AQUI HÁ GATO !!
Parece ser uma evidencia incontestável que, em coerência com a bipolaridade de todo o cosmos, também em toda a natureza se verifica que em todas as espécies, quer vegetais, quer animais, há 2 sexos (macho e fêmea), sendo ambos sexualmente diferentes e diferenciados e complementares, visando apenas a “preservação da espécie”.
O ser humano é dotado de capacidades especialmente desenvolvidas e, até, únicas; se encontramos forma elementares de memória e inteligência e de manifestações afectivas noutras espécies, como todos sabemos, o facto é que os cães, os elefantes e os golfinhos fazem agora o mesmo de sempre ! Só o homem tem a capacidade de pensar e criatividade para inovar !
Assim, no ser humano a tal complementaridade sexual deve considerar não só a simples diferenciação fisiológica, mas também os aspectos afectivo e emocional, cognitivo e mental e, até, de espiritualidade; o ser humano é sexuado em todas estas vertentes ! É bem sabido como o homem e a mulher são diferentes em todos estes aspectos ! Até se sabe que o cérebro é diferente, sendo num mais desenvolvido o lóbulo esquerdo e, noutro, o direito. Reduzir a “sexualidade humana” à genitalidade, é verdadeiramente redutor !
A sexualidade, na espécie humana, visa uma “comunhão integral de vida”, de corpos e de almas, em que a doação física resulta como seu corolário natural.
Assim, casar é “encaixar” todos os aspectos das personalidades dos cônjuges.
Esta é a diferença essencial sobre o conceito de “casamento”, e a “educação sexual” deveria ser a preparação para este “amor conjugal”.
Amar, no sentido correcto, é estar em comunhão de afectos, de gostos, de projectos, de objectivos, de opções e de ideais, até mesmo, de crenças (políticas, religiosas ou futebolísticas!). Esta é a base da boa e essencial “harmonia conjugal”. Só a “atracção física” é curto e efémero: a casa é construída na areia ! Amar (ágape) é ainda e sempre, estar atento, disponível e empenhado em tudo fazer pela felicidade e realização integral do ser amado; é dar-se generosamente e dar a vida por esse objectivo. A manifestação física da entrega amorosa (eros) terá toda a grandeza, beleza, dignidade e expressão como consequência duma “comunhão de almas”; o “amor conjugal” (manifestação e expressão mais completa do Amor de Deus (Paulo VI- ENS 1970) não exclui nem desvaloriza o sua manifestação física, antes lhe dá a sua máxima realização.
Tudo isto se baseia em simples considerações decorrentes apenas da tal natureza humana, mesmo sem necessidade de recorrer a outras congeminações teológicas !
Mas não é isso que se ensina, nem o que se aprende nas telenovelas ! E o resultado está bem à vista !
A perversidade está, portanto, em reduzir (repito) a relação conjugal à relação física e, especialmente, fixar como objectivo o prazer que lhe está associado. O prazer, legítimo, desejável e saudável deverá ser percebido como um estímulo (que a natureza cria para a preservação da espécie) e não como um fim (o fim único !), tanto alimentado por uma cultura hedonista: considerar o prazer como objectivo primeiro reduz a “sexualidade humana” ao sexo animal e deturpa-a; o fim da genitalidade deixa de ser para procriação, mas “curtir”: é o gozo !
Tal concepção do sexo justifica e conduz a relações superficiais, efémeras, inconsequentes e irresponsáveis, contrariando o que seria normal e desejável e de acordo com a “natureza humana” e a sua consequente exigência e anseio de realização integral; são relações pobres, repetitivas e monótonas pelo que facilmente degradáveis e definháveis, esvaziadas rapidamente de significado e perdendo o estímulo da novidade e a graça do “fruto proibido”. Julgo ser esta a causa principal do moderno fracasso das relações conjugais, causa de instabilidade das instituições familiares naturais, com todas as dramáticas consequências conhecidas para o equilíbrio dos casais, dos cônjuges e para a vida (em todos ao aspectos) das crianças, com que a sociedade finge estar muito preocupada !
Quando se percebe que “casar” se não reduz a “acasalar”, e concluindo-se que a natureza está concebida para a tal relação integral, mantendo a função original da fecundidade da genitalidade, é-se levado a concluir que as relações intencionalmente não fecundas são um desvio do plano natural, ou seja, são contra-natura ! Excluímos, como é evidente, o caso de infecundidade involuntária. Nos casos normais, a gestão da fecundidade deve ser analisada duma forma séria e generosa, numa óptica da chamada “paternidade consciente e responsável” e nunca numa perspectiva egoísta de satisfação dos apetites pessoais, como é interpretado usualmente no chamado “controlo da natalidade”.
A 1ª fase do processo de dissolução dos costumes começou, de mansinho, com a liberalização do uso da “pílula”, favorecendo a vulgarização de relações extra-matrimoniais; segue-se a facilitação do divórcio e aceitação das “uniões de facto”, pretendo atribuir-se-lhes um estatuto social equivalente ao do casamento que, mesmo civil, confere uma estabilidade e responsabilidade social já respeitável. Para agravar a situação há quem venha agora pretender conferir idêntica dignidade a uniões homosexuais ! Ora resulta do referido atrás que casamento, só se pode entender entre pessoas de sexo diferente; qualquer associação de pessoas de igual sexo, mesmo envolvendo uma relação de amizade profunda, nunca será um casamento ! Amizade não é o mesmo que amor (ágape +eros), mesmo que envolva o que se designa correntemente por “paixão” que não passe duma pura satisfação (egoísta) do prazer.
Sempre houve casos de pessoas que nascem com tendências sexuais mal definidas, facto que se compreende e respeita; tal não significa que se “assumam” como homosexuais ! São frequentes as situações de pessoas que, apesar disso, constituem famílias normais ou de, em casos mais evidentes, se remeterem a uma condição de celibato, sem quaisquer complexos ou traumas. Só vive traumatizado quem tenha uma obsessão doentia pelo sexo primário (e apenas virado ao prazer físico), não tendo capacidade mental para superar esse instinto animal !
Todas as aberrações surgem quando o sexo é considerado uma “necessidade” e se confunde felicidade com prazer e gozo ! Face à banalização das relações heterossexuais inconsequentes e irresponsáveis, as mesmas perdem sabor pelo que a procura do prazer justifica a busca de alternativas que confiram nova “adrenalina” às relações e, então,… vale tudo !
Na mesma medida em que admiro os casos de quem ultrapassa tal desvio, fazendo vida normal sem recalcamentos, aceito (e respeito) quem não tenha tal capacidade; estou convicto que são uma percentagem reduzida, como sempre foram. Rejeito a consideração de tal prática como sendo normal e socialmente aceitável, um “direito à diferença” em que embarca gente acrítica e manipulável pelas modas e condeno veementemente quem o “assume” apenas por extravagância injustificada.
Sendo um fenómeno que proliferou muito para além do que os “desvios naturais” poderiam justificar, tal explosão só se entende por um processo de manipulação de massas que nada tem a ver com a defesa de direitos legítimos e razoáveis e, muito menos, com a preocupação com a felicidade efectiva das pessoas.
Afigura-se-me, portanto, que tudo isto é um negócio escandaloso: a degradação dos costumes e a consequente instabilidade familiar e crise da juventude proporcionam um”caldo” ideal para o fomento de vícios e “dependências”; a instabilidade social provoca miséria física e moral, gerando uma mole facilmente manipulável para servir os interesses politiqueiros e de certo tipo de empresários que enriquecem facilmente à custa do sofrimento das vítimas incautas. Tudo isto é alimentado por uma certa “comunicação (dita) social” que se aproveita do sensacionalismo para vender publicidade. Tudo isto é tão absurdo e ilógico que a sua proliferação só se entende na medida em que alimente grandes interesses financeiros e políticos.
Parece-me suficientemente elucidativo constatar que são as mesmas vozes que defendem a liberalização do divórcio que (não sendo de gente crente) tanto fingem preocupar-se com o casamento dos padres e com a igualdade de estatuto das “uniões-de-facto” e, agora, das uniões homosexuais ! Nada disto, sendo coerente como estratégia, faz sentido lógico.
Mais condeno ainda e, portanto, repudio quem se serve da ingenuidade e insensatez de gente vulgar, sem valores nem princípios, para fins inconfessados.
Aqui há gato ! Cheira-me, mesmo, a esturro !
MG 31.10.2008
domingo, 15 de fevereiro de 2009
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