O poder do “querer” !
Desde há já muitos anos que me deixei fascinar pelo potencial das capacidades “parapsicológicas” do ser humano. Pelos princípios dos anos sessenta assisti a uma muito interessante conferência feita por um Padre Franciscano, professor da matéria numa Universidade brasileira, que me despertou grande curiosidade sobre o assunto. Algumas conversas posteriores sobre o tema, com relatos de estranhos fenómenos “paranormais” feitos por pessoas que considero credíveis, deixaram-me sempre numa atitude de prudente respeito sobre estes assuntos. Fenómenos como empatia, telepatia e premunições começavam a ser, tanto quanto ia sabendo, observados já pela comunidade científica.
Afigura-se-me pouco sensata a atitude de quem se afirma “superior a essas coisas”, rejeitando a sua análise por preconceitos redutores e obscurantistas ! Estou como o espanhol que dizia:
“yo no creo en brujas, pero haberlas,… las hay” !!
Circunstâncias da vida levaram-me a, muito mais tarde, ter de acompanhar o tratamento de pessoas padecendo de estados depressivos profundos, tratadas até então pela nossa “medicina tradicional”, no foro da psiquiatria, sem qualquer sucesso e permanecendo com graves sequelas. Casualmente, (e há muito quem defenda que nada acontece por acaso !) deparou-se-me oportunidade de descortinar terapias alternativas, algumas baseadas em medicinas ancestrais e o facto é que (sem entrar em pormenores, que não interessam para o tema) tais pessoas, libertadas das “drogas” anteriormente usadas e tratadas por outros meios, se curaram rapidamente ! Familiarizei-me, então, com técnicas de “meditação”, aprendi “reiky”, recorreu-se à “homeopatia” e percebi no que consistia a chamada visão “holística” do comportamento do corpo humano e o seu equilíbrio com o emocional e espiritual. Constatei que tais ensinamentos, não colidindo com as minhas convicções religiosas, só me ajudaram a “crescer” espiritualmente, dando uma perspectiva duma vivencia mais adulta e responsável. Para mim, as análises “esotéricas”, fornecendo “pistas” e “ferramentas” da maior utilidade, podem e devem ser estudadas com atenção e respeito, e nunca ignoradas ou menosprezadas; o importante é estar-se atento, e ter o discernimento de “distinguir o trigo do joio”.
Apercebi-me, então, ainda na fase de tratamento com a tal medicina tradicional, que alguns médicos sabiam já das capacidades do “poder da mente”; só que não as utilizavam nas suas terapias, continuando apenas a recorrer aos fármacos ! Simplesmente, imperdoável !
Vai sendo cada vez mais divulgada a técnica da “programação neuro-linguística” (PNL), como forma de treinar e desenvolver as tais “capacidades da mente”.
A reflexão pessoal que fui fazendo ao longo deste percurso levou-me a intuir que, ainda mais importante e eficaz que o tal “poder da mente”, o é o “poder do espírito”, concretizado no “poder do pensamento” e no “poder da vontade”. Afigura-se-me da maior importância clarificar o que pretendo transmitir, referindo ideias que começam a ser correntes e a ser adoptadas pela cultura actual.
Assim, é já frequente encontrar quem defenda que quem deseje profundamente uma coisa, o consegue: tal coisa “acontece” ! O importante é desejar com força ! A minha experiencia pessoal leva-me a estar, cada vez mais, convicto de tal realidade.
Começou também a entrar na gíria, muito por influência da cultura das telenovelas brasileiras, expressões como “pensamento positivo” (para estimular alguém a ter uma atitude construtiva perante as circunstancias da vida), bem como “vire para lá essa boca” (para contrariar a de alguém que só dá “mau tempo” !). Será isto infantilismo supersticioso, ou corresponderá a uma constatação realista das nossas capacidades subconscientes ?
O facto é que cada vez mais se recorre a “técnicas de relaxamento” (usadas no Yoga, por exemplo) e “exercícios de concentração” (nas “artes marciais”), em que se exercitam e desenvolvem as capacidades de controlar o corpo, através da mente, “centrando” a atenção nas várias partes do corpo, imaginando a sua “visualização” (como forma de aí concentrar a atenção) e “dirigir as energias” sobre si, forma de “querer” atingir determinado resultado. No reiky, o poder de “cura” das mãos (associado a uma inegável sensação de bem-estar) parece decorrer do esforço consciente de concentração do “pensamento dirigido” (pelas mãos) com determinado “alvo”; o efeito será reforçado se o “paciente” estiver numa atitude receptiva e de colaboração activa, centrando também, conscientemente, o seu pensamento na “recepção” dessa energia para o efeito desejado. A “cura” é potenciada se houver uma atitude de adesão interior; geralmente quem recorre a tais terapias já está, previamente, “convertido” !
Sendo este o “poder do espírito” (potenciando as capacidades da mente com as da “alma”, ou “centelha divina” e “eu profundo”- como chamam os não cristãos), este transcende-o, embora integrando-o; abre-se a cortina para se perceberem todos os fenómenos transcendentais e paranormais. Só se percebe numa perspectiva espiritual, embora seja necessário estar de consciência desperta e atenta e de vontade empenhada! Mas é importante, também, ter consciência de que este poder pode ser bom ou mau ! Pode ser usado, com amor (no sentido genuíno) e altruísmo, para “curar”, ou com ódio e egoísmo, para destruir. Alerto que será bom não ignorar esta realidade e saber lidar com ela, quer para ajudarmos, quer para nos defendermos de terceiros, “amigos da onça” ! Acredito, pois, que se há “magia branca”, há também, infelizmente, “magia negra” . Há gente para tudo !
Então, qualquer um pode fazer “milagres” ? Os milagres são uma coisa banal e acessível ?
Considero que só são reconhecidos como tal ocorrências verdadeiramente extraordinárias, apenas acessíveis pela força do “Espírito Santo” (ou, opostamente, do “espírito do Mal”, ou como lhe queiram chamar !). É o caso dos muitos realizados por Cristo (o “Deus Encarnado”, possuído pelo “Espírito Santo”) e por todos (apóstolos e discípulos) que ajam em Seu nome e animados pelo mesmo Espírito. O primeiro grande milagre foi Deus ter dotado a “espécie humana” com tal capacidade, que nenhuma outra possui !
Creio poder concluir-se, assim, que há um “poder” efectivo dos gestos feitos de forma deliberada e consciente, para além do seu valor simbólico e que os mesmos podem ter, ainda um “poder infinito”, quando potenciados por um “sacramento” (“sinal sensível” e eficaz (!) duma “graça” específica); a “graça” será a “contribuição” do “Deus-Espírito” para a eficácia do “poder da mente” e resulta da “conquista” de Cristo para redimir a humanidade: a sua Paixão e Morte foram o “preço” para a Ressurreição e “resgate” da humanidade, através dos Sacramentos que veio instituir: a humanidade tem uma “ferramenta” e uma ajuda para se “curar”, se quiser !
Esta é a grande força do “poder de querer”, se usado de forma consciente e lúcida.
Tenho conhecimento de relatos vários de curas de cancros (incipientes) decorrentes de uma mudança radical de “estilo de vida” e de atitude perante o “sentido da vida”. Creio que isto pode ser muito interessante !
Fico muito contristado quando deparo (frequentemente, infelizmente !) com Sacerdotes a fazer, como mercenários, “rituais” com ar distraído, de quem não está a pôr, minimamente, as suas capacidades humanas no gesto ! Será que não estão conscientes, porque não sabem da importância do que estão a fazer ? Não aprenderam, ou já esqueceram ?
Desculpa-se o jogador de futebol que esboça, num misto de superstição, um gesto superficial e dissimulado. Não sabe mais ! Que diferença para o gesto solene de quem o faz com consciência ! Não é mal que o jogador (ou o mau aluno que entra no exame com pouca segurança !) se benza: do mal, o menos ! É sinal de que não anda longe do essencial da vida ! Mas, bem melhor seria se o fizesse de forma assumida, com dignidade. Isso seria sinal de uma espiritualidade adulta, esclarecida, exigente, consciente e consequente.
Seria interessante reflectir, a propósito, sobre o valor da oração, especialmente se feita de forma a mobilizar todas as nossas capacidades espirituais; como todas as outras capacidades humanas, esta forma de “poder” pode ser treinada e desenvolvida: “querer, é poder” diz, afinal, a sabedoria popular !
Viria, também, a propósito reflectir sobre a importância do “silêncio”, que esta “sociedade do ruído” parece não querer entender; talvez tal seja deliberado, para alimentar o negócio de quem viva da desgraça alheia.
Julgo que, contrariamente à opinião dos que renegam a existência deste grande poder, a humanidade só teria a ganhar se dele houver consciência e se dele se fizer o uso desejável para “curar” esta decadente civilização, tão enferma.
Este é, portanto, o tal “segredo”: “espírito forte” e, … pensamento positivo !!
MG 24.02.2009
(fim do Entrudo)
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
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