Assim se intitula um poema de Pedro Barroso, o qual me foi enviado há dias pela Net. Logo reagi com um pequeno comentário, que se me afigura oportuno desenvolver, após o debate “Prós e Contras” a que assisti no dia 16, em que mais uma vez me pareceu ser dado um tratamento confuso a questões essenciais. Efectivamente, sendo o texto acima referido poeticamente sugestivo e insinuante, revelava implicitamente, e de forma expressiva a realidade da mentalidade e cultura duma maioria da nossa sociedade moderna, influenciada por uma concepção preocupantemente redutora da “sexualidade humana”, considerando-a apenas na sua vertente de “genitalidade animal”, e o prazer que lhe está associado, como seu objectivo fundamental.
É o que chamei, já então, a “civilização da “queca””!
É um facto incontornável (como agora é fino dizer !) que, para quem tem tal mentalidade, tudo na vida, de forma directa ou indirecta, gira à volta do sexo, parecendo vir-se confirmar as teorias de Freud.
Não em vou alongar, até porque já o fiz noutras oportunidades, a realçar as diferenças essenciais entre a tal “sexualidade primária” e o que deveria ser uma “sexualidade humana” integral, bem entendida e assumida; tão pouco vou repetir o que se deve entender por Amor, no sentido correcto da palavra, e que nada tem a ver, também, com o “faire amour” que reduz, geralmente, a relação ao seu oposto, numa busca egoísta da satisfação pessoal, em consonância com uma cultura hedonista.
O objectivo desta reflexão agora, é o de salientar que tal visão de sexo é já, em si mesma, uma perversão e um “desvio” em relação à “natureza humana”, quando considerada numa percepção integral, estando na base e na origem de todos os outros “desvios comportamentais” que afloram na sociedade como manifestações de tal mentalidade e cultura, de forma cada vez mais preocupante, com a agravante de virem reivindicar estatuto e direitos iguais aos dos cidadãos que agem de “forma normal”, de acordo com a “natureza humana”. É aquilo a que se chama de “comportamentos desviantes”! É curioso o silêncio dos chamados “naturistas” face à defesa do uso dos órgãos destinados à reprodução e preservação da espécie, com objectivos que se afastam, ou mesmo, opõem a tal finalidade !
Mas, o mesmo sempre aconteceu, ao longo da história da humanidade, nos períodos de decadência de todas as civilizações ! A diferença é que as novas tecnologias da modernidade favorecem um impacto de muito maiores dimensões e de consequências mais nefastas.
É o que se constata nos noticiários de todos os dias e, agora, com particular relevo na “agenda política” do momento, no nosso País !
Efectivamente, esta concepção vigente da sexualidade, conduz a uma vivencia pobre das relações, nada criativa, monótona e, até, fastidiosa, o que está na base na instabilidade destes relacionamentos irresponsáveis, precários e inconsequentes. Tal é a consequência de se considerar o sexo como visando o prazer; o que importa é “curtir” (a perversão está em pôr o sexo ao serviço do prazer, em vez de valorizar o prazer como estímulo sexual) ! E tal objectivo, o do prazer, por si só efémero e passageiro, favorece a rotina e não satisfaz os anseios mais profundos da natureza humana. O prazer físico, só por si, não dá a verdadeira felicidade e, ao contrário do amor, esmorece com a rotina e habituação; como em tudo o mais, relacionado com o “corpo físico”, a monotonia embota a sensibilidade e o estímulo da novidade desaparece, sendo necessário encontrar novas motivações noutras “novidades”, na variedade, na diversidade, no inesperado, no bizarro !
E quando o “normal” não satisfaz, e o estímulo passa a ser o bizarro, começa a aflorar o “vale tudo”! Tal evolução poderá não ter limites, deixando de haver regras e valores: da masturbação às “relações ocasionais” e passageiras (a que se chama de “caso”), segue-se para o chamado “amor livre”, o “swing”, a banalização do divórcio, a libertinagem, a consequente defesa da pílula para contrariar a Natureza (e perverter a “razão primária” da genitalidade !), o divulgação do uso do preservativo (para compensar os falhanços da pílula) caindo-se, por fim, na violência do aborto (necessário para compensar as insuficiências do preservativo). Tudo vem em sequência e tudo resulta dessa mesma cultura: é um “silogismo em cadeia” (que aprendemos, no Liceu, a chamar de sorites) !
Quando o objectivo é “curtir”, e o estímulo o bizarro, e quando o “normal” se torna banal, vulgar e menos estimulante, o natural será que se procurem variantes mais apelativas surgindo, como corolário do referido sorites, as “taras” dos comportamentos mais desviantes e que suscitam, hipocritamente, as grandes parangonas dos escândalos noticiosos (o que convém ao negócio da “comunicação social”, e outros negócios de “empresários” de sucesso recente: alterne, tráfego de crianças, droga, etc.!), alimentados pela florescente literatura pornográfica: a pornografia infantil, a pedofilia e a homossexualidade.
Dizem os noticiários haver grande preocupação com a SIDA, mas nada se faz para ir à solução na raiz do raiz do problema: uma mudança de cultura e de comportamentos ! Tudo está ligado !
Estou consciente de que não é “politicamente correcto” atrever-me a afirmar que tais comportamentos correspondem a desvios em relação ao “normal”, ou seja, com o que está de acordo com a Natureza; tal consideração é, até mesmo, considerada um novo crime: a “homofobia” ! Mesmo assim, creio ser importante deixar frisado que há muitos casos de mulheres “machonas”, ou um homens “efeminados” que não são, forçosamente, homossexuais. Muita gente há, homens e mulheres, com algumas flutuações, no que se refere ao seu “perfil sexual”, em relação aos padrões correntes, com desvios dentro dos limites duma “franja de normalidade” aceitáveis, e que nem por isso deixam de fazer uma vida equilibrada socialmente. È indispensável salientar este facto e que só resolve “assumir”, como se diz, quem viva obcecado com o tal “gozo sexual” e faça disso uma prioridade e objectivo de vida ! Nisso está o “desvio” ! Tal concepção de sexualidade é que é “doença” !
Trata-se, de facto, duma “doença cultural”e civilizacional que não, forçosamente, uma doença mental ou fisiológica o que é, naturalmente, bastante raro.
Tudo o resto é uma consequência directa desta concepção de sexualidade! E não é esta a mentalidade de muita “boa gente” ? Não é verdade que de facto, para a maioria, “o sexo comanda a vida” ?
Considero conveniente frisar que falar claro e denunciar o erro, não é falta de caridade !
Pelo contrário ! Falta de caridade é, por medo ou comodismo, deixar correr.
Se é verdade que se deve respeito e carinho a toda a gente, tal não significa anuência com o erro, que deve ser denunciado sempre, com frontalidade.
E se maior carinho e compaixão nos merece quem é doente ou, de alguma forma deficiente, devem ser rejeitados os comportamentos aberrantes de quem se julga no direito de ser original e, acintosamente, afrontar o que é normal e saudável, quer do ponto de vista pessoal, quer social e moral. Denunciar isto não é descriminação, nem atentado a qualquer direito legítimo.
Só razões de estratégia política, para servir fins estranhos que nada terão a ver com a defesa da cultura e civilização, podem explicar o desaforo de vir esta nova minoria reivindicar o reconhecimento de um estatuto e de direitos iguais aos de todos os cidadãos que se regem por normas de conduta em conformidade com a mais elementar “moral natural” (não só duma “cultura conservadora” de inspiração Cristã, ou Católica, como é insinuado pelos anti-clericalistas)! Será que estas questões se põem também no mundo Islâmico ?!
Se o “direito à asneira” passa a ser defensável, porque não contemplar os direitos dos contrabandistas, dos traficantes, dos corruptos, etc. Será que estes também tem “direito à diferença”?
Basta de demagogia !
Porque será que os mesmos que lutaram pelo referendo do aborto, vem agora calorosamente contestar o referendo sobre a “igualdade” de estatuto das uniões homossexuais, como se viu no referido “Prós e Contras” ?
Porque será que os mesmos, também, que lutaram contra a “instituição retrógrada” do casamento heterossexual, defendendo a igualdade de direitos das “uniões livres”(!), vem agora defender o “casamento homossexual”? Há em tudo isto algo de profundamente errado e contraditório, que não dá para entender e que deve ser denunciado !
Creio que ressalta evidente a sua “pureza de intenções”!
Então, para que não seja o sexo (mal entendido) a comandar a vida de muita gente e, em especial, de muitos jovens, torna-se fundamental e urgente uma correcta “educação sexual”, que não será o que se pretende difundir nas escolas (ensinando-se o que toda a gente sabe já, e o que nunca deveria saber, por favorecer perversidades desviantes !), deixando bem claro o que está errado e conduz ao caos que se vai vendo.
Urge tudo fazer para se corrigir e superar esta “cultura da queca”, para se implantar uma nova cultura, duma verdadeira “civilização do Amor”!
MG 22.11.2009
domingo, 29 de novembro de 2009
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