita) social” que se aproveita do sensacionalismo para vender publicidade. Tudo isto é tão absurdo e ilógico que a sua proliferação só se entende na medida em que alimente grandes interesses financeiros e políticos.
Parece-me suficientemente elucidativo constatar que são as mesmas vozes que defendem a liberalização do divórcio que (não sendo de gente crente) tanto fingem preocupar-se com o casamento dos padres e com a igualdade de estatuto das “uniões-de-facto” e, agora, das uniões homosexuais ! Nada disto, sendo coerente como estratégia, faz sentido lógico.
Mais condeno ainda e, portanto, repudio quem se serve da ingenuidade e insensatez de gente vulgar, sem valores nem princípios, para fins inconfessados.
Aqui há gato ! Cheira-me, mesmo, a esturro !
MG 31.10.2008
Parece ser uma evidencia incontestável que, em coerência com a bipolaridade de todo o cosmos, também em toda a natureza se verifica que em todas as espécies, quer vegetais, quer animais, há 2 sexos (macho e fêmea), sendo ambos sexualmente diferentes e diferenciados e complementares, visando apenas a “preservação da espécie”.
O ser humano é dotado de capacidades especialmente desenvolvidas e, até, únicas; se encontramos forma elementares de memória e inteligência e de manifestações afectivas noutras espécies, como todos sabemos, o facto é que os cães, os elefantes e os golfinhos fazem agora o mesmo de sempre ! Só o homem tem a capacidade de pensar e criatividade para inovar !
Assim, no ser humano a tal complementaridade sexual deve considerar não só a simples diferenciação fisiológica, mas também os aspectos afectivo e emocional, cognitivo e mental e, até, de espiritualidade; o ser humano é sexuado em todas estas vertentes ! É bem sabido como o homem e a mulher são diferentes em todos estes aspectos ! Até se sabe que o cérebro é diferente, sendo num mais desenvolvido o lóbulo esquerdo e, noutro, o direito. Reduzir a “sexualidade humana” à genitalidade, é verdadeiramente redutor !
A sexualidade, na espécie humana, visa uma “comunhão integral de vida”, de corpos e de almas, em que a doação física resulta como seu corolário natural.
Assim, casar é “encaixar” todos os aspectos das personalidades dos cônjuges.
Esta é a diferença essencial sobre o conceito de “casamento”, e a “educação sexual” deveria ser a preparação para este “amor conjugal”.
Amar, no sentido correcto, é estar em comunhão de afectos, de gostos, de projectos, de objectivos, de opções e de ideais, até mesmo, de crenças (políticas, religiosas ou futebolísticas!). Esta é a base da boa e essencial “harmonia conjugal”. Só a “atracção física” é curto e efémero: a casa é construída na areia ! Amar (ágape) é ainda e sempre, estar atento, disponível e empenhado em tudo fazer pela felicidade e realização integral do ser amado; é dar-se generosamente e dar a vida por esse objectivo. A manifestação física da entrega amorosa (eros) terá toda a grandeza, beleza, dignidade e expressão como consequência duma “comunhão de almas”; o “amor conjugal” (manifestação e expressão mais completa do Amor de Deus (Paulo VI- ENS 1970) não exclui nem desvaloriza o sua manifestação física, antes lhe dá a sua máxima realização.
Tudo isto se baseia em simples considerações decorrentes apenas da tal natureza humana, mesmo sem necessidade de recorrer a outras congeminações teológicas !
Mas não é isso que se ensina, nem o que se aprende nas telenovelas ! E o resultado está bem à vista !
A perversidade está, portanto, em reduzir (repito) a relação conjugal à relação física e, especialmente, fixar como objectivo o prazer que lhe está associado. O prazer, legítimo, desejável e saudável deverá ser percebido como um estímulo (que a natureza cria para a preservação da espécie) e não como um fim (o fim único !), tanto alimentado por uma cultura hedonista: considerar o prazer como objectivo primeiro reduz a “sexualidade humana” ao sexo animal e deturpa-a; o fim da genitalidade deixa de ser para procriação, mas “curtir”: é o gozo !
Tal concepção do sexo justifica e conduz a relações superficiais, efémeras, inconsequentes e irresponsáveis, contrariando o que seria normal e desejável e de acordo com a “natureza humana” e a sua consequente exigência e anseio de realização integral; são relações pobres, repetitivas e monótonas pelo que facilmente degradáveis e definháveis, esvaziadas rapidamente de significado e perdendo o estímulo da novidade e a graça do “fruto proibido”. Julgo ser esta a causa principal do moderno fracasso das relações conjugais, causa de instabilidade das instituições familiares naturais, com todas as dramáticas consequências conhecidas para o equilíbrio dos casais, dos cônjuges e para a vida (em todos ao aspectos) das crianças, com que a sociedade finge estar muito preocupada !
Quando se percebe que “casar” se não reduz a “acasalar”, e concluindo-se que a natureza está concebida para a tal relação integral, mantendo a função original da fecundidade da genitalidade, é-se levado a concluir que as relações intencionalmente não fecundas são um desvio do plano natural, ou seja, são contra-natura ! Excluímos, como é evidente, o caso de infecundidade involuntária. Nos casos normais, a gestão da fecundidade deve ser analisada duma forma séria e generosa, numa óptica da chamada “paternidade consciente e responsável” e nunca numa perspectiva egoísta de satisfação dos apetites pessoais, como é interpretado usualmente no chamado “controlo da natalidade”.
A 1ª fase do processo de dissolução dos costumes começou, de mansinho, com a liberalização do uso da “pílula”, favorecendo a vulgarização de relações extra-matrimoniais; segue-se a facilitação do divórcio e aceitação das “uniões de facto”, pretendo atribuir-se-lhes um estatuto social equivalente ao do casamento que, mesmo civil, confere uma estabilidade e responsabilidade social já respeitável. Para agravar a situação há quem venha agora pretender conferir idêntica dignidade a uniões homosexuais ! Ora resulta do referido atrás que casamento, só se pode entender entre pessoas de sexo diferente; qualquer associação de pessoas de igual sexo, mesmo envolvendo uma relação de amizade profunda, nunca será um casamento ! Amizade não é o mesmo que amor (ágape +eros), mesmo que envolva o que se designa correntemente por “paixão” que não passe duma pura satisfação (egoísta) do prazer.
Sempre houve casos de pessoas que nascem com tendências sexuais mal definidas, facto que se compreende e respeita; tal não significa que se “assumam” como homosexuais ! São frequentes as situações de pessoas que, apesar disso, constituem famílias normais ou de, em casos mais evidentes, se remeterem a uma condição de celibato, sem quaisquer complexos ou traumas. Só vive traumatizado quem tenha uma obsessão doentia pelo sexo primário (e apenas virado ao prazer físico), não tendo capacidade mental para superar esse instinto animal !
Todas as aberrações surgem quando o sexo é considerado uma “necessidade” e se confunde felicidade com prazer e gozo ! Face à banalização das relações heterossexuais inconsequentes e irresponsáveis, as mesmas perdem sabor pelo que a procura do prazer justifica a busca de alternativas que confiram nova “adrenalina” às relações e, então,… vale tudo !
Na mesma medida em que admiro os casos de quem ultrapassa tal desvio, fazendo vida normal sem recalcamentos, aceito (e respeito) quem não tenha tal capacidade; estou convicto que são uma percentagem reduzida, como sempre foram. Rejeito a consideração de tal prática como sendo normal e socialmente aceitável, um “direito à diferença” em que embarca gente acrítica e manipulável pelas modas e condeno veementemente quem o “assume” apenas por extravagância injustificada.
Sendo um fenómeno que proliferou muito para além do que os “desvios naturais” poderiam justificar, tal explosão só se entende por um processo de manipulação de massas que nada tem a ver com a defesa de direitos legítimos e razoáveis e, muito menos, com a preocupação com a felicidade efectiva das pessoas.
Afigura-se-me, portanto, que tudo isto é um negócio escandaloso: a degradação dos costumes e a consequente instabilidade familiar e crise da juventude proporcionam um”caldo” ideal para o fomento de vícios e “dependências”; a instabilidade social provoca miséria física e moral, gerando uma mole facilmente manipulável para servir os interesses politiqueiros e de certo tipo de empresários que enriquecem facilmente à custa do sofrimento das vítimas incautas. Tudo isto é alimentado por uma certa “comunicação (dita) social” que se aproveita do sensacionalismo para vender publicidade. Tudo isto é tão absurdo e ilógico que a sua proliferação só se entende na medida em que alimente grandes interesses financeiros e políticos.
Parece-me suficientemente elucidativo constatar que são as mesmas vozes que defendem a liberalização do divórcio que (não sendo de gente crente) tanto fingem preocupar-se com o casamento dos padres e com a igualdade de estatuto das “uniões-de-facto” e, agora, das uniões homosexuais ! Nada disto, sendo coerente como estratégia, faz sentido lógico.
Mais condeno ainda e, portanto, repudio quem se serve da ingenuidade e insensatez de gente vulgar, sem valores nem princípios, para fins inconfessados.
Aqui há gato ! Cheira-me, mesmo, a esturro !
MG 31.10.2008
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
A crise e as PMEs
Pela oportunidade do tema, incluo o texto abaixo, escrito em tempos e que relembro por muito se falar (para propaganda política !) nos apoios às PMEs para debelar o problema do desemprego.
A questão que colocava no dito texto é de que há um peso excessivo na nossa economia de PMEs de utilidade reduzida ou nula, na economia real.
Considero que a crise actual vai, fatalmente, eliminar o que é supérfulo e não haverá meio, razoavel e sensato, de salvar essas empresas. Sanear a economia poderá ser um proveito decorrente desta enorme crise, bem previsível afinal !
A solução passará, na minha opinião, pela sua reconversão.
Anexo o texto de 14.09.2007.
FALAR VERDADE: o “peso” do Comércio
Defendia o Dr. Lobo Xavier, no último debate da “quadratura-do-círculo”, que os Políticos devem, para terem credibilidade, falar SEMPRE verdade. Não podíamos estar mais de acordo ! Foi tal referido a propósito de o Estado ter que encetar políticas que equilibrem os objectivos de estabilidade das Finanças Públicas, com desenvolvimento económico e de satisfação de objectivos sociais, num contexto duma situação difícil na Europa (e no Mundo em geral) e num ambiente de crise que se sente no País.
Ora, para “falar verdade”, afigura-se-me que esta crise era previsível há muito tempo, face à débil estrutura do nosso tecido empresarial e composição dos sectores de actividade dos nossos agentes económicos. Fui despertado para esta questão com o seguinte episódio, história real que passo a relatar apenas para ajudar a situar o problema.
Um amigo meu de infância, filho de uma abastada família burguesa (classe “média-alta”), não foi educado e estimulado a fazer nada de útil; par além de ter “boas maneiras”, ser jovial e gentil, sempre simpático, não “dava duas para a caixa”; não que fosse menos dotado: era simplesmente preguiçoso e mimado; nunca nada lhe faltava ! Não estou certo que tenha feito a 4ª Classe (como então se designava o exame de “educação primária”) e, se o fez, não terá ido muito mais longe.
Abeirando-se a idade de ter que assumir responsabilidades profissionais e familiares, como não tinha quaisquer habilitações e não sabia fazer nada, foi a questão resolvida pelo Pai,… abrindo um estabelecimento comercial com boa localização, que lhe proporcionasse adequada independência financeira. Assim surgiu mais um “comerciante” e mais uma loja, igual a mais 4 ou 5 do mesmo ramo nas redondezas, e igual a mais milhares já existentes na Cidade !
Ou seja: quem não sabe nada, e não sabe fazer nada, e não tem capacidade de introduzir qualquer “mais-valia” para a economia,… abre uma loja, mesmo que a mesma não venha introduzir o mínimo “valor acrescentado” ao mercado, nesse sector !
O facilitismo com que tal ocorreu deixou-me, então, a pensar, estranhando a aparente não existência de regras ou mecanismos (estilo “números-clausos” !) que disciplinassem a nossa economia. Bastaria, talvez, que houvesse entidades orientadoras e estímulos para as actividades úteis! Analisando, mais atentamente, o panorama da nossa economia, apercebi-me que uma maioria apreciável da população activa se dedicava a uma qualquer actividade comercial.
Apercebi-me, desde logo, da fragilidade da nossa economia. Afigurava-se-me ser admissível que o “circuito económico” dos bens, desde o produtor até ao consumidor, comportasse
Unidades Armazens Comércio CLIENTE
de »Transporte » em » retalho » final
Produção grosso (proximidade)
parecendo desejável que os vários intervenientes fossem dimensionados para corresponder ao objectivo: fornecer o produto em condições de qualidade e preço aceitáveis. A isto se deveria chamar “rentabilidade” e “competitividade”.
O que se constatava era que o grosso da população, para além da rural (ainda existente na época e com um “peso” apreciável) se dedicava ao “pequeno comércio”. Tal situação só era sustentável, pela prática de “margens de comercialização” exageradíssimas: o produto era fornecido ao consumidor com preços muito superiores ao custo de produção e todos sabemos que assim tem mantido. Tal só era sustentável num regime proteccionista, sem concorrência efectiva: cada ramo de actividade comercial constituía o seu próprio “lobby”, e o “Zé pagante” ia gemendo; cada agente inserido no ciclo ia fazendo repercutir nos seus preços quaisquer alterações nos mercados e neste equilíbrio artificial lá se ia vivendo ! Outro factor importante de sustentabilidade deste estado de coisas era o Ultramar Português, proporcionando um amplo mercado preferencial e contribuindo, de forma muito significativa para o “produto”, qual “balão de oxigénio” para aguentar a frágil economia do Continente.
Com a abolição das fronteiras, a abertura ao Mercado Comum e a consequente concorrência internacional, agravado pela migração da população rural (a maioria com poucas habilitações) para as cidades, esta situação tornou-se insustentável.
Estou em crer que as referidas alterações da conjuntura eram inevitáveis e, mesmo, desejáveis: o País não se poderia manter isolado, como um “sistema fechado”. O que considero grave é que os responsáveis por tais decisões e os demais intervenientes no processo, desde então até ao presente, nunca tenham referido este perigo e não tenham alertado o País para a necessidade urgente de se reestruturar. Ou será que não sabiam ? Ou que não falaram verdade ?!
No caso Português, o problema foi apreciavelmente agravado pela “exemplar descolonização”, tendo-se instalado uma mole de famílias que, na sua maioria, veio acentuar o desequilíbrio do nosso tecido empresarial: bastará ver a quantidade de cafés e tascas que proliferaram por todo o lado.
Se a crise era já previsível há mais de 50 anos, tornou-se mais evidente com as ocorrências referidas, passando a sentir-se fortemente com o surgimento das novas “economias emergentes” da Ásia. Nunca ouvi os Governantes, Economistas, Jornalistas ou Comentadores alertar para esta situação, sensibilizando os “agentes económicos” para reduzir o número de micro-empresas do chamado “comércio tradicional”, se reconverterem para actuar em novas áreas, usando a criatividade tão característica dos portugueses, para inovar e, assim, se prepararem para um mercado aberto, mais competitivo e concorrencial.
Assistimos a um espectáculo desolador de falências e fecho de estabelecimentos por todo o lado. As cidades vão ficando desertas e cada vez mais inseguras ! O desemprego neste sector vai aumentar, com todas as suas consequências sociais. Tenho imensa pena dessas famílias, embora considere que andaram distraídos, vivendo todo este tempo “à sombra da bananeira”. Não critico o meu amigo ou o Pai: era a cultura empresarial da época ! A situação é grave e irreversível; há que mudar as mentalidades e competências.
Mas, tal só será possível, se todos falarem verdade.
MG 14.09.2007
A questão que colocava no dito texto é de que há um peso excessivo na nossa economia de PMEs de utilidade reduzida ou nula, na economia real.
Considero que a crise actual vai, fatalmente, eliminar o que é supérfulo e não haverá meio, razoavel e sensato, de salvar essas empresas. Sanear a economia poderá ser um proveito decorrente desta enorme crise, bem previsível afinal !
A solução passará, na minha opinião, pela sua reconversão.
Anexo o texto de 14.09.2007.
FALAR VERDADE: o “peso” do Comércio
Defendia o Dr. Lobo Xavier, no último debate da “quadratura-do-círculo”, que os Políticos devem, para terem credibilidade, falar SEMPRE verdade. Não podíamos estar mais de acordo ! Foi tal referido a propósito de o Estado ter que encetar políticas que equilibrem os objectivos de estabilidade das Finanças Públicas, com desenvolvimento económico e de satisfação de objectivos sociais, num contexto duma situação difícil na Europa (e no Mundo em geral) e num ambiente de crise que se sente no País.
Ora, para “falar verdade”, afigura-se-me que esta crise era previsível há muito tempo, face à débil estrutura do nosso tecido empresarial e composição dos sectores de actividade dos nossos agentes económicos. Fui despertado para esta questão com o seguinte episódio, história real que passo a relatar apenas para ajudar a situar o problema.
Um amigo meu de infância, filho de uma abastada família burguesa (classe “média-alta”), não foi educado e estimulado a fazer nada de útil; par além de ter “boas maneiras”, ser jovial e gentil, sempre simpático, não “dava duas para a caixa”; não que fosse menos dotado: era simplesmente preguiçoso e mimado; nunca nada lhe faltava ! Não estou certo que tenha feito a 4ª Classe (como então se designava o exame de “educação primária”) e, se o fez, não terá ido muito mais longe.
Abeirando-se a idade de ter que assumir responsabilidades profissionais e familiares, como não tinha quaisquer habilitações e não sabia fazer nada, foi a questão resolvida pelo Pai,… abrindo um estabelecimento comercial com boa localização, que lhe proporcionasse adequada independência financeira. Assim surgiu mais um “comerciante” e mais uma loja, igual a mais 4 ou 5 do mesmo ramo nas redondezas, e igual a mais milhares já existentes na Cidade !
Ou seja: quem não sabe nada, e não sabe fazer nada, e não tem capacidade de introduzir qualquer “mais-valia” para a economia,… abre uma loja, mesmo que a mesma não venha introduzir o mínimo “valor acrescentado” ao mercado, nesse sector !
O facilitismo com que tal ocorreu deixou-me, então, a pensar, estranhando a aparente não existência de regras ou mecanismos (estilo “números-clausos” !) que disciplinassem a nossa economia. Bastaria, talvez, que houvesse entidades orientadoras e estímulos para as actividades úteis! Analisando, mais atentamente, o panorama da nossa economia, apercebi-me que uma maioria apreciável da população activa se dedicava a uma qualquer actividade comercial.
Apercebi-me, desde logo, da fragilidade da nossa economia. Afigurava-se-me ser admissível que o “circuito económico” dos bens, desde o produtor até ao consumidor, comportasse
Unidades Armazens Comércio CLIENTE
de »Transporte » em » retalho » final
Produção grosso (proximidade)
parecendo desejável que os vários intervenientes fossem dimensionados para corresponder ao objectivo: fornecer o produto em condições de qualidade e preço aceitáveis. A isto se deveria chamar “rentabilidade” e “competitividade”.
O que se constatava era que o grosso da população, para além da rural (ainda existente na época e com um “peso” apreciável) se dedicava ao “pequeno comércio”. Tal situação só era sustentável, pela prática de “margens de comercialização” exageradíssimas: o produto era fornecido ao consumidor com preços muito superiores ao custo de produção e todos sabemos que assim tem mantido. Tal só era sustentável num regime proteccionista, sem concorrência efectiva: cada ramo de actividade comercial constituía o seu próprio “lobby”, e o “Zé pagante” ia gemendo; cada agente inserido no ciclo ia fazendo repercutir nos seus preços quaisquer alterações nos mercados e neste equilíbrio artificial lá se ia vivendo ! Outro factor importante de sustentabilidade deste estado de coisas era o Ultramar Português, proporcionando um amplo mercado preferencial e contribuindo, de forma muito significativa para o “produto”, qual “balão de oxigénio” para aguentar a frágil economia do Continente.
Com a abolição das fronteiras, a abertura ao Mercado Comum e a consequente concorrência internacional, agravado pela migração da população rural (a maioria com poucas habilitações) para as cidades, esta situação tornou-se insustentável.
Estou em crer que as referidas alterações da conjuntura eram inevitáveis e, mesmo, desejáveis: o País não se poderia manter isolado, como um “sistema fechado”. O que considero grave é que os responsáveis por tais decisões e os demais intervenientes no processo, desde então até ao presente, nunca tenham referido este perigo e não tenham alertado o País para a necessidade urgente de se reestruturar. Ou será que não sabiam ? Ou que não falaram verdade ?!
No caso Português, o problema foi apreciavelmente agravado pela “exemplar descolonização”, tendo-se instalado uma mole de famílias que, na sua maioria, veio acentuar o desequilíbrio do nosso tecido empresarial: bastará ver a quantidade de cafés e tascas que proliferaram por todo o lado.
Se a crise era já previsível há mais de 50 anos, tornou-se mais evidente com as ocorrências referidas, passando a sentir-se fortemente com o surgimento das novas “economias emergentes” da Ásia. Nunca ouvi os Governantes, Economistas, Jornalistas ou Comentadores alertar para esta situação, sensibilizando os “agentes económicos” para reduzir o número de micro-empresas do chamado “comércio tradicional”, se reconverterem para actuar em novas áreas, usando a criatividade tão característica dos portugueses, para inovar e, assim, se prepararem para um mercado aberto, mais competitivo e concorrencial.
Assistimos a um espectáculo desolador de falências e fecho de estabelecimentos por todo o lado. As cidades vão ficando desertas e cada vez mais inseguras ! O desemprego neste sector vai aumentar, com todas as suas consequências sociais. Tenho imensa pena dessas famílias, embora considere que andaram distraídos, vivendo todo este tempo “à sombra da bananeira”. Não critico o meu amigo ou o Pai: era a cultura empresarial da época ! A situação é grave e irreversível; há que mudar as mentalidades e competências.
Mas, tal só será possível, se todos falarem verdade.
MG 14.09.2007
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